15 DE JUNHO DE 2015
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é necessário um plano de intervenção para amanhã, não podemos aceitar, porque isso só poderia acontecer
por dois motivos: ou por desconhecimento da realidade ou por facilitismo de quem não olha a recursos para
conquistar o eleitorado.
Aplausos do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Heloísa
Apolónia.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Quero também, em nome
do Grupo Parlamentar de Os Verdes, começar por saudar os peticionários que entregaram esta petição na
Assembleia da República em junho do ano passado, portanto, vai para um ano.
Entretanto, em novembro do ano passado, já tinha dado entrada esta petição e também por causa dela e
de outras denúncias e preocupações que vão chegando regularmente à Assembleia da República, Os Verdes
entenderam apresentar um projeto de resolução que visava a eliminação das barreiras arquitetónicas, pela
garantia do direito de todos os cidadãos à mobilidade e à acessibilidade.
Este projeto de resolução propunha um levantamento, ao nível de todo o território nacional, dos edifícios de
serviços públicos onde se presta atendimento aos cidadãos e que têm problemas de acessibilidade ou de
mobilidade para pessoas com necessidades especiais; propunha criar uma estratégia de ação, com um largo
envolvimento e participação das autarquias, de associações, de movimentos e dos cidadãos em geral, com
metas concretas de curto, médio e longo prazo, e propunha que se remetesse, urgentemente, à Assembleia
da República uma avaliação do grau de cumprimento do Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto.
Este projeto de resolução foi aprovado na Assembleia da República, tendo dado lugar à Resolução da
Assembleia da República n.º 103/2014, de 23 de dezembro. Portanto, a Resolução está aprovada.
Sr.as
e Srs. Deputados, de facto, o problema das barreiras arquitetónicas não se prende com falta ou
carência de legislação, nem de recomendações ou resoluções específicas sobre a matéria. O problema
prende-se com a componente prática, a concretização das medidas que já estão determinadas. E, na verdade,
ainda há grandes passos a dar neste sentido, porque as pessoas com mobilidade reduzida ainda sentem, no
seu dia-a-dia, grande constrangimento, relativamente àquilo que encontram permanentemente à sua frente.
Às vezes, basta pormo-nos um pouco no lugar das pessoas para percebermos a dificuldade de viver assim,
no dia-a-dia. Por exemplo, ir a um tribunal de cadeira de rodas e alguém ter que nos vir buscar para nos fazer
subir, ao colo, umas escadas, é confrangedor, Sr.as
e Srs. Deputados! Um tribunal não deveria receber assim
os cidadãos! Nem os centros de saúde, nem tantos outros serviços públicos, Sr.as
e Srs. Deputados!
Depois, os transportes também criam essas dificuldades, designadamente algumas estações, onde os
elevadores estão permanentemente avariados, e também as vias públicas nos fazem encontrar essas
dificuldades, como a petição relata.
Depois, há ainda outras dificuldades que, não sendo propriamente permanentes — mas são físicas, sim —,
têm a ver com o nosso dia-a-dia na cidade. Lembro aquele exemplo, que dei quando discutimos o projeto de
resolução de Os Verdes, dos carros, permanentemente, em cima dos passeios, retirando-lhes espaço de
modo a que as pessoas possam passar. E, então, para as pessoas com mobilidade reduzida, a coisa torna-se
muito mais complicada.
Lembro ainda os sinais de trânsito, às vezes, espetados no meio dos passeios, de modo a que as pessoas,
se tiverem de passar, por exemplo, com um carrinho de bebé ou com uma cadeira de rodas, não o conseguem
fazer.
Portanto, Sr.as
e Srs. Deputados, há aqui uma cultura que tem de ser profundamente alterada. E se
queremos uma sociedade para todos, com respeito por todos, é preciso passarmos à prática.
A Assembleia da República, que já aprovou legislação e uma resolução sobre a matéria,…
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Tem de concluir, Sr.ª Deputada.