5 DE NOVEMBRO DE 2016
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É por estas e por outras que a credibilidade da direita se esvai em cada dia que o Diabo teima em não
aparecer. O Diabo é mesmo só o sonho do PSD, cuja estratégia de sucesso já é só esperar pelo insucesso do
País. A direção do PSD são mesmo as únicas pessoas que ficariam melhor se o País estivesse pior.
Aplausos do PS.
Mas, Srs. Deputados, a credibilidade das críticas da direita está, desde logo, condicionada pela contradição
entre o que diz agora e o que fez quando estava no Governo. Como é que podem criticar uma eliminação
progressiva, ao longo do ano de 2017, da sobretaxa quando, num só ano, fizeram um aumento brutal de
impostos que só em IRS aumentou 3200 milhões de euros a coleta sobre os contribuintes em IRS?!
Aplausos do PS.
Protestos do PSD e do CDS-PP.
Como podem falar de pensões, que este ano aumentam 200 milhões de euros, quando, ao longo de quatro
anos, cortaram 150 milhões de euros no complemento solidário para idosos, que falta faz aos mais pobres dos
mais pobres, e ainda cortaram aos pensionistas 1200 milhões de euros, que foi a receita da CES cobrada aos
pensionistas?! Como é que podem falar de pensões?!
Aplausos do PS.
Porém, a credibilidade da direita também não resiste ao confronto com o que fariam se tivessem continuado
no Governo, porque aquilo com que se comprometeram, em 2015, era que, este ano, haveria um aumento de
1070 milhões de euros nos impostos e um corte de 600 milhões de euros nas pensões que já estão a pagamento.
Aplausos do PS.
Mas, se dúvidas ainda houvesse, a credibilidade da direita mede-se pela forma como diz tudo e o seu
contrário sobre este Orçamento. Vejam bem: à segunda-feira de manhã dizem que o PS está capturado pelo
radicalismo do PCP e do Bloco de Esquerda,…
Vozes do CDS-PP: — Ah!
O Sr. Primeiro-Ministro: — … mas na segunda à tarde já é o Bloco de Esquerda e o PCP que estão
domesticados pelo Partido Socialista; na terça-feira de manhã, o Orçamento do Estado é eleitoralista, mas na
terça à tarde o Orçamento do Estado já é austeritário; na quarta-feira de manhã, querem que reduzamos mais
a despesa pública, mas na quarta à tarde já se queixam que reduzimos excessivamente as despesas; na quinta-
feira de manhã, censuram-nos porque queremos aumentar o investimento público para depois, na quinta à tarde,
nos censurarem de não aumentarmos suficientemente o investimento público; na sexta-feira de manhã, acusam-
nos de dar tudo a todos e depois, na sexta à tarde, censuram-nos por darmos prioridade àqueles que mais
sofreram com a ação do anterior Governo; no sábado de manhã, acusam-nos, como hoje fez a Sr.ª Deputada
Maria Luís Albuquerque, de termos pressa em devolver as pensões, e no sábado à tarde acusam-nos de só
fazermos o aumento extraordinário em agosto e de não o fazermos já em janeiro; finalmente, ao domingo,
deixam os portugueses em paz e em sossego e nada dizem ao contrário do que disseram.
Aplausos do PS.
Sim, Srs. Deputados, este é um Orçamento que faz escolhas. É um Orçamento que quer mais rendimento e
menos carga fiscal; mais investimento e menos pobreza; mais conhecimento e menos empobrecimento; mais
Estado social e menos défice. Sim, este é um Orçamento que faz as escolhas certas, a vossa alternativa é a