I SÉRIE — NÚMERO 48
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A verdade é que os problemas herdados na banca, que não foram resolvidos pelo Governo do PSD e do
CDS, vão sendo ultrapassados um a um. E a verdade, como ouvimos, é que o Plano Nacional de Reformas vai
sendo executado.
Sr.as e Srs. Deputados, bem sabemos, repito, que a procissão ainda vai no adro, mas escusa a oposição de
fechar a janela porque ela vai fazer o seu itinerário completo. Portugal está a melhorar e vai ficar ainda melhor.
Aplausos do PS.
Sr. Primeiro-Ministro, o INE acaba de publicar os dados do inquérito ao emprego referentes ao quarto
trimestre de 2016. O que importa reter é que, no último ano, foram criados mais de 80 000 empregos líquidos
em Portugal; o emprego jovem aumentou 6%; houve menos 250 desempregados por dia durante o ano de 2016
— 10,5% a taxa mais baixa dos últimos sete anos; menos 20 000 trabalhadores em situação de subemprego e
mais trabalhadores com contrato sem termo.
Dizia o Sr. Deputado Passos Coelho, em fevereiro de 2016: «Conseguimos, em 2015, criar mais emprego
do que o Governo está a prever para 2016.» Podemos agora responder-lhe muito humildemente: «Virou-se o
feitiço contra o feiticeiro: criaram-se, em 2016, mais empregos do que em 2015.»
Aplausos do PS.
Sr. Primeiro-Ministro, queria fazer uma consideração final sobre um tema que não pode deixar de ser referido
nesta Assembleia. Refiro-me à questão da descentralização.
Há uns anos, o Deputado Alberto Martins escreveu — pedindo-lhe licença para o citar: «Uma teoria
democrática e moderna de separação de competências e funções ao nível do Estado democrático conduz-nos
à evidência da partilha territorializada do poder político».
Ora, é, justamente, o apelo a esse policentrismo político que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista
entende hoje ser pertinente fazer.
O Primeiro-Ministro, o Presidente da República e o Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios
Portugueses têm repetidamente afirmado que a reforma da descentralização é uma pedra angular da reforma
do Estado português.
Cito também, cada um no seu lugar, Alexandre Herculano…
O Sr. Presidente: — Peço-lhe para concluir, Sr. Deputado, embora com os clássicos.
O Sr. Carlos César (PS): — Sr. Presidente, peço-lhe que desconte o tempo de Alexandre Herculano ao
tempo que me é atribuído.
Risos.
Citando Alexandre Herculano: «Não receeis que a descentralização seja a desagregação. O Governo central
há de e deve ter sempre uma ação ponderosa na Administração Pública. Mas cumpre restringir-lhe a esfera
dentro dos justos limites e os seus justos limites são aqueles em que a razão pública e as demonstrações da
experiência provarem que a sua ação é inevitável».
O Sr. Presidente: — Obrigado, Sr. Deputado.
O Sr. Carlos César (PS): — Sr. Primeiro-Ministro — e concluo, Sr. Presidente da Assembleia —,
recomendamos, pois, ao Governo o aprofundamento do trabalho nesta matéria e desejamos que logo que
possível, mas o mais depressa possível, este debate ocorra nesta Assembleia.
Queremos que, com esta reforma, haja mais portugueses a trabalhar por Portugal.
Aplausos do PS.