25 DE MAIO DE 2018
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Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Inscreveu-se, para pedir esclarecimentos, o Sr. Deputado Fernando
Anastácio, do PS.
Tem a palavra, Sr. Deputado.
O Sr. Fernando Anastácio (PS): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Pedro Mota Soares, a respeito dos tais
600 milhões de euros, o Sr. Deputado usou a palavra «saque». Ora, queria fazer-lhe esta pergunta muito direta:
como é que qualifica o «brutal aumento de impostos» do Governo de que o senhor fez parte? Gostava que me
dissesse qual é o outro adjetivo para qualificar o «brutal aumento de impostos» de Vítor Gaspar, num Governo
em que o senhor tomou assento.
Protestos do CDS-PP.
Mas, para além desta pergunta, para a qual fico ansiosamente à espera de uma resposta, gostaria também
de chamar a sua atenção para algumas questões.
Como já foi hoje aqui dito, este é um tema que abre telejornais, encabeça títulos de jornais e,
tendencialmente, a abordagem, por vezes, não é a mais séria. E como também já hoje aqui foi dito, o que, de
facto, importa é perceber o que está na génese do custo efetivo dos combustíveis. Isto já foi amplamente
explicitado, mas continuam sistematicamente a desvalorizar aquilo que é o mercado e o aumento das matérias-
primas.
Mais importante do que tudo isto é percebermos o que é o rendimento disponível e quais são as políticas
que temos.
O Sr. João Paulo Correia (PS): — Muito bem!
O Sr. Fernando Anastácio (PS): — Obviamente que, em 2016, o Governo do Partido Socialista optou, e
muito bem, pela questão da neutralidade fiscal, porque era impossível aos portugueses continuarem a pagar os
impostos que os senhores tinham criado. Por isso, era preciso resolver o problema.
Hoje, a propósito do que temos em cima da mesa e do que temos no Orçamento, chego à proposta que
enunciou e que já deu entrada na Assembleia da República. Ora, se se quer, de uma forma séria e tendo em
consideração a redação daquela proposta, defender que o Estado português prescindirá do imposto sobre os
combustíveis — que é o que lá está escrito —, o que se está a fazer, no fundo, é a eliminar a portaria que permite
ao Governo regulamentar esse imposto, não repristinando nada.
Por isso é que lhe pergunto se, sinceramente, o CDS defende que a solução para os portugueses é que não
se pague qualquer imposto sobre os combustíveis. E, se o defende, já agora, diga aos portugueses quais são
os impostos que quer aumentar. É que, obviamente, as responsabilidades são conhecidas e não acredito que o
CDS defenda a posição de acabar com a receita dos combustíveis e que assuma claramente que não é preciso
compensá-la fiscalmente.
Portanto, para a sua proposta ser viável, o desafio é dizer-me quais são os impostos que vai colocar à
consideração dos portugueses. Qual é o aumento de impostos que defende? É o aumento dos impostos sobre
os rendimentos do trabalho ou é outra coisa qualquer?
Esta é a pergunta que queria deixar-lhe e é a resposta que os portugueses gostariam de saber.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Mota Soares.
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Fernando Anastácio, vou explicar-lhe,
Sr. Deputado, a diferença entre um saque e o «brutal aumento de impostos». É uma diferença de seriedade.