I SÉRIE — NÚMERO 99
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O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Também para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada
Paula Santos, do Grupo Parlamentar do PCP.
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Se há coisa com que o PCP não compactua
é, de facto, com este exercício de branqueamento das responsabilidades do PSD e do CDS em relação à política
de natalidade.
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Muito bem!
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Recordo-me do visto familiar. Nunca mais ouvimos falar do visto familiar em
relação às políticas e às medidas do Governo PSD/CDS.
Protestos do Deputado do CDS-PP Hélder Amaral.
Ou o visto familiar seria o corte nos salários? Ou o corte nas prestações sociais? Ou a desregulação dos
horários de trabalho? O visto familiar serviu para dificultar a vida dos jovens e dos trabalhadores, impedindo-os
efetivamente de ter o número de filhos que gostariam e que desejariam.
O Sr. Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP): — Ligou a cassete!
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Foram estas as vossas responsabilidades em matéria de políticas,
nomeadamente as relacionadas com a natalidade.
Vêm hoje falar, aqui, de um conjunto de medidas, mas, quando tiveram responsabilidades, não só não
implementaram nenhuma dessas medidas, como ainda agravaram a situação, através de um conjunto de
opções de instabilidade, de precariedade, junto dos jovens. Inclusivamente, convidaram os jovens a emigrar!
O Sr. Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP): — Mentira!
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Hoje, o PSD falou dos problemas da emigração, dizendo que continuam a
sair muitos jovens do nosso País. É um facto, é uma realidade preocupante, mas o primeiro a convidá-los a
abandonar o nosso País foi o Governo PSD/CDS. É esta a vossa responsabilidade em matéria de natalidade!
Aplausos do PCP.
O Sr. Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP): — Ligou a cassete!
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Por isso, não podemos, hoje, neste debate, compactuar com este exercício
de pura hipocrisia e de demagogia relativamente a estas matérias.
O que nos trazem hoje? Falam sempre num conjunto de medidas e de ideias. E lá vem o trabalho a tempo
parcial, mas esquecem-se de referir que o salário é também a tempo parcial. E quais são as famílias que podem
optar por este tipo de solução? Falam da rigidez dos horários de trabalho, quando foram responsáveis pela sua
desregulamentação, obrigando as crianças a passar horas e horas e horas a fio em creches, porque os seus
pais não têm outra oportunidade nem têm condições para poderem acompanhar o seu desenvolvimento.
Ensaiam aqui uma perspetiva profundamente retrógrada sobre o papel da mulher no mundo do trabalho, na
sociedade, e também quanto à função social da maternidade. Falam em benefícios, para que as empresas
cumpram aquilo que está, hoje, na lei.
É brilhante, de facto, o conjunto de medidas e de soluções que trazem a este debate no que diz respeito à
natalidade,…
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Exatamente!