I SÉRIE — NÚMERO 103
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Hospitalar Tondela-Viseu, de Santarém, do IPO de Coimbra que lhe dizem, Sr. Ministro, que assim não dá,
porque os serviços estão a piorar.
Portanto, não venha dizer-nos que é uma questão de sazonalidade e do verão, porque não é verdade. É a
transição para o horário das 35 horas semanais que o senhor não acautelou e, apesar de já o termos feito ontem,
deixe-me, mais uma vez, clarificar que nada temos contra a transição para as 35 horas, estamos, si, contra a
forma impreparada como ela está a ser feita prejudicando doentes e profissionais.
Protestos do PS.
Queremos aqui perguntar-lhe porque é que o senhor prometeu mais contratações e não as fez e porque é
que, face a mais de 6000 profissionais necessários, o senhor só concretizou, até agora, um terço dessas
contrações.
Sr. Ministro, não sei se se recorda mas há três anos perguntámos-lhe quanto iria custar a implementação
das 35 horas semanais — quanto iria custar para o Estado, quanto iria custar para os doentes, quanto iria custar
para os profissionais.
A pergunta impõe-se, Sr. Ministro: com os resultados que estão à vista, os maus resultados, como é que o
Sr. Ministro quer que os portugueses continuem a confiar nas suas promessas e na governação socialista?
Como é que pretende que os socialistas e não só, todos os portugueses, continuem a confiar em partidos que
hoje vêm aqui pedir-lhe responsabilidades e apontar-lhe culpas, mas depois, a seguir, vão negociar consigo,
viabilizar e apoiar os vossos Orçamentos? Como quer que confiemos neste Governo?
A realidade, os factos, desmentem-no, Sr. Ministro. Não diga aos portugueses que têm de se habituar a este
estado de coisas e voltamos a pedir-lhe que assuma as suas responsabilidades governativas, que, finalmente,
seja Ministro, porque mais vale tarde do que nunca.
Vou concluir, lembrando que ontem, na Comissão, o Sr. Ministro, em completa dissonância com a realidade,
fez um autoelogio, exaltou os seus feitos como «Ministro estrela», «Ministro da Saúde estrela dos últimos 30
anos» — uma lista extensa que o senhor elencou —, um bocadinho quase ao estilo «espelho meu, espelho
meu, haverá algum ministro melhor do que eu?». Nós assistimos a isso!
Também vimos — e, Sr. Ministro, nem eu nem o CDS somos ingratos — que o senhor dedicou uma atenção
especial ao CDS não respondendo às nossas perguntas e já hoje frisou aqui que nunca recebeu uma prenda
da Presidente do nosso partido e nós até sentimos que foi com alguma tristeza, quase, quiçá, inveja do Sr.
Primeiro-Ministro, que já recebeu várias.
Pois bem, Sr. Ministro, não lhe trago nenhum paninho, um paninho eu não trago, mas trago uma ligação à
realidade, digamos assim: um Óscar! Este é um Óscar para o Sr. Ministro.
Neste momento, a oradora exibiu uma estatueta de Óscar.
Não é um Óscar para um Ministro cumpridor, não é um Óscar para o melhor Ministro do Governo. Com
salutar respeito democrático, acredite — sabe que sim —, quero dizer-lhe que este é um Óscar para o Ministro
que já prometeu quatro vezes que ia desbloquear verbas para a ala da oncologia pediátrica do Hospital S. João,
e nunca cumpriu nem nunca avançou com as obras; é um Óscar pelos contratos que o senhor diz que vai assinar
e não assina e os quais veta nos conselhos de administração;…
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Tem de terminar, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª IsabelGalriçaNeto (CDS-PP): — … é, se quiser, um Óscar para a ficção científica a que o senhor
está a votar o Serviço Nacional de Saúde, que não está entre Vénus e Marte, está aqui, na Terra.
Os portugueses agradecem que, com ou sem Óscar, seja Ministro!
Aplausos do CDS-PP.
Neste momento, a oradora fez chegar ao Ministro da Saúde a estatueta de Óscar.