I SÉRIE — NÚMERO 22
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Entretanto assumiu a presidência o Vice-Presidente José Manuel Pureza.
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, agradeço que retomem os seus lugares para recomeçarmos os
nossos trabalhos, aplicando-se o mesmo pedido aos Srs. Membros do Governo, para, logo que seja possível,
podermos trabalhar.
Pausa.
Srs. Deputados, vamos retomar o debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2019, começando
pelo artigo 137.º — Apoio às empresas afetadas pelos incêndios, que tem agregadas as propostas 227-C,
apresentada pelo PCP, e 618-C, apresentada pelo PAN.
Está inscrito o Sr. Deputado João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, a quem dou a palavra, voltando a
solicitar aos Srs. Deputados que criem condições para podermos ouvir a intervenção do Sr. Deputado.
Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. João Vasconcelos (BE): — Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as e Srs. Deputados: Em
agosto passado ocorreu um violento incêndio na serra e concelho de Monchique, que alastrou aos concelhos
vizinhos de Silves, Portimão e Odemira.
Ardeu uma extensa área, houve dezenas de feridos, mais de 50 habitações foram total ou parcialmente
destruídas, foram afetadas atividades económicas e arderam pomares, oliveiras e outras árvores.
São assim muito elevados os prejuízos que afetaram pessoas e empresas e o sofrimento é ainda maior
quando, por um lado, parte da população atingida dispõe de fracos recursos — são pessoas idosas, reformadas
e com pensões baixas — e, por outro lado, a burocracia e as dificuldades têm sido muitas no acesso aos apoios
e aos subsídios.
O Bloco de Esquerda apresenta duas propostas: por um lado, deve ser reconhecida a excecionalidade dos
incêndios de Monchique, estabelecendo critérios idênticos aos dos incêndios que tiveram lugar em junho e em
outubro de 2017, e, por outro lado, as vítimas devem ficar isentas de tributação no que se refere aos apoios que
receberam.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Não havendo mais inscrições, passamos ao debate do artigo
138.º — Execução de fundos na área da floresta, ao qual estão agregadas as propostas 367-C, apresentada
pelo PCP, 378-C, apresentada pelo BE, 420-C, apresentada pelo BE, 504-C, apresentada pelo BE e 581-C,
apresentada pelo CDS-PP.
Tem a palavra o Sr. Deputado João Dias.
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente e Srs. Deputados: Para assegurar o duplo objetivo de contribuir
para a soberania alimentar e defender o mundo rural são necessárias respostas estruturais de defesa da
agricultura familiar.
Nesse sentido, o PCP, conhecedor das dificuldades por que passam os pequenos e médios agricultores
portugueses, vem, no âmbito do Orçamento do Estado, apresentar um conjunto de propostas que respondem
às suas necessidades.
Assim, o PCP propôs para este Orçamento do Estado um programa de valorização da agricultura familiar e
do mundo rural, a majoração dos subsídios relativos à utilização do gasóleo colorido e marcado de 0,06 €/l até
aos 2000 l e o apoio aos custos com a eletricidade.
É que o estatuto sem a respetiva componente financeira não passa de boas palavras.
Propusemos, ainda, o reforço do programa integrado da defesa da floresta contra incêndios e promoção do
desenvolvimento regional; um manual de procedimentos para situações de pós-incêndios; a implementação da
rede nacional de monitorização de pragas na floresta portuguesa; apoios às vítimas da tempestade Leslie de 13
de outubro; a capacitação técnica das associações e confederações agrícolas; a isenção do IMI para os baldios;