I SÉRIE — NÚMERO 64
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Em segundo lugar, se considera que esse protocolo se insere no conceito de gestão corrente que cabe ao
Conselho de Administração.
Em terceiro lugar, esclarecer em que termos é que a Federação Portuguesa de Futebol passa a utilizar
instalações do Centro de Produção do Norte que estão afetas exclusivamente ao serviço público.
Em quarto lugar, saber como é que a RTP se propõe ceder trabalhadores seus do Centro de Produção do
Norte à Federação Portuguesa de Futebol.
Em quinto lugar — uma questão absolutamente essencial —, saber como é que se explica que a RTP
participe numa iniciativa que é concorrencial da sua atividade e também concorrencial relativamente a outros
canais de televisão em relação aos quais a RTP tem especiais responsabilidades de manter uma concorrência
leal e não afetar a sua atividade.
Foram estas cinco questões fundamentais que solicitámos ao Conselho de Administração da RTP pronto
esclarecimento, pelo que, penso, é necessário aguardar, avaliar e decidir em função da resposta que tivermos.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Continua no uso da palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, ainda bem que o Governo pediu
esclarecimentos, pois julgamos que o Conselho de Administração da RTP está claramente a agir muito à
margem do que é o contrato de serviço público da RTP.
Sr. Primeiro-Ministro, muito brevemente, porque disponho de pouco tempo, faço-lhe, de forma diferente, duas
perguntas relacionadas com o sistema financeiro.
A Comissão Europeia veio dizer num relatório o que o Bloco de Esquerda diz há muito tempo, ou seja, que
o offshore da Madeira não cria emprego. Isto quer dizer que, quando Portugal mantém um offshore na Madeira,
está a ser parte daquilo que é um esquema internacional de crime fiscal e financeiro contra os povos e não tem
nenhum sentido que assim seja.
O Bloco de Esquerda apresentou um projeto em 2016 no sentido de que só fosse possível existir benefício
fiscal na Madeira para quem criasse postos de emprego, postos de trabalho e, na altura, o Partido Socialista
votou contra, pelo que queria saber se já mudou de ideias.
Em segundo lugar, sobre o Novo Banco, já tivemos uma discussão aqui há 15 dias e não vou repeti-la; há,
em todo o caso, uma novidade, um dado novo, que tem a ver com aquilo que veio dizer o Presidente da
Comissão de Acompanhamento do Novo Banco à Comissão de Orçamento e Finanças.
Do nosso ponto de vista, disse duas coisas que são graves: a primeira é que, antes da venda, foram
escondidas perdas para ocultar o custo real para o erário público que iríamos ter após a venda do Novo Banco
ao Lone Star.
O Sr. Presidente: — Peço-lhe para concluir, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Concluo já, Sr. Presidente.
Ou seja, foram postos debaixo do tapete perdas que já se sabia que iam existir.
A segunda, diz que, de facto, não sabe o que se passa e não consegue acompanhar nada.
Portanto, não sabemos como é que o Lone Star está a gerir as imparidades…
O Sr. Presidente: — Obrigado, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Termino, Sr. Presidente.
Como dizia, não sabemos como é que o Lone Star está a gerir as imparidades e se está ou não a imputar ao
Fundo de Resolução — e, por isso, aos contribuintes — mais perdas.
A minha pergunta é a seguinte: face ao que veio dizer o Presidente da Comissão de Acompanhamento do
Novo Banco, o que é que vai fazer o Governo?
Aplausos do BE.