20 DE MARÇO DE 2019
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O Sr. Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr. Presidente, Sr.ª Deputada Catarina Martins, como sabe, o Governo já
ordenou uma auditoria relativamente ao período de atividade em que o Governo pode ordenar a auditoria. Esse
mecanismo de acompanhamento existe para verificar se a alienação de ativos é feita de um modo adequado ou
se é feita ao desbarato, de forma a penalizar as necessidades de capital do Banco e a maximizar as
oportunidades de financiamento pelo mecanismo contingente. É para isso que existe essa Comissão de
Acompanhamento.
Sobre situações de imparidades que não tinham sido evidenciadas antes da alienação, sim, havia enormes
incertezas. Seguramente por isso é que houve tão poucos interessados na compra e o único interessado final
na compra exigiu um mecanismo contingente, porque tinha dúvidas de que todas as imparidades estivessem
devidamente evidenciadas.
Ora, a informação disponibilizada então pelo Banco de Portugal e as dúvidas suscitadas pelo comprador não
permitiam concluir de forma categórica que a situação do Banco não fosse diferente daquela que as contas
podiam evidenciar. Foi por isso mesmo que existiu este mecanismo contingente.
Sobre o esconder ou não esconder do Estado, nós precavemo-nos fazendo o seguinte: independentemente
do que se venha a descobrir, ficou fixado o teto máximo de capital contingente, quer o montante global, quer o
montante anual, precisamente para assegurarmos que, caso as imparidades fossem superiores àquilo que as
contas evidenciavam, não seríamos chamados mais do que aquilo que era necessário a emprestar dinheiro aos
bancos para que estes financiem o Fundo de Resolução e podermos recuperar esse capital. Foi essa garantia
que assegurámos e é a garantia que, felizmente, temos para nós, esperando que, obviamente, esse cenário não
corresponda à realidade, mas, se corresponder à realidade, ainda bem que nos precavemos quanto aos limites
desse risco.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — É a vez do Grupo Parlamentar do CDS-PP.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Assunção Cristas para formular perguntas.
A Sr.ª Assunção Cristas (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, deixe-me começar com um
pedido perante a tragédia que, neste momento, se vive em Moçambique, instando o Governo português para
que, junto da União Europeia, junto da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), bilateralmente,
junto das Nações Unidas, possa empenhar-se solidariamente perante esta tragédia humana de grandes
dimensões que nos mostra o impacto no clima e que a mim, talvez, me diga um bocadinho mais porque o meu
pai nasceu na Beira.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!
A Sr.ª Assunção Cristas (CDS-PP): — Sr. Primeiro-Ministro, falemos agora de um assunto que nos tem
ocupado e que continua a ter grande relevância — para o CDS incontornável —, que é o da saúde.
Na semana passada, o Sr. Primeiro-Ministro fez uma volta por instituições da saúde, eu fiz mais uma das
muitas voltas que fiz nestes três anos e as minhas conclusões voltaram a ser diferentes das do Governo: falta
de profissionais na saúde; falta de investimento — em alguns casos, foi-me dito que o ano passado foi o pior
ano de sempre; tempos de espera demasiado longos; dívidas a aumentar… Sr. Primeiro-Ministro, ouvi esta
expressão «O SNS está a morrer». Ora, se está a morrer, tem um responsável: este Governo e quem o apoia.
Mais: os hospitais que visitei pertenceram ao clube restrito dos 11 hospitais que, de acordo com o Orçamento
do Estado, vão ter autonomia este ano. Como sabe, o CDS apresentou um projeto, que baixou à especialidade,
que propõe a autonomia para todos os hospitais. Portanto, achamos bem que possam ter esta autonomia,
deveriam até ser mais.
Mas a minha perplexidade surgiu quando conclui que, em meados de março, ainda não havia autonomia
concretizada para estes hospitais porque ainda estavam em conversas com o Governo.