27 DE JUNHO DE 2019
9
Ficou também inscrito no Orçamento o compromisso de que, no primeiro semestre deste ano, o Governo
apresentaria os projetos legislativos — é assim que está no Orçamento — para concretizar o alargamento do
fim do fator de sustentabilidade à Caixa Geral de Aposentações e para compatibilizar esse novo regime que
acaba com o fator de sustentabilidade para esse grupo de trabalhadores com os regimes especiais. Esses são
os termos do compromisso.
Relembro precisamente as palavras do Sr. Deputado Tiago Barbosa Ribeiro quando aqui, no Parlamento,
discutimos, em fevereiro, uma petição apresentada pelos trabalhadores das pedreiras e em que celebrámos em
conjunto uma medida justa que acordámos no Orçamento, que foi reconhecer-lhes que a sua profissão era de
desgaste rápido. O que dissemos nesse momento foi que, para além de reconhecermos o desgaste rápido,
tínhamos de acabar com a penalização do fator de sustentabilidade, porque não faz sentido dizermos, ao mesmo
tempo, que aqueles trabalhadores podem reformar-se mais cedo do que a idade legal de reforma em função da
penosidade do seu trabalho e, depois, dizermos que, apesar de se poderem reformar mais cedo, vão ser
penalizados em 15%, como se estivessem a pedir uma reforma antecipada. É uma incoerência!
Perante a proposta do Bloco de Esquerda, o Partido Socialista, pela voz do Sr. Deputado Tiago Barbosa
Ribeiro, disse justamente o seguinte: «Devemos deixar por agora que o Governo cumpra o compromisso que
assumiu, salvaguardando os interesses destes trabalhadores…» — os trabalhadores das pedreiras que estavam
a assistir ao debate — «… e as suas legítimas preocupações, que partilhamos e às quais daremos, obviamente,
resposta.»
Portanto, estou de acordo com o diagnóstico que o Sr. Deputado fez sobre aquilo que nos diferencia do PSD
e do CDS e da lógica do corte, da privatização e da capitalização para os privados do sistema público de
segurança social; estou de acordo também que o que defende a segurança social é o emprego, o combate à
precariedade, o aumento dos salários, a garantia de contribuições robustas, um mercado de trabalho que
funcione e também, naturalmente, a diversificação das fontes, que também fomos fazendo nesta Legislatura,
mas é preciso traduzir isso na vida concreta das pessoas.
A pergunta que faço ao Governo e ao Sr. Deputado é a saber como vai ser concretizado este compromisso
que foi inscrito no Orçamento do Estado, se vai ser alargado, ou não — o prazo está a acabar, estamos por dias
—, e se vão ser incluídos esses trabalhadores que ficaram com essa expectativa justamente no debate que aqui
fizemos.
Essa é uma pergunta à qual não somos nós que temos de responder. Neste momento, quem tem de
responder é, precisamente, o Governo que está presente na Sala.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente: — Passamos aos pedidos de esclarecimento ao Sr. Ministro José António Vieira da Silva.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Isabel Pires, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.
A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Sr. Presidente, Sr. Ministro do Trabalho, Sr.ª Secretária de Estado, Srs.
Deputados, Sr.as Deputadas, já aqui o dissemos, o fim do fator de sustentabilidade para pensionistas que aos
60 anos de idade tenham pelo menos 40 anos de contribuições ficou claramente inscrito no Orçamento do
Estado para 2019, e ainda bem. Foi um passo muito importante para milhares de pessoas no nosso País, porque
ajuda a repor alguma justiça a quem trabalhou uma vida inteira, muitas vezes com demasiado esforço. Achamos,
pois, já aqui o dissemos, que foi um passo relevantíssimo para os pensionistas do nosso País.
Além disso, a compatibilização com os regimes especiais, como o da Caixa Geral de Aposentações ou o de
profissões de desgaste rápido ou outros, no que toca ao fim do fator de sustentabilidade ficou como compromisso
do Governo para concretização até final do primeiro semestre deste ano, ou seja, daqui a pouquíssimos dias.
Importa aqui sublinhar que também houve, durante esta Legislatura, o reconhecimento de algumas profissões
de desgaste rápido, reconhecimento que foi difícil e conseguido com muita luta por parte dos trabalhadores,
como seja o reconhecimento da profissão de desgaste rápido dos trabalhadores das lavarias, iguais aos do
fundo da mina, ou das pedreiras, que durante várias e várias décadas vinham pedindo exatamente este
reconhecimento, porque ele responde a problemas de saúde no trabalho, mas responde também por uma
questão de reforma e de justiça para quem trabalhou em situações tão penosas durante toda a vida.