12 DE DEZEMBRO DE 2020
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É curioso que o PSD apareceu nesta pandemia, há uns largos meses, a dizer que estaria sempre disponível
para apoiar o Governo, para apoiar as autoridades nacionais neste combate difícil em que todos devíamos estar
juntos. Mas rápido, muito rápido mesmo, abandonou esta tese e entrou na tese de que mais gosta, que é a do
«bota-abaixo», que é a tese do «velho do Restelo». Nós lamentamos isso e estou certo de que os portugueses
também lamentam.
Mas não é só isto, Sr. Ministro. O PSD, numa anterior crise e durante quase toda a Legislatura anterior,
andou numa espécie de «ai, ai, ai, que estes senhores estão a gastar muito; ai, ai, ai, que se está a gastar
muito». Aliás, essa tese estendeu-se até ao início da discussão do Orçamento, quando o atual presidente do
PSD disse: «Isto é para dar tudo a todos». É a mesma tese! E, supostamente, viria um Diabo e, supostamente,
tudo isto seria uma catástrofe. Essa era a tese do PSD.
Porém, é curioso que nunca mais tenhamos ouvido falar da ideia, que presidia anteriormente, que nós
gastávamos muito, que o défice ia ser um drama e que a dívida ia ser um drama. E isto é porque as coisas
estão, obviamente, bem geridas e hoje, quando se olha para as contas públicas — e vale a pena falar disso —,
verificamos que o défice português, em comparação com o défice europeu, está abaixo.
Protestos da Deputada do PSD Filipa Roseta.
Depois desta pandemia, está abaixo, Sr.ª Deputada! A Sr.ª Deputada devia saber, devia ler os números —
está abaixo! Até lhe posso dizer que o défice português é de 9,2% do PIB, o défice da União Europeia tem uma
média de 11,4% do PIB; a dívida portuguesa subiu 6 pontos percentuais, a dívida da União Europeia subiu cerca
de 8 ou 9 pontos percentuais.
Aplausos do PS.
Protestos do Deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira.
E, portanto, este é o trabalho que este Governo tem feito, de combater a crise com rigor, conforme deve ser.
Mas este rigor não é apenas proclamatório, não é apenas porque nos apetece, é porque tem consequências,
por exemplo, no financiamento da economia, que permite a Portugal ganhar milhões e milhões de euros, e, por
isso, também, ter margem de manobra para combater também esta crise, perante as dificuldades financeiras
que o País tem.
Portanto, vale a pena dizer que, neste debate, há duas coisas a que é preciso responder e eu tentarei fazer
isso. A primeira é se houve ou não houve uma resposta à crise e como é que ela ocorreu. Não tenho tempo para
explicar o conjunto significativo de medidas que o Governo foi fazendo ao longo destes últimos meses, mas
basta dizer que foram 22 mil milhões de euros de apoios, foram 2,5 milhões de portugueses que foram apoiados,
foram 160 000 empresas que foram apoiadas, foram 2000 milhões de euros de pagamentos já feitos e 2,7 mil
milhões de euros a fundo perdido. Isto é factual, isto não é ficcional nem proclamatório.
Mas ouvi aqui falar muito sobre projeções de entidades internacionais e vale a pena também focar esta
matéria. Vale a pena referir esta matéria para, de alguma forma, também responder como é que estas medidas
contribuíram para o estado do País, seja do ponto de vista macro, seja do ponto de vista micro, isto é, seja do
ponto de vista do País em geral, seja das empresas. E o Sr. Ministro já respondeu: a economia portuguesa
cresceu mais do que a média europeia, apesar de tudo.
O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — É falso!! É falso!!
O Sr. Carlos Pereira (PS): — E o desemprego está abaixo da média europeia, apesar de tudo, ou em linha com a média europeia. E isto é um facto, não vale a pena ocultar.
O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — Não, não! Isso é falso! É falso!
O Sr. Carlos Pereira (PS): — Mas mais importante do que isso são as empresas, Sr. Ministro. Vale a pena falar das empresas e temos de falar das empresas.