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I SÉRIE — NÚMERO 16

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O Sr. Presidente: — Muito bom dia, Sr.as e Srs. Deputados.

Estamos em condições de iniciar os nossos trabalhos.

Eram 10 horas e 4 minutos.

Solicito aos Srs. Agentes da autoridade o favor de abrirem as galerias ao público. Muito obrigado.

Para a leitura do expediente, passo a palavra à Sr.ª Secretária Palmira Maciel.

A Sr.ª Secretária (Palmira Maciel): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, anuncio que deram entrada na

Mesa, e foram admitidos, os Projetos de Lei n.os 955/XV/2.ª (PCP), que baixa à 10.ª Comissão, em conexão com

a 1.ª Comissão, e 957 e 958/XV/2.ª (PAN), que baixam à 5.ª Comissão, em conexão com a 6.ª Comissão.

O Sr. Presidente: — Vamos iniciar a ordem do dia.

O primeiro ponto é o da apreciação do relatório anual de atividades da Sr.ª Provedora de Justiça relativo a

2022, ao abrigo do artigo 239.º do Regimento.

Para intervir, tem a palavra, em nome da Iniciativa Liberal, a Sr.ª Deputada Patrícia Gilvaz.

A Sr.ª Patrícia Gilvaz (IL): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Num Estado de direito democrático, o

Provedor de Justiça é um órgão fundamental na defesa e promoção dos direitos, liberdades e garantias de todos

os cidadãos, assegurando a justiça e a legalidade do exercício de poderes públicos.

Assim, os relatórios da Provedoria de Justiça, anualmente apresentados e discutidos na Assembleia da

República, são um importante instrumento para o controlo e fiscalização da atividade do Executivo e servem

como reflexo da realidade que este Governo socialista tanto se esforça por mascarar.

Analisado o relatório da Provedoria de Justiça relativo a 2022, existe uma área que assume particular

preocupação para a Iniciativa Liberal: a relação entre a Administração Pública e os cidadãos. Temos uma

Administração Pública opaca, inacessível e que não responde de forma ágil e atempada às necessidades das

pessoas. Hoje, quando falamos de Administração Pública, não podemos falar de eficácia ou de celeridade,

porque não existe qualquer capacidade de os vários serviços públicos agirem concertadamente.

Na audição da Sr.ª Provedora de Justiça ficou evidente quão dramática é a situação. O mau funcionamento

da Administração Pública é geral e transversal a todas as áreas de atuação, fruto da excessiva burocracia neste

setor. E o panorama é tão deprimente, que a própria Provedoria de Justiça já nem tem capacidade para

processar atempadamente as várias queixas individuais que são apresentadas.

Não deveria ser assim. Não podemos normalizar nem ignorar que o número de queixas que amplamente

denunciam a atuação da Administração Pública aumenta de ano para ano, o que é revelador do estado a que

chegámos. A Iniciativa Liberal defende que é o Estado que deve estar ao serviço das pessoas, não as pessoas

ao serviço do Estado, e por isso é urgente que este Parlamento debata a inevitável reforma de que a

Administração Pública necessita.

Sr.as e Srs. Deputados, gostaria imenso de dizer que este é o único problema que podemos apontar; mas

não é: 31 % — 31 % — é o valor das queixas apresentadas relativamente à atuação da Segurança Social. E

podemos ficar surpreendidos? Todos nós já tivemos de recorrer à Segurança Social ou conhecemos alguém

que precisou. «Morosidade» e «problemas de acesso», são estas as expressões que caracterizam o nosso

sistema de segurança social, e não é a Iniciativa Liberal que o diz, é o que está escrito no relatório que

discutimos.

Quanto ao acesso à justiça, já todos, à exceção do PS, sabem qual é a realidade que se vive nos nossos

tribunais. Desde o atraso nos pedidos formulados para apoio judiciário a uma justiça lenta e cara, os problemas

são evidentes e contribuem para que a balança que mede os valores da justiça esteja desequilibrada.

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, o modelo de justiça do Partido Socialista falhou, e hoje o que temos

é um País sem justiça. «Habituem-se!», é o que ouvimos do nosso Primeiro-Ministro. É o que temos, mas não

é o que queremos.

Aplausos da IL.