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12 DE JUNHO DE 2019

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e trocas de conhecimentos e compromissos entre atores com diferentes competências. Isto impõe envolver

diferentes entidades e cidadãos, e desenvolver colaborações e cocriações multissetoriais e multidisciplinares

(de quíntupla hélice) tendo em vista a criação de soluções inovadoras e criativas e a concretização de objetivos

que as cidades se auto propõem.

Em Portugal, nas últimas décadas a dinâmica populacional privilegiou sobretudo as duas grandes

metrópoles e algumas cidades médias. Houve uma rápida expansão urbana, sustentada muitas vezes em

espaços urbanos de fraca qualidade arquitetónica, urbanística e ambiental. As políticas públicas de OT não

responderam aos desafios de sustentabilidade que se foram constituindo. O diagnóstico atual sobressai a

necessidade de uma política concertada em termos de atuação intraurbana tendo em vista a resolução de

carências persistentes, nomeadamente, a dificuldade de acesso e a fraca qualidade habitacional, os elevados

níveis de degradação do edificado e de consumos energéticos, a necessidade de revitalizar o comércio e

estimular novas indústrias e serviços, e simultaneamente contrariar níveis de ruído e de poluição e outros

perigos para a saúde da população, contrariando o uso intenso de transportes individuais, e problemas de

sustentabilidade e eficiência na gestão urbanística e na gestão dos recursos naturais.

DESCRIÇÃO SUMÁRIA

A política urbana deverá privilegiar ações de governança de base comunitária e processos colaborativos e

cocriativos, incentivando a participação das instituições e dos cidadãos nos procedimentos de criação e

decisão, propiciando um maior sentimento de pertença e de identidade por parte de todos, e potenciando o

desenvolvimento socioeconómico e ambiental e a sustentabilidade urbana. As intervenções em matéria de

valorização dos espaços urbanos devem ter em vista a resolução das deficiências estruturais dos territórios

urbanos descontínuos, fragmentados e dispersos; a estruturação e o reforço da conetividade dos tecidos

urbanos; a afirmação de centralidades intraurbanas; e a integração funcional e ambientalmente os tecidos

urbanos. Trata-se de apostar na cooperação, negociação e articulação de interesses para encontrar soluções

conjuntas que integrem aspetos sociais, económicos e ambientais.

Esta medida de política vem reforçar a importância dos espaços urbanos, nas suas capacidades de se

adaptarem e responderem aos desafios futuros:

– na inclusão social, em torno de uma cidade mais justa e equitativa para os cidadãos, que inclui processos

de planeamento mais inclusivos e dirigidos ao bem-estar social, garantindo a acessibilidade aos equipamentos

e aos espaços públicos a todos;

– na habitação, no qual o direito a um alojamento é uma prioridade, contrariando a segregação social,

dinamizando a reabilitação do edificado, resolvendo as carências no interior da habitação e melhorando a

eficiência energética;

– na saúde, privilegiando a paisagem natural, as cidades mais limpas, com qualidade do ar e da água, que

influenciem positivamente a saúde humana;

– nas infraestruturas verdes, preservando-as e permitindo um maior contacto com a natureza e a

biodiversidade, contribuindo para um bem-estar mais saudável;

– na mobilidade, privilegiando alternativas de transporte mais suaves, seguras e limpas, com mais

transporte público e soluções multimodais de baixo carbono e acedendo a um fornecimento de energias

renováveis e inteligentes com baixo teor de carbono;

– na economia, que promove a circularidade na produção e consumo, dinamizando a reutilização e a

reciclagem, minimizando os desperdícios e a própria utilização dos recursos, com menores perdas ambientais

e financeiras;

– na resiliência, pela maior capacidade de adaptação e mitigação às alterações climáticas, que lida com

chuvas torrenciais mais intensas, promove serviços ecossistémicos e políticas energéticas que reduzem as

emissões de gases com efeito de estufa;

– na inteligência, tecnológica e digital, possibilitando o desenvolvimento de soluções mais inovadoras, a

digitalização dos serviços e o reforço das competências e da transparência das instituições. Isto significa a

alocação de recursos para áreas ou matérias específicas em função das comunidades urbanas. O governo,

os atores públicos e privados, a sociedade civil e as empresas criam redes inovadoras para encontrarem