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II SÉRIE-A — NÚMERO 141

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2030 e 2040, respetivamente, redução que se considera significativa e realista atendendo ao ponto de situação

atual. Neste cenário o setor dos transportes e mobilidade pressupõe uma alteração mais significativa dos

padrões de mobilidade de passageiros e mercadorias, nomeadamente por uma redução das necessidades de

deslocação em veículos privados (devido a incremento de condições de suporte, ex. teletrabalho), e maior

transferência/utilização de transportes coletivos e mobilidade suave. Também é considerada uma introdução

mais otimista de veículos elétricos tanto de passageiros como mercadorias. No caso da navegação e aviação

prevê-se a introdução significativa de formas de energia de baixo carbono em linha com o cumprimento da

legislação europeia, como é o caso, por exemplo, do ReFuelEU Aviation eReFuelEU Maritime. Neste cenário,

verifica-se que o setor acelera rumo à descarbonização na década 2030-2040. A essência da redução de

consumos energéticos, da eletrificação e da adoção mais generalizada de tecnologias como o hidrogénio nas

mercadorias aparece de 2035 em diante, refletindo uma descarbonização muito rápida e mais disruptiva no

longo prazo. De referir ainda que a componente da ferrovia se demonstra essencial na otimização da

descarbonização no cenário WAM.

Relativamente ao setor dos serviços, verifica-se neste cenário uma eletrificação quase total dos consumos

de energia, suportados ainda em grandes ganhos de eficiência energética por via do reforço do isolamento dos

edifícios, do recurso a solar térmico (maioritariamente para aquecimento de águas) e de bombas de calor para

climatização de espaços. O consumo de GPL e outros produtos petrolíferos reduzem a sua contribuição no

consumo deste setor logo em 2030, mantendo-se apenas a contribuição de consumo de gás natural na forma

combinada com gases renováveis. No entanto, face à necessidade de descarbonização do setor como contributo

para os objetivos de neutralidade climática em 2045, o consumo das misturas de gás natural com gases

renováveis não se configura como solução custo-eficaz em 2040.

No caso do setor residencial, a redução de consumo de gás natural e outros produtos petrolíferos é mais

acentuada logo em 2030 face ao cenário WEM, contrastando com uma introdução mais significativa de bombas

de calor, diferença que se atenua em 2040 por maior exigência de eletricidade em outros setores.

No que se refere ao setor dos processos industriais e uso de produtos (IPPU), verifica-se em ambos os

cenários uma redução significativa nas emissões de processos, nomeadamente na indústria cimenteira e do

setor da pasta de papel, onde já existem pilotos industriais em funcionamento, no entanto, perspetiva-se que

esta redução seja mais significativa entre 2030 e 2040 no cenário WAM devido à perspetiva de incorporação de

combustíveis alternativos nos processos de produção de cimento.

Seguindo também os desenvolvimentos recentes a nível europeu e o contributo que as tecnologias de

sequestro tecnológico poderão ter num contexto de neutralidade climática, com especial enfâse nos «hard-to-

abate sectors» e tendo também em conta a procura de CO2 para produção de combustíveis renováveis de

origem não biológica (RFNBO, que incluem os combustíveis sintéticos – efuels e o hidrogénio), prevê-se que as

tecnologias de captura de carbono e utilização (CCU) sejam custo-eficazes a partir de 2030, crescendo

significativamente até 2040. Contrariamente ao cenário WEM, este contributo perspetiva-se no cenário WAM já

significativo em 2035, com impacto nas emissões do subsetor da Indústrias da manufatura e construção (1A2)

e Processos Industriais e usos de produtos (2), relativos a emissões de combustão e de processo da indústria,

respetivamente. A captura de carbono perspetiva-se com maior representatividade na indústria cimenteira no

curto prazo, abrangendo progressivamente também setores da indústria do vidro, química e pasta e papel (ex.

bioenergia com captura e armazenamento de carbono – BECC). O CO2 capturado é transportado por pipeline e

tem como destino custo-eficaz a utilização como matéria-prima na produção de combustíveis sintéticos,

nomeadamente jet fuels. É importante referir que o modelo utilizado não possui detalhe espacial que permita

aferir locais de captura e sequestro e/ou detalhar competitividade entre formas de transporte de CO2.

Assim e para uma leitura global da evolução destes dois setores deve ter-se em conta o valor de captura

previsto para cada ano, obtendo-se assim as emissões líquidas. Em termos de F-gases, este cenário projeta o

impacto do novo regulamento de gases fluorados, o Regulamento (UE) 2024/573, prevendo-se, por exemplo,

em 2030, uma redução nas emissões da refrigeração comercial e industrial mais significativa. Em termos globais,

e atenta a grande redução perspetivada para 2030 de cerca de -89 %, prevê-se apenas um ligeiro

desenvolvimento na década seguinte, atingindo -92 % em 2040. No que se refere ao setor resíduos, a

consideração de medidas adicionais em relação ao cenário de medidas existentes não se concretiza numa

redução de emissões particularmente relevante. As caraterísticas próprias do setor e as circunstâncias de

fronteira da situação em Portugal não permitem a consideração de um elevado potencial de redução, ficando-