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II SÉRIE-A — NÚMERO 141

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importante e economicamente vantajoso que seja dirigido para biocombustíveis avançados.

Existem atualmente sistemas de pequena dimensão de cogeração que podem ser utilizados

a nível dos serviços e industrial, otimizando a utilização deste recurso.

Assim, no conjunto, a contribuição adicional da biomassa para as metas de aquecimento

renovável deverá ser nula ou quando muito ligeiramente positiva.

Cogeração de alta

eficiência

A cogeração de alta eficiência com recurso a fontes renováveis de energia, em particular

resíduos e sobrantes de biomassa florestal, existe em alguns edifícios de serviços, no

entanto é na indústria que a sua utilização tem sido mais significativa. O subsetor da pasta

e papel destaca-se de longe, com o aproveitamento de licores sulfíticos em processos

integrados de produção. No entanto a evolução da cogeração a biomassa é limitada pela

redução prevista na disponibilidade de resíduos de biomassa sustentável, dadas as

restantes prioridades de utilização.

Gases renováveis

A utilização de gases renováveis é a principal ferramenta para aumentar a fração de

renováveis no aquecimento.

Há duas vertentes a considerar: na primeira, a introdução de gases renováveis

(hidrogénio e biometano) no sistema nacional de gás, em mistura com o gás natural. Isto é

facilitado pela circunstância de que a rede nacional de gás é relativamente recente,

obrigando ainda assim a certas adaptações. Numa segunda vertente, quer-se promover a

substituição do consumo de gás natural por hidrogénio renovável, essencialmente na

indústria. Isto deverá ser possível através de hidrogénio transportado para o local, através

de redes locais de hidrogénio ou, de preferência, através de soluções de produção local do

hidrogénio perto do seu local de consumo, via eletrólise, alimentada por capacidade FER

local (em particular, solar fotovoltaico) ou obtida da rede elétrica em regime de PPA25 com

garantias de origem.

Geotermia

Em 2021 foi efetuada a avaliação do potencial geotérmico das águas minerais naturais

(AMN) com temperatura superior a 25 ºC, em Portugal continental. Dessa avaliação verifica-

se que a maioria das concessões estudadas apresentam potencial para o aproveitamento

geotérmico das AMN, diretamente ou através de um sistema de apoio, nomeadamente

através de bombas de calor geotérmicas, podendo nos próximos anos haver um maior

aproveitamento dos recursos geotérmicos, cujo potencial se encontra subaproveitado.

Por outro lado, os concessionários das Caldas de Chaves e das Termas de S. Pedro do

Sul (CM Chaves e CM S. Pedro do Sul) desenvolveram redes urbanas de calor geotérmico

que irão satisfazer grande parte das necessidades térmicas de várias unidades hoteleiras,

bem como de edifícios de serviços. Prevê-se que estas redes entrem em funcionamento

ainda em 2024, sendo que ainda apresentam potencial de expansão face ao recurso

disponível.

Bombas de calor

A segunda maior contribuição para o aumento da fração de renováveis no aquecimento

e arrefecimento deverá provir das bombas de calor. Tem-se verificado, por exemplo, uma

crescente procura de sistemas geotérmicos superficiais (bomba de calor geotérmica), cuja

fiabilidade e disponibilidade permite dar resposta às necessidades de edifícios habitacionais

e de serviços, e eventualmente produzir frio e calor industrial.

A maior contribuição desta tecnologia deverá surgir do lado da climatização e produção

de águas quentes sanitárias (AQS) em edifícios. De forma geral, deverá haver uma melhoria

das eficácias médias do stock de equipamentos AVAC. Os fatores relevantes são: as

alterações climáticas, que pressionam no sentido de menos necessidades de aquecimento

e mais arrefecimento, a saturação do stock de equipamentos nos edifícios de serviços, o

crescimento rápido observado no stock em edifícios residenciais, que se estima continue até

2030, e as menores necessidades de climatização em edifícios novos e renovados (ao ponto

de poderem ser nulas).

Contudo, tendo em consideração que muitos destes equipamentos contêm gases

fluorados, deverá ser dada primazia aos equipamentos que contenham refrigerantes

naturais.

25 PPA – Power Purchase Agreement