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de 1980, esclarecimentos adicionais acerca da venda de armas ao Irão (operações que se

verificaram a 9 de Dezembro de 1980 e a 22 de Janeiro de 1981).

- Recomenda que seja efetuado um aprofundamento da investigação acerca das operações de

comércio de armamento que tivesse envolvido o Estado português ou empresas portuguesas.

- Colheu novos depoimentos que corroboram denúncias anteriores, relacionando o cidadão

Sinan Lee Rodrigues com a queda da aeronave em Camarate, pelo que recomenda o

apuramento das eventuais responsabilidades desta pessoa na queda do CESSNA.

- Considera imprescindível, para salvaguarda da dignidade do estado português, que os factos

relativos à queda do CESSNA em 4 de Dezembro de 1980 sejam apurados em julgamento que

aprecie a ação criminosa que se encontra indiciada.

Depoimento de José Cavalheiro e Henrique Botelho de Miranda

No dia 8 de abril de 2015 foram ouvidos Henrique Botelho de Miranda, professor e investigador na

área de minas envolvido nos trabalhos da VIII Comissão de Inquérito, designadamente na Comissão

Multidisciplinar de Peritos e José Cavalheiro, professor doutorado em engenharia metalúrgica.

Do depoimento aos dois professores ficou claro, uma vez mais, o caráter inequívoco da queda do

Cessna a 4 de dezembro – o avião caiu devido a um atentado. O reiterar destas conclusões ficou

latente nos depoimentos dos professores já mencionados.

De acordo com Henrique Botelho de Miranda tratou-se, de facto, de um atentado:

«Portanto, indo à pergunta do Sr. Deputado, querer inferir, do que se detetou em termos de

explosivos, e apenas disso, a existência inequívoca de uma carga, sobretudo com as

características x é impossível. Agora, agarrando nas peças todas do puzzle, então podemos

afirmar que houve aqui uma carga explosiva, não muito grande, mas de grande intensidade

nos seus efeitos e que induziu o despenhamento da aeronave. E devo dizer que, em termos de

conceção, independentemente de juízos de valor ou éticos, isto foi feito com extrema

habilidade, foi feito por um profissional (…).

A minha convicção, Sr. Deputado, é a de que, efetivamente, isto foi um atentado e muito

ardilosamente implementado. Já agora, creio que não se perde nada em referir que quando

aderi a participar nos trabalhos da Comissão Multidisciplinar de Peritos, o fiz com uma

relutância muito grande1».

Sobre o mesmo tema, José Cavalheiro referiu ser indesmentível ter-se tratado de um atentado:

«Creio que o Sr. Deputado terá feito distribuir um relatório-síntese que eu produzi há uns anos,

porque, uma vez que, como o meu colega acaba de dizer, a Comissão teve de terminar os seus

trabalhos de forma muito acelerada, o relatório final foi feito sob uma enorme pressão, eu,

posteriormente, tive acesso à totalidade dos relatórios e fiz um relatório síntese, no qual me parece

perfeitamente indesmentível ter havido ali, de facto, uma situação de atentado (…).

11 Nota do relator: Henrique Botelho de Miranda estava convencido, no momento anterior ao início da sua colaboração na Comissão Multidisciplinar de Peritos, que Camarate se havia tratado de um acidente.

II SÉRIE-B — NÚMERO 56______________________________________________________________________________________________________________

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