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Diário da Câmara dos Deputados
Mas êsse facto deu-se em todos os países, porque emquanto durou a guerra os países beligerantes se prestavam mútuo auxílio, prestavam assistência financeira uns aos outros.
Os câmbios eram meramente, por assim dizer, a resultante duma combinação.
Vimos a situação de França durante a guerra, que se não parecia nada com o que é actualmente, e assim também de outros países.
Entre nós deu-se exactamente o mesmo que com os outros países beligerantes, e emquanto todos estavam preocupados com as dificuldades de transportes e outras dificuldades, para manter as relações comerciais e industriais, acabado o conflito acabou por assim dizer êsse acordo, que se não era expresso, era tácito; o acôrdo de se prestar auxílio e protecção uns aos outros.
Daí, do encarecimento da moeda, resultou imediatamente o encarecimento da vida.
Mas toda essa má situação não apareceu só entre nós, repito, mas em todos os países beligerantes apareceu também. Deu-se isso nos Estados Unidos e em Inglaterra.
Sabemos que esta passa ainda hoje por grandes dificuldades, exactamente pela desvalorização excessiva da moeda, e porque, durante a guerra tiveram grandes stocks de mercadorias, cuja existência tem sido má para êsse e outros países, que não os podem comprar pela mesma causa.
Claro está que as dificuldades que atravessamos temos de as encarar, e temos que ver que a vida económica duma Nação se não pode regular de forma diferente da vida económica particular, em que, para obter auxílio de estranhos, temos que dar provas de que possuímos qualidades de trabalho e riqueza para pagar êsses encargos.
Precisamos, duma maneira absoluta, de inspirar confiança, porque temos recursos para obter o auxílio de países estranhos.
O mal que estamos atravessando vem exactamente da falta de confiança.
Nos mercados externos não há confiança em que nós cumpramos os nossos compromissos.
E uma semelhante situação a que é devida?
É devida à instabilidade ministerial e às sucessivas perturbações sociais e políticas.
Da instabilidade ministerial nasce a circunstância, que é sempre receada lá fora de não ser provável que o Ministro que hoje trate de qualquer assunto seja o que amanhã possa continuar a sua obra; e, como em Portugal há o grande defeito de todos serem pessoas muito importantes e com ideas próprias a respeito dos diversos pontos da nossa administração, sucede geralmente que o homem que vem substituir o Ministro que sai põe de lado o que o seu antecessor já tenha feito, para depois executar um plano seu.
Temos assim constantes soluções de continuïdade, que bastante deploráveis têm sido para Portugal.
Por isso eu dizia, ao apresentar esta minha proposta, que um dos apelos que tinha a fazer ao Parlamento e aos partidos republicanos era que assentassem definitivamente na orientação a seguir quanto ao problema financeiro-económico.
É um campo onde todos cabem, sejam quais forem as divergências políticas que nos separem.
Assegurar-nos-íamos assim de uma acção seguida, e, uma vez isso conseguido, logo nos voltaria a confiança dos mercados externos.
Sr. Presidente: devo ainda chamar a atenção da Câmara para o facto que me levou à resolução de apresentar ao Parlamento a proposta de lei que hoje lhe trago.
Êsse facto é o que vou referir.
Tendo eu tido a honra de representar o País em duas conferências internacionais, de carácter financeiro económico, a de Bruxelas e a de Génova, foi-me dado verificar que ao ser versada a situação de Portugal, era o País acusado de não ter feito ainda o mais leve esfôrço para sair da situação que atravessava.
Protegiam-se efectivamente alguns países em situação financeira pior do que a de Portugal, porque êsses países já haviam dado provas de que pretendiam sanear a sua situação financeira.
Dizia-se que em Portugal não sucedia o mesmo.
Alegava-se que não se havia modificado o nosso sistema tributário, e que não fa-