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Sessão de 27 de Junho de 1924

tar à sciência aeronáutica^ grandes verdades.

Mas, Sr. Presidente, é no decorrer desta discussão que tenho visto, que me tenho convencido da razão do meu conceito.

i,j Então, o Sr. Júlio Ribeiro, que eu gosto tanto de ouvir, não me veio dizer que os aviadores em vez de praticarem um crime praticaram uma virtude?!

Então, em vez de perdão, dessem-lhes um louvor; desse-lhes a Grã-Cruz em vez do perdão.

O Sr. Júlio Ribeiro:—Mas explico o meu paradoxo.

O Orador:—Eu garanto a S. Ex.a, se fosse comigo, ficava mal com S. Ex.a para toda a vida.

Ora, Sr. Presidente, quando se dão factos tám graves, não se podem tapar com uma carta: é preciso pó los à luz bem clara, doa essa luz a quem doer.

O sol da história ilumina os grandes íeitos mas põe também a claro as máculas.

Quem não tem máculas não tem medo do sol.

Aqui está, portanto, Sr. Presidente, a razão por que eu venho dizer, como também o disse o meu colega e amigo Sr. Querubim Guimarães, que não dou o meu voto à proposta de lei da amnistia.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Joaquim Crisóstomo: — Sr. Presidente: o caso da aviação representa, nem mais nem menos, do que o reflexo do estado de revolta e intranquilidade do espírito português.

Quando subiu ao Poder o Sr. Álvaro de Castro eu tive a franqueza de lhe di-, zer que o julgava incompetente para assumir responsabilidades de tanta gravidade.

Não me enganei, pois os factos vieram confirmar as minhas previsões.

Se S. Ex.a possuísse qualidades necessárias indispensáveis a um estadista nunca tinha feito sentar na cadeira de Ministro da Guerra o Sr. Américo Olavo.

Vozes: — Não apoiado! Não apoiado!

a

O Orador:—Este momento grave que se atravessa provém de se ter sentado naquele lugar o Sr. Américo Olavo.

O Sr. Silva Barreto (interrompendo):— Que manteve a disciplina!

O Orador:—A proposta de amnistia não devia ser apresentada a favor dos aviadores, mas a favor do Governo da presidência do Sr. Álvaro de Castro!

O Sr. Aragão e Brito (interrompendo):— A proposta de amnistia devia antes ter sido apresentada a favor dos juizes do Tribunal de Defesa Social!

O Orador: — Se houvesse bom senso nunca o Sr. Álvaro de Castro teria constituído Ministério.

O Sr. Vicente Ramos:—V. Ex.a está atacando o Governo quando ele aqui não pode vir para lhe responder.

Isso não ó leal.

O Orador: — Já aqui disse o mesmo na presença do Governo.

O Sr. Procópio de Freitas: — O orador está ne seu pleno direito em dizer as suas opiniões.

O Orador: — O mal não vem de agora, vem do seu início.

É necessário ver as cousas e profundar as suas causas e as suas origens.

Pausa. ^

Mas, Sr. Presidente, posto de parte este pequeno incidente, devo dizer que voto a amnistia, porque nenhum dos oradores que me precederam, e que atacaram a proposta, em discussão, o fizeram com argumentos de aceitar.

Diz-s.e: é necessário fazer luz.