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Diário dai Seitõc* â& Senado

a mim dói-me a alma, revolta-se o es tirito perante estas facilidades de erradio por todo o mundo da nossa gente, com metade do país por povoar, e todo ele mal aproveitado em tantíssimas cousas que nos faltam.

Foi êsss o motivo por que vim fazer parte dum Governo, sem me importar saber qual era o seu feitio republicano, contanto que me deixasse trazer ao Paramento a proposta de lei da organização rural.

Não me importei trazê-la muito extensa de pormenores e burocràticemente me-todizada; importei-me sobretudo de agitar a opinião. E a prova de que não sou um político do caciquismo, mas simplesmente um português, está na minha proposta de lei.

Agora vou responder à pregunte que V. Ex.a ine fez.

A solução para a carestia da vidii é : trabalho e juízo.

.Mas esta solução depende de vários elementos: capital, coordenação de ideas e iniciativas, coordenação de espíritos.

O trabalho em Portugal, nos dois cap-pos fundamentais, que são os da egr-ícultora e da indústria, está hoje embaraçado por grandes defeitos morais, por uma má organização social, por uma, do há rrahuo tempo, má orientada administração.

Esperar £ solução dos problemas sem reunirmos e condicionarmos energias, é sonhar.

, Portugal tem sonhado até cgora. Depois dos fumos da índia, do ouro do Brasil, da venda dos bens nacionais, dos empréstimos estrangeiros, Portugal sonha, vagamente deseja, e confia da graça de Deus o que não produz.

No trabalho industria), por exemplo, está fora dos progressos do seu tempo, e eu cito um^ frase dum homem que creio que está aqui nesta sala, Herculano: a A Nação que não está ao par dos progretj-sos do seu tempo é uma Nação miserável», e Portugal não merece ser-uma Nação miserável.

Não me digam que eu sou uo derrotista, porque se não tivesse esperança no futuro não estava em Portugal.

Mas, como ia dizendo, no trabalho industrial não estamos ao par doutras nações.

Eu ainda ontem mandei pagar 290 con-

tos de energia hidro-eléctrica que se comprou, só para a Câmara Municipal do Porto, num mês, à Espanha, e em Portugal continua-se a importar carvão às 800:000 toneladas, como o ano passado, quando não se importa mais de l milhão, como aconteceu, em média, na década anterior a 1914.

A forca motriz é hoje um factor domi-.nante no programa industrial, e nós nem temos capital, nem iniciativa, nem saber e persistência para resolver o nosso abastecimento de força, dentro da política tradicional.

Uma central hidro eléctrica para o nordeste, em que a cidade do Porto é dominante, custa l milhão de libras; leva quatro anos a construir e demanda tam grande saber, tam forte iniciativa e perseverança, que só. inconscientes podem esperar tal realização na vida que trazemos. Ela exigiria cerca da décima parte de todo o capital bancário português, capital que se afoita a todos os jogos comerciais e financeiros, mas que é incapaz de se aventurar a uma empresa hidro-eléctrica daquele alcance, por mais prometedora que ela seja, porque é necessário passar quatro ou mais anos de juros intercalares. No que respeita a matérias primas, im-portamos quási todo o algodão, apesar do nosso vastíssimo território iutertropi-cal; importamos linho, que ainda no tempo do Marquês de Pombal constituiu uma valiosa manufactura; importamos todos os metais. E a lista do comércio e navegação no nosso déficit industrial é colossal.

A indústria que temos está, na quási totalidada, muito mal organizada na produção e falha dos aperfeiçoamentos mecânicos.

Se atendermos à agricultura, não colhemos melhores impressões.

Vejam-se as, nossas importações de tri go desde 1898 até ao ano passado. Sempre ria contingência de termos de importar trigo para quatro a sete meses no ano.

A situação actual é aflitiva.. Estamos com os preços mundiais do trigo os mais altos da no.ssa geração.