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Diário deu Sessões do Senado

diz hoje o que disse ontem e o que dirá sempre,.

Mas dá-se a circunstância que eu sou o relator desta proposta e a sensibilidade do Sr. Herculano Galhardo vibrou justamente, porque não se devem trazer para a discussão projectos sem serem dados a iodos os Srs. Senadores para se evitarem surpresas.

Porém o Sr. Herculano Galhardo pertence também à l.a Secção, que reuniu ontem e onde foi apresentado este projecto que foi aprovado por unanimidade sem discussão.

A Secção estudou-o ontem, ouviu-o ler artigo por artigo, e apesar de ser muito longo o Secretário leu-o com voz bem alta para que todos o ouvissem perfeitamente. Ninguém fez nenhuma observação apesar do cumprimento exagerado desse projecto o que é devido a preocupações excessivas de regulamentação que escusavam de vir para uma lei.

Foi aprovado por unanimidade e entendeu-se que era simples a sua compreensão para qualquer pessoa.

Trata-se aã essência de libertar o Hospital Escolar de Santa Marta da tutela da Administração dos Hospitais Civis.

Apareceram aqui representantes da Administração dos Hospitais Civis pela pessoa do seu administrador geral, que é um médico ilustre da nossa terra, e apareceram representantes do Hospital de Santa Marta pelo seu corpo directivo, • tendo estado todos de acordo. ,

Foi certamente porque se trata só de dar autonomia ao Hospital de Santa Marta e porque a l.a Secção lhe deu já ontem o seu voto unânime, que o Sr. Costa Júnior requereu hoje a discussão do projecto, tanto mais que nós estamos num período muito excepcional e que a n£o aprovação neste momento'desse projecto podia trazer grandes dificuldades porque pode não se tornar a reunir o Senado e íamos -assim estragar um ano administrativo dessas duas corporações.

No caso de se dar um adiamento de dois ou três dias, peço à Câmara que o faça discutir na sessão dê segunda-fei-ra, antes que o período legislativo termine.

Ao Sr. Herculano Galhardo peço também que se liberte das suas preocupações, aliás justas, porque este projecto é

da maior simplicidade e o seu cumprimento não é devido senão ao exagero da sua regulamentação. O orador não reviu»

O Sr. Herculano Galhardo: — Sr. Presidente : feito o meu protesto baseado no que suponho que é a lei, se nesse momento eu tomasse a atitude que devia tomar, isso podia ser interpretado como desconsideração .pelo Sr. José Pontes, que acaba de dizer que o projecto ó muito simples.

Tenho de falar novamente e agora sobre o projecto.

Pertenço à-l.a Secção mas' não assisti ontem à discussão deste projecto.

Tenho dele apenas a idea que o Sr. Pontes, meu amigo, deseja que eu tenha. É o que S. Ex.a diz e eu acredito.

j Mas diga-rne S. Ex.a se isto é regime parlamentar! Para isto não era preciso eu vir aqui ao Parlamento.

Assim o Sr. Pontes dava-me a honra de me convidar para sua casa, expunha-me a questão, eu concordava, não vinha à Câmara, tudo se arrumava de boamente, e nós considerávamos o Parlamento cheio de prestígio.

Não há ninguém que perante um projecto com 14 artigos possa fazer uma idea na sua generalidade e na sua espe-calidade pelo que diz o Sr. José Pontes.

Assim, pelo que S. Ex..a disse, pela consideração que tenho por S. Ex.a, conside-rávamor o que tinha dito muito bom, e votava o projecto.

Amanhã., pelo mesmo processo, não discutíamos outro projecto, por que tínhamos ouvido outro Sr. Senador, relator também, e tínhamos considerado a sua exposição boa.

é Era isto sistema parlamentar?

Que digam inal de rnim sem que tenham razão, pouco me importa, mas que digam mal de mim quando tenham razão para o dizer, então começo eu a ter cuidado.

Que digam mal da República sem que haja razão, pouco me importa, mas que digam mal da República com razão, eu como republicano sinto-me profundamente humilhado.