O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

16

Diário âan SessÕe* ao Senado

Única e simplesmente porque, sendo um funcionário cumpridor dos seus deveres, modesto .mas zeloso, não podia suportar que devido à falta de vista tivesse de ser invecthado, ou chamado à ordem pelos seus superiores hierárquicos, e assim pediu a alguém que lhe escrevesse uma carta ao Conselho Administrativo da Caixa para, que fosse dada por finda e terminada a sua comissão de serviço.

Mas, Sr. Presidente, as datas traziam ao meu espírito republicano nm ponto de dúvida, que fui esclarecer hoje, e das demarches íeitas conclui que essas datas não diziam respeito a nenhuma atitude política de José Antunes ein relação ao período dezembrista.

Foi admitido ao serviço1 da Caixa Geral de Depósitos na época dezembrista e — fatal coincidência esta, Sr. Presidente e Srs. Senadores— logo após o triunfo c!e Monsanto para o qual ele concorreu, foi obrigado por falta de vista a pedir a sua exoneração.

Sr. Presidente: é José Antunes patrocinado por uma comissão, das muitas em que se divide o grémio dos combatentes da República.

Os estatutos são em demasia extensivos para produzirem um ponto de fé e de doutrina em defesa da justa causa, que me ^proponho defender se fosse lido ao Senado, mas basta para esclarecer esta Câmara fazer a leitura de alguns dos seus artigos para o Senado se convencer de que, este José Antunes, não está abandonado antes é amparado pelos partidos organizados da República, que não vêm nele um partidário da situação dezembrista, dessa negregada ditadura que todos os republicanos altivos e constitucionais combateram.

Propositadamente, para praticar um acto de justiça, para que a minha consciência não possa ser acicatada por um sinal de arrependimento futuro, estive na Caixa Geral de Depósitos esta manhã e ali me informaram de que José Antunes era um velho e leal republicano, fiel se mantivera nas lutas dezembristas e até mesmo naquelas lutas inconstitucionais contra a República à qual não pode prestar mais serviços devido à sua cegueira.

Ainda que duvidássemos duma afirmação que traduzo pelas informações que colhi na Caixa Geral de. Depósitos,

nós não tínhamos o direito de recusar as afirmações feitas pelo Grémio dos Combatentes da República, que tem os' seus estatutos aprovados, que tem como único fito defender os interesse postergados 'de todcs os republicanos. ' -

O artigo 1.° do Grémio dos Combatentes pela República que reconhece o velho republicano José Antunes, diz o seguinte e chamo para ele a atenção do Sr. Silva Barreto, do Sr. Costa Júnior e de todos os outros Senadores, que ainda não têm no seu espírito uma certeza tam justa que lhes permita dar o seu voto à proposta.

É, Sr. Presidente, o Grémio dos Combatentes da Repúblicaj que patrocina junto, do Senado republicano pelo.representante dum dos partidos constitucionais republicanos, a concessão duma pensão para matar a fome, para livrar da miséria o grande revolucionário reconhecido pelo Congresso da República que é José Antunes.

No propósito, em que estou de não protelar a discussão da proposta que está sobre a Mesa, deixo de ler artigos deste grémio, que provam à saciedade que os republicanos, que estão à sua frente não podiam patrocinar as pretensões de José Antunes se porventura ele tivesse sido um foragido dos partidos republicanos e tivesse dado o seu concurso à revolução de 5 de Dezembro;

Ainda, se eu quisesse especular, poderia dizer que esse facto não fere a alvura do republicanismo de tantos cidadãos que em 5 de ' Outubro tiveram a glória do triunfo d& República, não pode ser colhido como o maior argumento para se recusar o voto a esta proposta, porquanto muitos dos dezembristas, daqueles que auxiliaram Sidónio Pais, que foram com ele até £.0 seu último acto, continuam apadrinhados pelo próprio Partido Republicano Português.

Tem a representação parlamentar no seu seio um homem que foi secretário de Estado das Finanças no tempo do dezem-brismOj o Sr. Malheiro Reimão.