O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Diário âas Sessões do Senado

tive a impressão de que a sua preocupação era impedir que esta proposta fosse aprovada sem que esse revolucionário compartilhasse também dela.'

Tive sempre o cuidado de coloc&r a questão sob dois aspectos diferentes.

Quando votei a proposta governam 3n-tal com o aditamento do Sr. Ribeiro de Melo e com um acrescentamento de um artigo respeitante à família . de França Borges, não nz mais do que reconhecer os altos serviços prestados à República por todos esses republicanos, sobretudo por João Chagas e por França Borges.

1 E se não me referi especialmente também ao republicano, oficial da armada, João Fiel Stockler, revolucionário de 5 de Outubro, é porque eu não sabia quais os serviços prestados por esse velho republicano.

Mas bastou que o nosso colega desta Câmara, o Sr. Afonso Henriques do Prado Castro e Lemos, falasse na acção desse oficial, para que eu tenha como boas as palavras £.qui proferidas e para me convencer que, de facto, esse cidadão prestou à República relevantes serviços.

Portanto a primeira razão que me levou a votar esta proposta de lei foi a de paga dos serviços prestados à Repiíblica por esses cidadãos: tanto na imprensa, como no meio que eles conseguiram criar à volta do velho regime e do qual resultou a sua morte, tornando-se notáveis nesses serviços sobretudo João Chagas e França Borges.

Sr. Presidente: quando na Secção foi apresentada a proposta do Sr. Eibeiro de Melo referente ao humilde trabalhador do 5 de Outubro não vi qualquer documente, que provasse que aquela proposta tinha a característica, que merecia o meu voto, qual é a de ter prestado relevantes rer-viços ao regime.

V. Ex.a sabe quantos revolucionários houve no õ de Outubro, de cujos serviços há quem duvide—não é este o caso que eu tenha o direito de duvidar — e a-té se afirma, parece que com verdade, que há cidadãos reconhecidos como revolucionários de 5 de Outubro que nunca fortin revolucionários, nem se'quer republicanos.

E se de facto na Rotunda, onde foram poucos os revolucionários, se reunissem para metralhar os do velho regime todos aqueles que hoje estão reconhecidos como

revolucionários de 5 de Outubro, estou certo lá não caberiam todos.

E com efeito estou convencido de que lá não esteve uma grande parte daqueles que se assinam revolucionários.

Sr. Presidente: acusou-me também o Sr. Ribeiro de Melo das situações que disfruto dentro da República.

Aparte do Sr. Ribeiro de Melo quê não se ouviu.

O Orador:.—Acaba agora de dizer S. Ex.a que sou um tubarão da República.

Sr. Presidente: ainda mais uma vez tenho de falar na minha pessoa, o que faço sempre muito contrariado.

Devo dizer a S. Ex.a que sou um soldado dos mais humildes dentro do Partido Republicano Português, embora tenha 42 anos de praça.

Di&fruto dentro da República e do meu partido a consideração que este entendeu dever dar-me.

iL excessiva, bem o sei.

Não apoiados.

Mas tenho a minha consciência limpa.

À República não pedi o lugar que exerço burocràticamente.

Não o pedi, tenho-o dito muitas vezes dentro desta casa.

O Sr. Ribeiro de Melo não tinha o direito de ofender a minha natural modéstia, modéstia de educação, modéstia de origem, dizendo que. não observa com olhos de ver para os assuntos que estão a meu cargo; porque me tenho guindado às mais altas posições do meu partido.

Sou chefe de repartição do Ministério da Instrução Pública porque para isso me convidaram, e está presente o Ministro que fez a minha nomeação provisória a pedido do chefe do meu partido, mas depois da Câmara ter encerrado os seus trabalhos em 1914.

Fui à Mitra. Nunca fugi das situações mais difíceis que me tenha criado, e foi tal o escrúpulo que ali houve que, pelo facto de ter aceitado o lugar para que fui convidado, não votei.

O meu nome nem apareceu • nessa ocasião.