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Sessão de 17 de Junho de 1920

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Não votei, mas não deixei de lá ir. . . Há 14 anos que faço parte desta Câmara, com excepção daquele período que V. Ex.a, Sr. Presidente, dela também não fez parte, bem ,como muitos outros Srs. Senadores. •

S. Ex.a sabe que, o'Senado e a Câmara dos Deputados tom os seus representantes em diversas companhias e corpos administrativos.

Pois nunca pedi ao meu partido, para que me elegesse, durante 13 anos, para qualquer desses lugares; e todavia tenho a certeza.de que quando"pedisse essa colocação, tomava o compromisso de a desempenhar dignamente, porque se me não sentisse com forças para o desempenhar, ou não teria pedido a minha escolha, ou pediria a minha demissão.. '

Há meses que. a minha' situação finan: ceira é difícil e por isso preguntei ao leader deste lado da Câmara.que era então o Sr. Pereira Osório, e ao Sr. Her-culano Galhardo que era também um dos membros do Directório, se havia alguém escolhido pelo Directório para representar esta Câmara no Conselho .Colonial.

Disseram-me que não e então preguntei se tinham dúvidas em votar no meu nome. Responderam-me imediatamente que não, que com a maior satisfação o fariam e assim fui escolhido para esse lugar recebendo o primeiro favor ,de toda a minha vida.

Desempenho esse lugar trabalhando e trabalhando cumpro o meu dever. "Se eu -estivesse convencido de que não podia condignamente desempenhar o meu cargo no Conselho Colonial não teria pedido que o meu nome fosse indicado.

Não tinha, pois, o Sr. Ribeiro de Melo o direito de evocar o-meu nome como se eu fosse — a frase disse-se ainda há pouco—.um tubarão.

Sr. Presidente: vou corresponder à atitude generosa da Câmara permitindo que usasse da palavra dando em poucos minutos por concluídas as minhas considerações.

Mas antes de o fazer, quero também afirmar à Câmara que o'Sr. Ribeiro de Melo não tinha o direito de, a propósito da discussão desta proposta de lei, vir dizer que eu me exautorara para discutir a proposta dos fósforos tendo aceitado ser seu relator, exautoração derivada de ter afir-

mado na Secção que não estava preparado .para a discutir.

E claro ,que t,omp esta t exautoração à boa paz, sem o .significado pejorativo que ela possa ter, nem certamente o Sr. Ribeiro de Melo nesse sentido pejorativo afez.

Mas tenho ,,de., declarar à Câmara porque aceitei ,a indicação do meu nome para relatar essa pfoposta.de lei. . Discuti-a largamente-na, generalidade. . Nessa mesma Secção , apresentou-se o • Sr. Herculano Galhardo discutindo-a largamente, e no outro dia recebi de- S. Ex.a uns elementos . que mo habilitavam a apreciar a questão . dos fósforos muito ligeiramente .com os elementos que possuía.- . •

É clarov que a minha intervenção no assunto não era o suficiente para satisfazer os desejos do Senado; e foi então que o Sr. Ministro das Finanças veio dar à Câmara os elementos que o levaram a votar a proposta.

' E agora, para; concluir, vou especialmente referi-r-mei à pensão a conceder a um revolucionário do 5 de Outubro ,que, segundo ele diz e consta do .processo, está cego.

Não voto esse artigo-porque, como disse na Se.cção e como já o disse aqui, distingo entre os revolucionários de ò de Outubro, e os homens- que com o seu alto saber e inteligência desbravaram o caminho para que a idea da República fosse avançando cada vez mais até um dia triunfar com-pletamente.