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Diário das Sessões ao Senado

que é absolutamente indispensável fazer obras importantes, «mas à-.-cu&ta do público».

Se a Companhia não quere ser considerada como menos, séria nas_suas afirmações, que prove se lhe assista ou não razão. Venha demonstrar que realmente não há água; -isso, porém, é que ela não faz. •

ÍJxistem ainda na Companhia das Aguas, do tempo em que ela era administrada tecnicamente, algumas disposições boas, uma das qaais é a que determina a mpdi-ção e registo da quantidade de ágaa que passa pelo canal do Alviela. • .Poderíamos verificar pelos números desse registo que o escoamento ipelo canal é regular já de há muitos anos; e se nós •tomarmos em consideração o aumento da população, proximamente . duplicada em relação a 1870 (537:000 habitantes, e não 800:000 como ''a Companhia diz), nós vemos que ainda hoje, da quantidade de água que o Alviela dá, cabe em módia 80 litros a cada habitante. -

Isto só a água do Alviela! , -•.E muita água?! Não3 evidentemente, mas não nos esqueçamos de ume, cousa, e aqui repito a informação do um director da Companhia, numa recente palestra, como lhe chamou esse senhor, realizada no teatro Apoio: disse ele que Bruxelas-tem apenas 75 litros de água por habitante, e Berlim e Constantinopla 72 litros.

. Bruxelas e Berlim dão-nos leis a respeito de higiene e.têm menos água; 80 litros se Dão é uma dotação boa, também não é das piores, o que não quere dizer que não procuremos melhorá-la.

Vamos ver que a quantidade de água que o canal traz ainda representa uma boa dotação para os habitantes da cidade.

Tenho aqui um gráfico que é interessante. Ele não está actualizado, porque não pude colher elementos até à data, mas não está muito longe da situação actual, pela seguinte razão:

Um dos directores da Companhia tornou público que ela entregava anualmente ao consumo 17 milhões de metros cúbicos de água; o abastecimento faz-se; pelas águas do Alviela,' pelas águas «altas» e pelas águas «orientais».

A soma das águas «orientais» com as águas «altas» orça por 4 milhões de me-

tros cúbicos por ano; que, retirados aos 17 milhões,- ficam, portanto, 13 milhões, exactamente a quantidade representada-no gráfico destes .quatro anos. . -: . /•- .

Se. seccionarmos este. gráfico-em qua-, tro partes iguais,-nós podemos sobrepô'--Ias que as curvas clarão 'quási. um traço único, semelhança que prova a normalidade do escoamento.

Se olharmos para o gráfico vemos que' os meses de Julho, A.gosto, Setembro e Outubro, são os de maior produção, isto, é, aqueles em que "o canal traz maior quantidade de água, pois é precisamente a época ^m que a Companhia faz os films de escassez? , • • •

Antigiimente dizia ela-que esses meses eram de grande escassez, mas depois de eu aqui tornar público que no verão não deminuiu a quantidade de água fornecida, pelo Alviela, agora diz. sor no outono e no inverno que a água escasseia.

Contudo, de novo ela quere nesta época as" costumadas exibições do verão,'abstenção de regas, bichas.nos chafarizes^ bombeiros e polícias mobilizados a-dirigir o abastecimento, etc. ;

o Há dias, em público, repetiu-se muitas, vezes ao Governo, «que-tivesse muito cuidado, porque assumia uma grande responsabilidade».

Mas várias cousas nos diz ainda este gráfico:

Dá-no3 a média diária da água. forne-cidada polo canal, depois de- descontada a que é -desprezada por barrenta, que no primeiro ano deste gráfico atinge o número de 143:879 metros cúbicos; no segundo-ano 30:954; havendo o abandono de mais de um milhão,, por outros motivos, e qoe embora se desse na mesma ocasião om que as águas vinham turvas, foi esse abandono classificado pelos outros motivos. No terceiro ano 305:166 metros cúbicos; e no quarto ano 172:427.

Ou abundância de água que permite à Companhia esse desperdício, ou então o seu desleixo.

j,fPois pode admitir-se que uma Companhia que se queixa constantemente de ialta de água desperdice milhões de metros cúbico^ dela por estar barrenta?!

Porque não usa filtros?