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Sessão de 24 de Junho de 1925

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morosas e colocando a cidade durante alguns dias na impossibilidade de ser abastecida pelo Alviela, como já sucedeu há alguns anos, após uma avaria que a deixou sem água largos dias.

Quanto à duplicação de sifões para trazer mais água'a Lisboa é uma cousa interessantíssima.

,;Como é que a Compnnhia, sem conhecer a quantidade provável de água que o Alviela pode fornecer, sem conhe.cer a importância e extensão dos reservatórios que o alimentam-se permite falar em du-~ plicação de sifões a fim de trazer mais água para Lisboa?

O canal do Alviela é composto de uma parte do alvenaria e outra de tubos de ferro a que chamam, sifões.

^Para que serve duplicar os sifões, se a parte de alvenaria não pode ser praticamente alargada?

E certo que ela é de maior secção do que os sifões, mas o nível de água não pode ser aumentado senão duma quantidade insignificante; é preciso manter dentro do canal de alvenaria uma parte livre, sem água, obrigação imposta por vários motivos, entre os quais, os refluxos que se dão nos canais mixtos.

De nada serviria pois duplicar os sifões, porque a despesa na extremidade -do canal seria sempre função da menor secção; resolve-se porém o problema pela forma a que aludi, pelo aumento da altura da barragem. É o que pode dar melhor resultado.

Além do acréscimo da reserva de água, a elevação da crista do açude dá um aumento de pressão ou, antes, carga, e con-sequentemente uma maior velocidade na veia líquida, e teremos então mais água passando pelo canal.

Isto da duplicação dos. sifões .com o mesmo canal só serve .para épatert lê bourgeoiSj mais nada.

Na ocasião em que mostrei o gráfico, esqueci-me 4-uma cousa que tem uma certa importância.

No princípio da minha exposição declarei que. tencionava provar todas as afirmações que faço a respeito da Companhia com-documentos da própria Com--panhia, e esqueci-me de dizer que aquele gráfico é feito nessas condições, como se veriSca por estes documentos que aqui tenho.

Houve uma época em que a Companhia das Aguas de Lisboa era administrada com certo cuidado técnico e tudo era documentado; então não sucedia como agora, quando os accionistas, querem conhecer várias despesas, ser-lhes respondido pelo presidente da direcção «que a Companhia tem despesas secretas,que não podem vir a público». Nessa época dizia-se tudo franca e conscientemeute, com maior clareza do que a água tem hoje.

O Sr. Ribeiro dê Melo (interrompendo}:— £E p delegado do Governo?

O Orador : — O delegado do Governo, ao ouvir dizer que a Companhia tem despesas secretas ,que não podem vir a pú-.blico e depois, das insinuações feitas con-, tra os- Governos, Ministros e republica-.nos, devia exigir imediatamente que a Companhia justificasse o que acabava do dizer.

Não o fez porque ele é antes um delegado da Companhia junto do Governo. . Muitos apoiados'..

Eu terei ocasião de provar esta afirmação que faço.

ô '•

O Sr. Ribeiro de Melo: — Entílo demita-se o delegado do Governo.

O Orador:—j Demitir o delegado do Governo! E, dizem, cousa difícil de.fazer; eu acho que é fácil. Conto mesmo trazer em breve à. Câmara um projecto de lei para que esses lugares, sejam exercidos em comissão temporária e gratuita.

Veremos então se há tantos-pretendentes para delegados jimto.de Companhias.

Mas, Sr. Presidente, ia eu dizendo: na •época a-que se-referem .estes anexos dos relatórios da Companhia que eu aqui tenho, pois que tudo são publicações suas, continham .eles os/elementos necessários para o estndo dos serviços: assim, ea pude aí colher os. elementos de que carecia. .. , ' •, •

Há .neles .uns mapas elucidativos que discriminara a quantidade, de água -que passa no canal do- Alviela, quantidade abandonada, causas por que foi abandonada, etc.1.