O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 24 de Junho de l92õ

19

permitiria uma situação idêntica, ato mesmo em terras do menor importância.

Na província de Angola, há quarenta e •dois anos estabeleceu-se um serviço de abastecimento de águas, e a primeira cousa que se construiu foram os filtros.

Aqui tem V. Ex.a o que nos indica

Como disse, a Companhia todos os anos desenrola o fíhn da escassez.

Ora o ano passado, o então Ministro do Comércio, tcnente-coronel Sr. Pires Monteiro, oficial muito distinto quo estudou o assunto com cuidado e atenção, demonstrou com lim acto de energia, que muito bem lhe ficou, que era fácil impedir a exibição do costumado fíhn.

S. Ex.a satisfez uma reclamação que eu fiz aqui na Câmara na sessão de 19 . do Agosto e acabou com o lugar do «ditador das águas».

í'-iu devo declarar qne quando me refiro à Companhia das Aguas não me retiro pessoalmente a ninguém, nem isso seria próprio nem do meu carácter, nem deste lugar...

Muitos apoiados.

... Refiro me na generalidade à entidade Companhia das Aguas.

E bom que se frise este ponto, porque eu já fui acusado de atacar propositadamente pessoas; vinque-so .bem este critério ; eu não quero sabor de pessoas, quero saber é 'da entidade Companhia, contra os seus manejos é que me revolto.

jComo ia dizendo, S. Ex.a fez rebentar o film da ditadura das águas, .e acabou-se !

Acabou-se, mas como a Companhia nunca se dá por vencida fez publicar o seguinte :

«A Companhia das Aguas de Lisboa— Ao público.— A Companhia das Aguas de Lisboa julga do seu dever prevenir o público de que, nestes últimos dias, pela queda súbita do caudal do Al viela— que,, excepcional e felizmente, neste ano foi tardia—e pelo acréscimo extraordinário do consumo, derivado não só da actual elevação de temperatura, mas também e principalmente por se não terem tomado, por parte do Governo, as providências restritivas anteriormente adoptadas, se tem tornado bastante grave a situação quanto ao abastecimento de água neces-

sária ao consumo da capital e à sua segurança.

A execução dessas providências restritivas — algumas delas muito onerosas para esta Companhia—estava a cargo do Di-rector-delegado. com os plenos poderes quo lhe tinham sido atribuídos pela portaria de 14 de Junho, como nos^anos transactos.

Pelos motivos que constam dos documentos que esta Companhia acaba de distribuir à imprensa e ao público, o Director delegado, como resposta à atitude tomada para com ele pelo Sr. Ministro do Comércio, deixou de exercer essa missão gratuita e de serviço público, em 22 de Agosto, sendo exonerado por portaria de 30. Não tendo sido até agora substituído, passou-se então cm Lisboa, sem se atender à quadra que atravessamos, a urn livre e excessivo consumo, sem quaisquer restrições impostas pela natural e prudente reserva ante a eventualidade duma prolongado estiagem.

Veio a dar-se nestes três últimos dias o que na referida exposição de l do corrente, feita pela Companhia, estava já previsto. E para que as responsabilida-des às' quais a Companhia é absolutamente estranha, vão a quem pertencerem, julga ela dever avisar a cidade de que a rápida descida dos seus depósitos pode determinar uma próxima falta de água a que não será fácil dar pronto remédio.

Lisboa, 9 de Outubro de 1924.— Pela Companhia das Aguas de Lisboa, o Di-rector-delegado, C. A. Pereira». («Diário de Noticias i) de 10 de Outubro de 1924}.

Este magnífico bocado de prosa veio publicado em vários jornais e em letra graúda.

O extracto que eu tenho aqui ó do Diário de Noticias de 10 de Outubro do ano passado.-

A portaria acabando com a ditadura das águas foi publicada em 30 de Agosto.