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•Sessão de 24 de Junho de 1926

ia

Sr. Presidente: parece-me que com •uma opinião dosta estação oficial, como é a Câmara Municipal, a confirmar o que -acabo de dizer, eu estou em muito boa •companhia.

E a câmara liga também ' a Gste documento a importância qno ele tem quando eu disser quem o assina, porque liá-do prestar justiça à memória o à rectidão de «carácter do ex-presideute dessa câmara.

Este ofício termina da seguinte forma :

«Paços do Concelho, 28 de Janeiro de 1913. — O presidente, A. Braamcamp freire.

Está conforme. — Secretaria do Governo Civil de Lisboa, 6 de Fevereiro de 1913. — O secretário, Carlos Olavo».

Mas, Sr. Presidente, exemplifiquemos o •caso com números para suprir a deficiência da mir.ha prosa.

Suponhamos que a Companhia põe em. Lisboa diariamente 30:000 metros cúbicos de água, e não estamos muito longe da verdade; desses 30:000 pertencem ao Estado 10:000 metros, os restantes 20:000 metros são distribuídos da seguinte forma : uma parte, 10:000 metros, pelo cal-.

Suponhamos que a Companhia, em vez de 30:000 metros cúbicos de água, passava a trazer 60:000.

O contrato de 1898, na base 7.a, § 1.°, diz o seguinte : /

«§ 1.° Se o Companhia, porém, em qualquer época trouxer polo canal mais de 30:000 metros cúbicos, esse excesso também ficará sujeito ao terço».

De forma que se a Companhia se brasse de pôr amanhã em Lisboa 60:000 metros cúbicos de água teria de entregar gratuitamente um terço ao Estado, ou sejam 20:000 metros cúbicos, e dispondo ela de 40:000, ao público vendia 10:000; e que fazia dos restantes 30:000? Guardava-os ?

Não tem depósitos para isso, e só resteva o recurso de os deitar íora; mas então era melhor não os trazer a Lisboa, escusava de perder um magnífico ciients, porque o Estado, tendo nos 20:000 metros do terço gratuito a água que precisava para os serviços públicos e municipais, não ia comprar mais água à Companhia. Isto leva-nos à seguinte conclusão:

Quanto mais água a Companhia puser em Lisboa menos ganha, visto ficar redu* zida à venda dos 10:000 metros ao público.

Não nos esqueçamos que o Estado é o melhor cliente e o mais económico-para a Companhia, além de que Cie. nunca reclama.

É esta uma das razões, e a principal, pela qual à • Companhia não convém pôr mais água em Lisboa emquanto -não forem modificados os contratos, para assim ter indo quanto quiser. Mas estou convencido de que tal não sucederá.

O Sr. Pereira Osório (em aparte): — Pode ser que o consiga.

O Orador: — Não há-de.ser. muito fácil, porque não tem opinião a apoiá-la.

Uma, outra razão que concorre para a Companhia assim proceder é a seguinte :

Se realmente a Companhia pusesse em Lisboa toda a água necessária para o consumo evidentemente que desapareceria aquele magnifico pretexto com o qual anda sempre pedindo a todos os.. Ministros do Comércio o aumento do preço da água, com o pretexto de fazer melhoramentos e modificações que se tornam absolutamente indispensáveis.

Do -que nunca se lembrou foi de aumentar o seu capital, conforme a autoriza o contrato de 1867; diz ela que o juro fixado pelo referido contrato ó pequeno, e. talvez por isso, paga indevidamente, como verrmos, 6 4/2 por cento. '

Mas, Sr. Presidente, sucede à Companhia o mesmo que sucede a qualquer indivíduo que se estabelece: corre os riscos do negócio, se ele lhe não convém, liquide.

Ainda há uma terceira razão:

A Companhia foi sempre muito orgulhosa e vaidosa.