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Diário da» Senões do Senado

que, -quando os Ministros não satisfazem os pedidos da Companhia esta até inventa cousas extraordinárias.

j^ Talvez V. Ex..as não saibam a razão por que falta a água em Lisboa?! Diz a Companhia que a escassez de água resulta principalmente das crises miais:e-. riais.

.Risos.

Ouçam:

«Porque falta a água em Lisboa.—A escassez resulta principalmente das crises ministeriais.—Entre as causas várias da falta de água, figura como primacial a instabilidade dos Governos. Assim mesmo. Antes de mais nada, as crises políticas têm determinado a escassez de água, por muito estranho que isso pareça aos leitores.

PJor do que -os Governos incompetentes— e quási todos o têm sido—pior que isso é o pequeno lapso de tempo que eles se têm conservado no Poder.

O actual Ministro do Comércio é já o 25.° com quem tenho tratado do caso». (Extracto de uma entrevista, do «Século» de 26 de Junho de 1923).

Como V. Ex.a vêem, nesta época não foram satisfeitos os desejos da Companhia; portanto é descompostura.

Eu devo dizer à Câmara, embora para o caso não tenha importância, que este número de ordem do Ministro do Comércio está errado, porque esta entrevista é de 26 de Junho de 1923, tendo então o respectivo Ministro o número de ordem 25.° Ora quatro meses antes, em 28 de Fevereiro de 1923, houve uma conferência— chamemos-lhe assim—ca Associação Comercial de Lisboa, à qual presidiu o ST. Queiroz Vaz Guedes, autor do ce-lebérrimo, afamado e ÍDconstitucional decreto n.° 8:634.

S. Ex.a que presidiu a Bssa conferência recebeu como prémio do favor que tinha feito à Companhia das Águas o seguinte:

«V. Ex.a faz o quarteirão

Já a Câmara Té que, se em 28 de Fevereiro de 1923 o Ministro que preside à conferência sobre águas era o número 26,.°, não podia o de Junho passar a ser o número 25.°

Eu pretendo apenas com isto provar que coleccionei os meus documentos com .todo o cuidado e que conheço bem os erros d& Companhia.

Qualquer que seja o processo que a Companhia use para fazer reclamações aos Ministros do Comércio, há um facto que nós devemos verificar e ter em muita atenção, e que representa uma perfeita inversão de papéis: em vez de ser o Ministro t, lembrar ào Companhia que tem obrigação de providenciar de forma que não escasseie a água em Lisboa, é pelo contrário a Companhia que responsabiliza o Governo p.or essa falta. . e Como quer que seja, a Companhia das Aguas de Lisboa tem encontrado da parte de alguns Srs. Ministros do Comércio a .benevolência necessária para atender as suas sói disant reclamações, e então os Ministros nomeiam geralmente uma comissão na qual a Companhia é sempre representada— j e até já houve uma comissão em que a Companhia era representada por 50 por ceato; essa comissão compunha-se de dois membros, um do Governo outro da Companhia!

Dessas comissões resultam sempre vários alvitres, ou antes a repetição dos alvitres anteriores; é sempre a mesma cousa.

caso curioso, esquecem, sempre uma cousa, é lembrar à Companhia que é a ela e não ao Estado que compete fazer o abastecimento de águas à cidade de Lisboa, nos termos da base l.a e seus parágrafos e base 3.a do contrato de 27 de Abril de 1867, bases que eu vou ler para que a Câmara tome delas conhecimento. Base l.a do contrato de 1867:

«A empresa obriga-se a abastecer de água a cidade de Lisboa, à sua custa, por sua conta e risco, nos termos e com as cláusulas deste contrato».

§ 1.° Por empresa,, etc. (É a definição do que é a empresa).

O § 2.° diz: