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Diário das Sessões do Senado-

tem servidoparaaCompanhianãosejulgar na obrigação de abastecer o resto da área da cidade, mas ela tanto diz que sim como não.

Xo célebre folheto, a Companhia diz o seguinte, para lazer valer as suas pretensões :

«Então a área da capital era aporias de 1.226.724,7™2 e hoje ó de 8.340.413,6*%

. É a própria Companhia a reconhecer que realmente e?ta é que ó a verdade.

Eii não sei se Y. Ex.113 querem ler estas cousas que eu vou citando, talvez eu as interprete doutra maneira; tenho aqui mais um folheto que ponho à disposição de Y. Ex.as.

Mas, Sr. Presidente, se, nos termos deste contrato, é à Companhia que compete fazer o abastecimento de águas A cidade de Lisboa, e se quanto maior quantidade de água ela vender maior será o seu interesse, ocorre preguntc,r : — £ porque é que ela o não faz'?

Ora aí ó que está o segredo !

Mas é o segredo da abellia, é para quem o não quiser ver.

Eu vou indicar à Câmara, pela sua ordem de importância, três das principais razoes pelas quais a Companhia não traz mais água para Lisboa.

Conhece Y. Ex.a e conhece a Câmara que. nos termos dos contratos de 1867 o de 1898, a Companhia, 'de toda a água que põe em Lisboa, deduzidas umas certas quantidades que estão determinadas nos contratos, é obrigada a entregar gratuitamente ao Estado um terço para os ssus serviços públicos e municipais; dos dois terços restantes vende a Companhia unia parte aos consumidores, parto que é acusada pelos respectivos cantadores, e a restante é endossada ao Estado com o título de «excesso de consumo*.

Eu disse endossada, propositadamente, porque não se trata do sal 101* se o Estado consome ou deixa de consumir essa íígua que ele depois tem de pagar. À Companhia também não interessa saber, quer ela vá para os usos públicos ou, municipais, quer ela yá para o sub-solo da cidade, sem o Estado a consumir, que ó o, que sucede muitas vezes.

K conveniente aclarar que, quando falo

do Estado, incluo nesta designação a Câmara Municipal que também faz parte do-Estadc.

2\ Companhia não interessa que êlo-consuma ou deixe do consumir, coutanto-que lha pague; com o resto não se importa.

Feita esta afirmação, eu tenho a certeza de que daqui a oito dias, ou menos-ainda, a Companhia virá a público 3om. outro folheto, naturalmente em papel cou-cJtc, a dizer: «Aí está uma afirmação que-é uma injustiça — ei? a má vontade contra a Companhia!».

Vamos a ver se eu sou capaz de me-socorrer, dalguma opinião que, posta ao> lado da minha, dê a esta afirmação tal> peso que confunda a Companhia.

Sr. Presidente: eu garanto à Câmara,, sendo preciso, sob a minha palavra, que cheguei a esta conclusão pelo estudo Oque-iiz do problema, antes mesmo de me vir parar As mãos este folheto, com a cópia, dum documento oficial.

Eu vou ler este documento, e tenho-pena de não estar presente o Sr. Afonso de Lemos, porque S. Ex.a deve conhe--cê-lo:

«Câmara Municipal do Lisboa—l.a Repartição— Secretaria—N.° 156—Ao Ex.m* Sr. Ministro do Interior.—A Câmara, a que me honro de presidir, .tendo votado na sua sessão de 26 de Dezombrq último» as conclusões do «Eelatório sobre os exr-cessos de água que o município vem há. aros pagando e algumas considejações sobre o abastecimento de águas à cidade de Lisboa e a sua municipalização», etc.,, deliberou solicitar do Governo:

1.° ...