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Sessão de 7 e 8 de Jullio de 1920

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Hadas no nobre, mas duro cumprimento do •dever militar».

Efectivamente, em todos os assuntos que ;à defesa nacional interessam, devemos pôr -de parte todo o partidarismo político. •

Mal de nós se o não fizermos.

E agora que o Sr. Presidente do Ministério, meu velho amigo Sr. António Maria da Silva, está começando a dêdicar-se ao estudo das questões militares, eu recomendo-lhe que leia uni livro muito inte-Tessante do íalecido general Mangin Com-ment gagner Ia guerre, onde se demonstra ~a perniciosa influência que a política teve "na preparação para a guerra, e até nas próprias operações.

Promete o Sr. Presidente do Ministério a organização do Conselho Superior de Defesa Nacional, «como,,órgão orientador •da política militar da República».

Não sei bem como hei-de apreciar esta irase da declaração ministerial.

Parece-mo que falta aqui uma sílaba, e •que o Sr. Presidente do Ministério quis -dizer ((reorganização» e não «organização» visto, que o Conselho Superior de Defesa .Nacional já está organizado.

Devido porém ao facto de ôte só ter funcionado uma vez, S. Ex.a naturalmente julga que ele de facto não existe.

Ó conselho Superior de Defesa Nacional encontra-se organizado desde 1911, e -•é um dos elementos constitutivos dos ór-.gãos de preparação para a guerra.

Pena é que por motivos de ordem vá-Tia, que não vale a pena agora acentuar, >êsse conselho só tivesse reunido uma vez, não para orientar a nossa política da guer-Ta na ocasião em que nela andámos empenhados, mas, se bem me recordo, para discutir uma questão de pena de morte.

Depois disso, apesar de instâncias sucessivas, feitas pelo estado maior do exército a vários Ministros da Guerra, para que o •Conselho reunisse e se pronunciasse sô-'fore um certo número de assuntos que à política da guerra interessam, e a que nós TÍrtualmente interessam também, o Conselho nunca íoi mandado reunir.

Pro_m9te-nos ainda o Sr. Presidente do Ministério, sob o ponto de vista de defesa -nacional, um certo número de medidas, que- aliás não são novas.

Essas medidas constam de vários relatórios que têm sido enviados pelo estado

.maior do exército aos diferentes Governos da Eepública, e que os vários Ministros da Guerra têm metido nas gavetas das secretárias, por vezes, sem darem o menor cavaco, permita-se-me a expressão.

Ainda a respeito da necessidade que nós temos de olhar a sério para o estado em que se encontra o nosso material de mobilização, promete o Sr. Presidente do Ministério de criar um fundo especial para instrução e aquisição de material.

. É também unia proposta feita pelo estado maior do exército, já feita há bastantes anos, proposta que não teve a menor realização, e pela primeira vez vejo numa declaração ministerial perfilhar essa proposta duma estação oficiai tam competente como ó o nosso estado maior do exército.

Sr. Presidente: se efectivamente não tratarmos a sério da instrução do exército, se não o dotarmos com o material, já não o digo com o necessário, mas pelo menos com o indispensável para tornar útil essa instrução nós .poderemos ter tropas melhor ou pior armadas, capazes de entrar em movimentos revolucionários, capazes de em certo momento de praticar feitos heróicos, mas não temos chefes à altura da sua profissão nem exército para fazer a defesa nacional.

.Sr. Presidente: ainda a respeito da necessidade que nós temos de olhar a sério para a organização do exército, / muito especialmente no que diz respeito a material, eu tomo a liberdade de chamar a atenção do Sr. Ministro da Guerra para um relatório que eu, como quartel-mestre enviei em 18 de Maio deste ano.

Ditas estas palavras, nas quais eu não pus a menor paixão política e que foram ditas com toda a clareza, vou terminar dizendo que uma vez que o Governo atenda a situação grave que o País atravessa e considerando que o Governo nos promete no segundo período da sua declaração ministerial, não uma organização restrita, mesquinha e partidária, mas sim fazer uma obra verdadeiramente nacional, pode Contar com a minha espectativa benévola, aguardando os seus actos para depois sobre eles me pronunciar.

O orador não reviu.