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Diário das Sessões do Senado

pleno dia, se varrem as ruas sem pinga de ágaa, levantando nuvens de poeira e em que se apunha com o lixo dos caixotes pela cara.

Isto é absolutamente impróprio de ama cidade civilizada.

Um lEunicípio que assim procede não está à altura de educar ninguém.

Ainda lioje, quando eu entrava no Congresso, andava um varredor junto à escadaria, levantando nuvens de pó, o que, indiscutivelmente, constitui um perigo para a saúde e unia vergonha para & capital do País.

Não é assim que nós podemos fazer propaganda da nossa terra, nem é assim que os turistas irão para os seus países fazer a apologia de Portugal.

O que eles irão dizer é que Portugal é um país de salvagens.

Desejava chamar a atenção do Sr. Presidente do Ministério para a necessidade de que há em remodelar todos os serviços públicos, porquanto a lei-travão está impedindo que muitos serviços estejam devidamente montados, visto não se poderem fazer nomeações de funcionários, sem se realizar essa remodelação, ainda que sejam absolutamente necessários à boa ordem e eficiência dos serviços.

É, pois, indispensável que se -remodelem os s.erviços públicos, e que aos respectivos funcionários sejam dados os vencimentos condignos.

.Noutro tempo tudo isso estava bem engrenado, mas mecheu-se um dia numa das rodas desta máquina, e nunca mais se conseguiu engrená-la devidamente.

Têm-se deitado vários remendos e afinai todos reclamam, com justa razão, porque a situação ó caótica.

Como a respeito da política radical se .têm feito aqui várias referências, eu não devo terminar sem dizer que a política radical, na verdadeira acepção da palavra, não atemoriza ninguém.

A política radical não é uma oolítica de demagogia ou de extremismo.

Não é uma política de subversão; é dentro dos princípios verdadeiramente radicais que estão os princípios vordadeira-meate democráticos.

Portanto, Sr. Presidente, dentro dos princípios republicanos os princípios radicais devem satisfazer a todos aqueles que desejam uma verdadeira "República.

O Sr. António Maria da Silva, na sua declaração ministerial, refere-se a uma aliança entre o capital e o trabalho.

S. Ex.a quis agradar a-ambas as partes, mas a verdade é que o problema em Portugal é muito complexo, por o terem embaraçado as oligarquias da finança e da política.

Sem hostilizar o capital, porque ninguém deve fazê-lo, deve S. Ex.íl dirigir principalmente as suas vistas" para as classes trabalhadoras.

,Tím vista das declarações com que iniciei o meu discurso, evidentemente, não pode este Governo merecer a nfinha confiança, o que não quere dizer que eu, que não sou -um faccioso, e que,. acima de tudo, ponho sempre os interesses da Nação, não dê o meu voto a alguma proposta que apresente à Câmara e que eu entenda beneficie o País.

Teaho dito.

O Sr. Dias de Andrade:—Sr. Presidente: começo por dirigir os meus cumprimentos ao Chefe do Governo e a todos os seus colegas do Ministério e, de uma maneira especial, aos Srs. Ministros da Justiça e do Comércio, meus ilustres colegas no Senado.

Sr. Presidente: à minoria católica, inteiramente1 estranha às contendas partidárias, só secundariamente interessa a cor política dos homens que se sentam nas cadeiras do Poder.

O que sobremaneira nos interessa a nós são os actos do Governo, os SPUS processos de administração, para os aplaudir ou combater, conforme eles sei vem ou nào servem os altos interesses do Pais.

Há, nesta hora. graves e instantes problemas a resolver.

Já alguns deles foram enunciados pelos meus ilustres colegas, o problema da ordem pública e de defesa da ordem social, para que nós não passemos no estrangeiro por um povo de desordeiros e assassinos, é preciso melhorar o fazer a estabilização da nossa divisa cambial para podermos melhorar as coridições de vidu, ainda hoje bem difíceis para a maioria ^do povo português.