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Diário das Sessões do Senado

da Acçilo Republicana cumpro, com todo o agrado, a velha praxe de apresentar ao Sr. Presidente do Ministério e aos seus colegas do Gabinete os nossos cumprimentos. •

Faço uma saudação especial aos Srs. Augusto Monteiro e Gaspar de Lemos, nossos colegas nesta Câmara porqae o Senado vê com muito prazer a sua participação no Poder.

Sr. Presidente: quando há ura ano e meio proximamente a Acção Republicana entrou na Constituição do bloco parlamentar impôs apenas uma úníca condi-.ção: que se seguisse a política económica e financeira do Governo Álvaro de Casíro.

Esse político, que o meu ilustre colega Sr. Augusto de Vasconcelos, tratou com olímpico desdém e que orgulhosamente fingiu desconhecer, foi, felizmente., seguida por todos os Governos antecessores do do Sr. António Maria da Silva'.

A Acção Republicana, dando o seu apoio a todos esses Governos, quer representassem a esquerda democrática, quer a direita ou ainda os ortodoxos, mostrou assim completo alheamento de tudo quanto eram lutas partidárias adentro dôsse partido, e que-o fim do nosso grupo era simplesmente a regeneração financeira do País.

Sem uma única exigência, sem impormos condições ao Governo, sujeitando--nos mesmo a que os membros da Acção Republicana fossem muitas vezes perseguidos e que nunca qualquer deles fosse lembrado para muitos dos lugares que vagaram durante o tempo em que a Aeção Republicana teve representantes no Poder.

Sucede, porém, que, com a organização do Ministério do Sr. António Maria da Silva", se dá a circunstância de que este Ministério foi organizado, sem haver para connosco a mais pequena deferência, pelo menos uma simples consulta eu participação, a não ser depois de constituído, dispensando-se portanto a nossa colaboração.

Evidentemente que este facto, que ma-guou profundamente a Acção Republicana, seria mais que suficiente para a nossa atitude de franca oposição ao Governo.

Mas há mais: na constituição do Ministério há elementos que combateram

.com a máxima violência, muitas vezes, algumas das medidas basilares apresentadas pelo. Governo presidido pelo, Sr. Álvaro de Castro, sendo por isso de prever que essas pessoas 'não tenham um modo de pensar diferente do-que então possuíam, natural é que a Acção Republicana esteja em oposição ao Governo.

Mas não seriam os quatro Senadores que fazem parte da Acção Republicana que podiam infpedir a marcha triunfal do Sr. António Maria da Silva.

S. Ex.a, que acaba de ganhar, -como muito bem disse o Sr. D. Tomás de Vi-Ihenu, uma batalha campal, em que entrou o factor sorte, o factor sono e, sobretudo, o factor habilidade política e inteligência do Sr. António Maria da Silva, S. Ex.a ô hoje o sol nascente para o qual se estão voltando muitos olhos.

Muitos daqueles que ontem'o combateram, certamente já foram junto de S. Ex.a dizer que os seus interesses individuais e de família, as oportunidades de momento e as necessidades de ocasião, tinham impedido de votar no Sr. António Maria da Silva, mas que estavam prontos a acompanhá-lo de alma B coração.

Dá-se até o caso singular de que o discurso -do Sr. Augusto de Vasconcelos, Ceader do Partido. Republicano Nacionalista, foi um elogio ao Governo, sem- um ataque ao Sr. Presidente do Ministério.

S. Ex.a atacou o Sr. Presidente da República, fez um ataque cerrado ao Partido Republicano Português, e até nós, os nulcs valores da Acção Republicana, que S. Ex.a tratou com tanto desprezo, até nós, repito, merecemos as honras de ser agrupados com aqueles que foram combatidos por S. Ex.a

Mas não tenhamos ilusões; o Sr. António Maria da Silva tem o seu Governo consolidado é S. Ex.a é suficientemente hábil para não dormir sob os louros da vitória e para se precaver a tomar as medidas de prudência que julgar necessárias.

E assim, estou absolutamente convencido de que, cora algumas faltas de número na Câmara dos Deputados, conseguirá o encerramento ao Parlamento e terá, uma grande força para fazer as eleições.