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Diário das Sessões do Senado

mada, que eu sempre conheci como republicano e a quem muito estimo.

Sr. Presidente: quando fui convidado para ir a Belém, em nome do Partido que aqui represento, dizer a forma como entendia que devia ser solucionada a crise ministerial, eu disso ao Sr. Presidente da República que o Governo que se viesse a constituir devia ter um carácter verdadeiramente nacional para que pudesse ser apoiado por todos os republicanos filiados ou- não filiados nos partidos constitucionais, devendo esse Governo ser presidido por uma individualidade que houvesse prestado os mais altos serviços ao País e que tivesse a capacidade e o prestigio moral necessários ao alto cargo a que era chamado a desempenhar.

Indiquei para esse cargo o Sr. D r. Ber-nardino Machado, porque entendia que era S. Ex.a quem devia governar nesta ocasião.

'A verdade, porém, é que. segundo nie consta, nenhumas deligências se fizeram nesse sentido.

Pelos jornais vi que mais uma vê?, foi convidado o Sr. Afonso Costa para presidir a um Ministério e que, mais uma vez, S- Ex.a não achou oportuna a sua vinda para a actividade política.

Em seguida,-li também nos jornais que foi encarregado o Sr. António Maria da Silva de organizar Ministério.

Devo dizer que, aparte a simpatia pessoal que possa ter pelo Sr. António Maria da Silva, entendo que nato era S. Ex.a a pessoa que estava indicada para presidir ao Governo nesta ocasião, tanto mais que julgo ser S.- Ex.a um dos principais responsáveis do descalabro económico e financeiro a que chegamos, concorrendo assim para o desprestígio do regime.

S. Ex.a organizou um Ministério da qual fazem parte pessoas da facção do "Partido Democrático que S. Ex.a chefia.

Julgo que este Governo vem acirrar novamente as lutas não só entre os partidos, como até dentro do próprio Partido a que S. Èx.a pertence.

Eu não teria nada com o que sã passa dentro desse Partido, se os seus efeitos não se reflectissem cá fora e no Governo da Nação.

Em meu entender a razão principal da instabilidade e esterilidade dos Governos

de há tempos a esta parte é a falta de uma maioria bastante homogénea, firme e sólida em que esses Governos se pudessem apoiar e marchar resolutamente para a frente.

E por isso que findámos o ano económico som termos o Orçamento aprovado, e por Oste andar estou vendo que o Orçamento do ano económico, o que entrou no dia l deste mês, também não será votado ou será votado atrapalhadamente.

E todos, compreendem quanto é perigoso continuarmos a viver no regime detestável dos duodécimos.

Se Governos transactos, tendo uma maioria, embora fraca, bem definida, não conseguiram o que era necessário, precisavam de andar a fazer equilíbrios para se. defenderem, não da oposição mas da própria maioria, gcomo é que este processo pode" singrar só com "um voto do maioria ?

Não me pareço que isto esteja certo.

A Nação está absolutamente farta destes falsos equilíbrios.'

Todos se desinteressam destas crises. E frequente é ouvir-se entre o povo, desdenhosamente encolhendo os ombros: «são "odo o mesmo;).

Actualmente as únicas pessoas que se interessam pelas crises são aquelas que perdem alguma situação de destaque ou as que esperam atingi-las com a nova situação. O resto do país desinteressa-se.

Ora isto é um péssimo sintoma que pode ter consequências muito graves.

Eu sou daqueles que entendem que em-quanto não se arrumarem convenientemente as forças políticas deste país não há possibilidade de se caminhar para a frente, mas 'para isso é preciso que todos, patriòticamente, ponham acima dos interesses pessoais os interesses do país, e não ó isso infelizmente o que nós vemos, ou se trata de interesses partidários ou exclusivamente de interesses pessoais.

E bom não continuar neste caminho, porque a nação pode um dia dizer: «Basta»!

Apesar do indiferentisnio a que es-ta-i; mós assistindo, o que ó verdade é que o cântaro pode encher até deitar por fora.