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Diário das Sessões do Senado

ao maior combate travado entre os políticos da República Portuguesa, toda a minha espectativa provocada por alguns jornais ca capital levou-me L Câmara dos Deputados p-ara assistir à apreciação que essa mesma Câmara fazia na apresentação do Governo do Sr. António Alaria da Silva, queria eu constatar de que lado estava a verdade política e partidária, queria tirar a prova real dos republicanos que são" sinceramente radicais e daqueles que sempre se afirmaram conservadores.

Qneria, Sr. Presidente, assistir também aquela arrumação das forças política.8 do meu País e não houve tempo melhor para isso que agora, ilusão para aqueles que combatem nos arraiais republicanos com sinceridade e fé, ilusão para aqueles republicanos que vinham à praça pública afirmar as suas idens revolucionárias e radicais, ilusão —e essa bem dolorosa — porque no meio deste combate que só trava em Portugal há muitos meses, muitas dessas pessoas ocupavam um grande lugar no meu coração de republicano, porque os havia acompanhado na propaganda da idca republicana.

Cheguei mesmo a sustentar a opinião de que o Sr. António Maria da Silva não podia apagar o fogo vivo dâsse combate político, que estava ajustado e prometido dentro da Câmara dos Deputados.

Mais una ilusão sofri!

S. Ex.a soube apagar aquele fogo. não só com a sua capacidade e inteligência e conhecimento que tem da língua portu-, guesa, mas também porque trouxe ao seu lado o brioso comandante dos bombeiros municipais de Lisboa,- e vemos que ao Senado o Governo se apresenta com um voto de maioria, em relação ao número de votantes que nessa hora se encontravam na Câmara dos Deputados.

Mas para mim, que assisti à sessão diurna e que acompanhei a sessão nocturna, o Governo não alcançou apgnas om voto de maioria, inas pelo menos 21 votos a seu favor.

E devo desde já dizer que a rainha filiação partidária desapareceu no momento em que se realizou essa votação na Câmara dos Deputados.

Não mais me quero confundir com republicanos radicais. Retomo a minha li-loerdade política, como independente. ..

O Sr. Sá Viana: — ^Independente agrupado ou não agrupado ?

O Orador : — Não ouvi o «aparte»* de S. Ex.a, e bem desejaria que tivesse sido pronunciado em voz bem alta.

O Sr. Sá Viana:—Preguntava eu se S. Ex.a era dos independentes agrupados ou não.

O Orador :— Tenho aqui por vezes feito reparos ao Sr. Vicente Ramos, quando, como independente, vai às consultas do Chefe do Estado.

Mas fique S. Ex.a descansado, sou dos independentes não arregimentados, pensando só por mim, atacando o Governa naqueles actos que merecem ataques, defendendo-o nos actos que tenham defesa e onde os meus colegas o ataquem injustamente.

Eu me preparava para assistir a um combate entre os políticos da facção conservadora e da facção radical do Partido Democrático. E neste ponto devo dizer que de maneira .alguma eu quero confundir os políticos do Partido Nacionalista com os que representam a facção-conservadora do Partido Democrático.

Bem estranhei que não se tivesse desfraldado o pendão daqueles que proclamaram que um dia existiria. a República, Radical, se porventura a idea radical republicana se albergasse na alma dos políticos republicanos radicais do Partida Democrático.

Sr. Presidente: se a arena política não-fosse a Câmara do Senado, se desta minha tribuna falasse ao povo republicana da capital, ou se ainda fosse levado a, falar num comício ao ar livre, recordando aqueles saudosos tempos da propaganda, ern que eu pretendia enfileirar ao-lado dos grandes homens qne defendiam a idea republicana, se fosse levado para esse campo, repito., eu diria que não houve ali o sentimento radical naquela política; houve, talvez, uma grande falta de-carácter.