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Sessão de 15 de Julho de 192o

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trata de um alto benefício para a cidade, que a valoriza, etc.

~Mas as razões que S. Ex.a hoje apresenta para defender o seu ponto de vista são as mesmas que o Sr. Afonso de Ler rnos apresentava outrora ^para o combater. • ;

Conheço o carácter do Sr. Afonso de Lemos, que é ainda o do vereador intemerato- de antes da República, que se levantava- sempre contra todos os potenta: dos.

A impressão • produzida neste lado da Câmara pelas considerações dos Srs. Afonso de Lemos e Celestino de Almeida foi tam grande quê eu me dirigi ao Sr. Rego Chaves, pedindo-lhe para acatar o ponto de vista da oposição, o que S. Ex.aM'ez.

Diz o Sr. Afonso de Lemos que o aspecto da questão é outro; mas não é assim, embora pareça.

A política aduaneira tem andado aos tombos por mais de uma vez.

Se a Companhia dó Estoril, como outra qualquer, queria ser favorecida pela retroactividade do artigo 9.°, tivesse utilizado como devia esta disposição da lei, mas não o fez porque prefere os caminhos a que se referiu há pouco o Sr. Ribeiro de Melo.

E preciso que & República não seja isto. •

É por isso que eu ontem tomei calor na, discussão.

Pode, mas digam-me se é no momento em que temos um déficit formidável, em que não pagamos aos servidores dó'Estado coino devemos, e em que deixamos muita cousa abandonada, por falia de receitas, que devemos usar da política d'a redução de impostos:.

Ou não temos a cabeça no seu'lugar ou estamo& a enganar-nos a nós meamos.

Referiu-se o Sr. Presidente do Ministério, se não foi aqui, foi'noutra qualquer parte, à estabilização do câmbio.'

Falar hoje em estabilização de câmbio é cousa pouco própria há -boca de homens de Estado. "• •

O câmbio Tião se estabiliza e menos se estabiliza quando se não tem o Orçamento equilibrado.

Para se chegar à estabilização da nossa moeda, o que é cousa muito diferente, a

primeira cousa que tem ;todo o Governo a lazer é equilibrar o Orçamento.

Não basta dizer-se que vamos comprimir despesas; é, preciso que claramente calculemos as despesas necessárias. •

Para que serve estarmos a dizer que comprimimos despesas se não fazemos estradas, se não abrimos escolas, se temos um exército onde há oficiais é técnicos do maior valor, que estão impossibilitados de prestar à Nação aquilo que lhe devem, por impossibilidade material de falta de verba?

v .Não temos política militar, política de estradas, política de caminhos de ferro, •política hidráulica, de instrução, porque não temos dinheiro, e vamos fazer a concessão de-isenção de direitos, para beneficiar companhias particulares. •

<ílsso p='p' admissível='admissível' é='é' presidente='presidente' sr.='sr.'>

Eu tenho de dar algumas explicações.

Devo-as ao Sr. Augusto de Vasconcelos, que ainda bem que vejo aqui na minha frente, e devo-as também'ao Sr. D. Tomás de Vilhena, meu velho amigo, por causa de um apoiado de S. Ex.a não para mini, mas contra rnim.

Quando eu falei em ricos, podia alguém concluir que tenho antipatia pelos ricos.

Não tenho.

Não me importo- absolutamente nada com eles. : • • '•

- Mas no regime actual, h^stè regime liberal em que para felicidade de muita gente vivemos, ser rico não é crime, é uma cousa absolutamente -permitida.

É rico quem quere, é mais rico do que este aquele que- quero, é menos rico o que o quiser sei-, e pobre também quem quiser e pode também ser mais ou menos •pobre do que-aquele'outro. r • Eu não sou rico, mas digo a V. Ex.a, Sr. Presidente, que não sou rico, porque não quis ser rico.

Se quisesse ser rico, 'era rico.

Portanto não-tenho nada que me queixar, neBa tenho espécie nenhuma de antipatia pelos-ricos.

O que eu digo é'que há uma política de

ricos,' e há urna política (fé pobres, e da-

~das' às minhas afirmações anteriores,'eu

• prefiro ir para a política dos- pobres, ;de 'protecção aos pobres.

• -Quando digo pobres,-eu não mo refiro aos mendigos.