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Diário das Sessões do Senado

Pobres chamo eu àqueles que trabalham constaotemente e que nem sequer têm assegurado, não digo já o futuro, mas o próprio presente, e o bem-estar da sua família.

A esses é que eu chamo pobres.

Eu sei que é essa também a sua opinião, Sr. Presidente, e a da maioria da Nação, o ao aíirmar-se, como se afirma para aí, que pelo facto de haver ricos o país está cm regime de prosperidade, eu não aceito essa teoria.

A riqueza dos particulares não representa a riqueza da Nação, a não ser quo os particulares ricos sdjam como os da América, onde os ricos entendem que foi da sociedade que receberam a sua riqueza e que portanto devem à sociedade uma parto dela. É por isso vulgar vê-los restituir à sociedade toda a sua fortuna, metade ou uma parte da mesma fortuna.

Sr. Presidente: assim também eu queria ser rico; e só o meu país íôsse assim eu talvez tivesse feito a diligência do ser rico para ter o sumo prazer de distribuir depois toda a minha riqueza pelos estabelecimentos de instrução e beneficência, por tudo o que fosso útil à colectividade.

Como, se eu o fizesse, em paga o muito que poderia ter era alguma comenda, que é objecto de que eu faço tanto caso como dos ricos, entendi que era melhor ser pobre, porque assim pode-se sempre tratar das questões sem que digam, como é costume entre nós, num país de maldizentes como é o nosso, sem que digam «que estamos a tratar de nós».

^No caso presente trata-se de beneficiar o povo?

Nã,o senhor.

Então para quê?

Para valorizar unicamente as propriedades que existem de Alcântara a Cascais, porque por este meio o Estado faz a concessão de alguns 1:000 contos sem pedir absolutamente nada em troca.

Compreendia-se que o Estado fizesse uma concessão a uma empresa particular, exigindo como contrapartida qualquer cousa que representasse benefício público.

Podíamos entrar nesse caminho.

i Mas medidas de fomento desta ordem

merecem ser ponderadamente estudadas, não podem ser votados às cegas.

Só repararmos no que se passou na Cá mara dos Deputados verão quo este projecto nem levou uma hora a discutir e eu tenho falado com Srs. Deputados que me têm dito que nenr sabiam que ele tinha passado!

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Podemos; mas havemos de fazê-lo se-guramouto e com os técnicos o ecónomos necessários para nos elucidarem convenientemente, quando não arriscamo-nos a fazer as maiores barbaridades.

E só podemos entrar nesse caminho das concessões no dia em que tivermos o orçamento equilibrado.

Esta explicação devia eu à Câmara, parecendo-me que a única cousa que se deve aprovar é o artigo relativo à ponto de Mosteiro, visto quo o Estado pode ter a ponte feita em menos tempo e mais barata.

Pelo contrato que está presente no Conselho Superior de Finanças estabe-lece-so a alternativa, o Estado isentando de direitos ou não.

Acho preferível o primeiro caso, porque o Estado assim deixado receber com uma mão mas pagará menos com a outra. Tem esta vantagem.

Continuo portanto com a mesma opinião e estou certo que os meus correligionários me acompanharão; o projecto só pode ser aprovado na parte relativa à ponte de Mosteiro.

O orador não reviu.

O Sr. Afonso de Lemos: — Sr. Presidente: quando há pouco o Sr. Ribeiro de Melo, falando acerca deste projecto, disso que a minoria nacionalista parecia dese-]osa que ele fosse aprovado, eu imediatamente respondi com estas palavras: «o projecto está em discussão e a minoria nacionalista entra nessa discussão».

Que nem da parte do Sr. Augusto de Vasconcelos, nem da minha, nem de qualquer Senador nacionalista há o intuito de favorecer qualquer pessoa ou empresa.