O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 15 de Julho de 1925

21

É ama lei divina; mas é preciso não a sofismar, como se : tem feito por vezes, aproveitando-a para estabelecer a guerra entre as classes. A guerra aos ricos para favorecer os pobres nunca .deu resultado •algum: perde o pobre e perde o rico. E vice-versa.

O Sr. Herculano Galhardo:—V. Ex.a, que há pouco classificou a teoria a que se está referindo de lei divina, deve ter presente á parábola do camel'o e do'fundo da agulha. •

Foi Cristo que disse que era mais difícil um rico entrar no céu que um camelo passar pelo fundo duma agulha.

. O ;• Orador: — Isso é o rico mau, não é o rico bom.

O Sr. Herculano Galhardo : — Cristo não fez, distinção.

O Orador: — O rico bom há-de entrar também no céu, e cheio de benemerên-cias, por ter compreendido o seu papel na sociedade.

O mal é, sempre que se trata disto haver quem promova a guerra de classes, umas contra as outras. E a guerra ao luxo. O luxo mal entendido é tudo quanto há de pior, mas aquela ostenta-ção-.que há em todas as sociedades, mesmo nas democracias mais puras, é necessária e indispensável à vida das mesmas sociedades, porque dela vive muitíssima gente.

Há um banquete brilhantíssimo, £ V. Ex.a imagina que quem rejubila, quem se refastela é quem assistiu ao banquete? Não senhor; é o pasteleiro.

<íV. p='p' com='com' baile='baile' rejubilam='rejubilam' pessoas='pessoas' quantas='quantas' sabe='sabe' um='um' ex.a='ex.a'>

Não são aqueles muitas vezes que tomam parte no baile, mas sim muitos dos que não dançam e entre os quais podem contar-se até aqueles pobres rapazitos que andam na rua abrindo as portinholas das carruagens. , ,

O Sr. Herculano Galhardo: — Pois, Sr. D. Tomás de Vilhena, hei de trazer-lhe a carta do grande cardeal Mercier, que a V. Ex.a deve merecer todo o respeito, na qual Gle condena, mas condena por todas as formas, o luxo.

É o grande cardeal Mercier, é o das meias de seda.

O Orador: — Desde o momento em que se. queira reduzir a vida social à sua expressão mais simples, a maior parte da humanidade não terá nada que fazer e daí a ociosidade, que é a mãe de todos os vícios.

A maior parte da humanidade é interessada nos usos e costumes, e por isso se todos voltássemos à antiga, isto é, a andar de tanga e pele de carneiro, voltaríamos ao tempo do Pai Adão.

O Sr. Ribeiro de Melo: —Num dia de calor como hoje, não era mau de todo.

O Orador: — Feitas estas considerações declaro que não tenho dúvida em votar este projecto de lei na generalidade, reservando-me para, na especialidade, dizer mais alguma cousa sobre ele.

O orador não reviu.

O Sr-. Augusto de Vasconcelos: — Sr. Presidente: fraca idea daria eu da minha inteireza moral' se, porque alguns Srs. Senadores demonstraram, ou pretenderam demonstrar, que este projecto de lei ia aproveitar a tal ou qual empresa, eu declinasse o meu voto. Isso seria uma cobardia, que sou incapaz de praticar.

Afigura-se-me que este projecto de lei favorece os interesses do Estado e portanto dou-lhe o meu voto.

Julgo que o interesse do Estado é votar e fazer votar auxílios a estas iniciativas que visam a trazer para o Estado melhoramentos tais que são grandes fontes de receita.

O Sr. Ernesto Navarro: — Quando essas empresas carecem desse auxílio!