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Diário das Sessões do Senado

transporte de terra para os navios on vice-versa se faz em pequenos barcos sem comodidades.

Até hoje, apesar de haver essa grande indústria do jogo e essa grande atracção do turismo, ainda não se fez o porto do Funchal, dizendo-so até que isso ainda está sendo apreciado por uma repartição qualquer do Ministério do Comércio.

Se com esta especulação, quer do jogo quer da grande indústria do turismo, não tem beneficiado a Madeira, a sua própria população também nada tem beneficiado porque vive hoje com mais dificuldades

O Sr.Álvares Cabral (interrompendo}:—

O Orador: — For virtude da minha pró-fissão eu tenho passado pelos países mais civilizados do mundo o sei o quanto me sinto bem quando encontro as comodidades que desejo. Mas também sei que os diferentes países não têm despendido um. centavo, porque tudo é explorado em regra pelas companhias, que se organizam •em grandes trusts, e são eles que financiam essas operações.

Ora o favor que se pretende conseguir com esta proposta de lei vai além das disponibilidades do Estado, e se V. Es:.as querem sacrificar ainda mais o Estado português em benefício de duas ou três sociedades, ea declaro que praticam uma má obra.

A não ser que V. Ex.as me demonstrem, que o Estado está em condições de dar uma parte das suas receitas em benefício

•Mas julgo muito difícil poderem demonstrar isso.

Interrupção do Sr. Alvares Cabral.

O Orador:—Por mais que V. Ex.a queira, ainda mesmo reforçado com a sua categoria de ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eu compreendo o turismo tam bem ou melhor do que V. Ex.a o compreende, mas a verdade é que ainda não vi argumentos que me levassem a tomar uma atitude diferente daquela que assumi em relação a esta proposta.

O orador não reviu.

O Sr. Álvares Cabral:— Sr. Presidente: pedi a palavra para dizer que tenho as maiores esperanças na indústria do tu-

rismo em Portugal.

O Sr. Ribeiro de Melo:— Tem-nas toda a gente que tenha dois dedos do testa.

O Orador:— Pela maneira como S. Ex.a falou, parecia querer significar que o desenvolvimento que o turismo tom tido ultimamente na Ilha da Madeira nada tem favorecido a sua população, quando afinai não é assim.

Efectivamente .a melhoria cambial naquela ilha não tem dado os resultados que era de esperar, como de resto não tem trazido para o cofitinente de Portugal «m maior desafogo na vida.

MÊS se nós repararmos que está calculado que cada turista gasta em média 10 libras e que dessas 10 libras advém para o Estado 20 por cento, imagine V. Ex.a o que poderá dar o turismo em Portugal se lhe dermos facilidades para ele se poder desenvolver.

Era isto simplesmente que eu queria dizer em resposta às considerações do Sr. Ribeiro de Melo.

N

O Sr. Ministro do Comércio e Comunicações (Gaspar de Lemos): —Sr. Presidente : não posso deixar de usar da palavra a propósito da discussão deste projecto de lei, visto que V. Ex.amè convidou a vir ao Senado assistir à sua discussão, evidentemente por indicação desta Câmara, e só por isso, visto que me parece que este assunto corre mais pela pasta das Finanças do que pela* do Comércio, pois se refere ,a uma isenção de direitos.

Mas eu não podia, quando mais não fosse por uma questão de delicadeza, deixar de vir aqui dizer alguma cousa sobre o assunto.

Não tomo posição especial em relação a esto projecto de lei.

Evidentemente uma boa política aduaneira a estabelecer deve ser assente em bases de estudo e de informação, que eu cão vejo instruírem este projecto de lei.