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Diário da* Seiíões ót/ Senado

'. Dir-se há que o Sr. Vitorino Guimarães é um verdadeiro republicano, um homem de valor, competente e honesto.

Tudo isso é verdade.

Mais de uma vez lho disse aqui, e íanto assim que, quando S. Ex.a se apresentou com o Governo ao Senado, fiz prever que dentro em poucos dias ou poucas horas, apesar da sua competência e honestidade, S. Ex.a teria na sua frente um revolução tendente a derrubar o seu Governo.

E essa revolução surgiu no dia 18 de Abril.

Nessa ocasião, eu disse a S. Ex.a que, pelas suas qualidades de inteligência e pelos seus serviços à República, tinha direito a ocupar aquelas cadeiras, mas ocupar aquelas cadeiras não é para toda a hora, é preciso que chegue o momento oportuno. * -

De maneira que S. Ex.a não fez o seu crescimento normalmente, mas sim anormalmente.

- Dai resultaram todos os factos decorridos com o Governo transacto.

. Em geral, os homens que são chamados a formar Ministério, têm a preocupação do que o hão-de constituir, custe o que custar e não tratam de ver se as pessoas que os acompanham têm ou não qualidades para ocupar qualquer pasta.

Trata-se simplesmente de ajustar, como quem ajusta uma companhia de teatro.

Falta um homem, .vai fula.no, falta outro, vai beltrano e assim sucessivamente.

Desta maneira, quando se chega aos primeiros embates, uns desertam, outros fogem, e outros metem-se debaixo das cadeiras,

É o que se tem visto nos últimos tempos.

- E porque?

. ,-Será por causa dos personalismos?

Não!

É devido à insconsciência, porque há homens personalistas, mas por direito próprio. . •

A vaidade, a paixão ou aspiração de subir ó perfeitamente justificada dentro das leis da humanidade.

O egoísmo não prejudica.

O que é necessário é que aqueles que querem ser uma figura marcante, tenham as qualidades necessárias.

Tivéssemos nós homens, mentalidades, figuras como tem a França e já não aconteceria, nada do que se está vendo.

O egoísmo não seria nefasto ou prejudicial, inas útil e proveitoso.

Conheci em Portugal três homens de raros merecimentos.

Foram.Hintze Ribeiro, Barjona de Freitas e Júlio de Vilhena.

Barjona de Freitas foi um homem sem aspirações. • -

Sempre que se lhe apresentasse um conjunto de bem estar, sentia-se perfeitamente feliz.

Tanto assim que indo um dia um amigo dar-lhe conhecimento de um assunto que o devia preocupar, Barjona de Freitas respondeu-lhe: sabe uma cousa, chegou-me hoje de Londres um dos melhores cozinheiros.

Hintze Ribeiro era de uma vaidade incomensurável.

Não!

Sem a tal vaidade nada se faz. Tudo o mais é poesia e .as sociedades não se conformam com ela.

E preciso profundar a história das gerações e por isso criamos uma aspiração peío princípio da solidariedade, mas taí não passa do uma quimera, temos de encarar a sociedade tal qual ela é.

Por isso eu não vou no tal aeroplano do Sr. D. Tomás de Vilhena pretendendo que as sociedades vivam dentro dos princípios da solidariedade.

.iii o egoísmo que leva os homens aos mais altos cargos, ó a sua força que os move para que subam, para que o seu nome seja falado, para que a sua personalidade se distinga da dos seus semelhantes. .

Mas eu faço uma correcção: a causa de todas as perturbações que estamos sofrendo não provém desse individualismo, provém, sobretudo, da incompetência e da incapacidade daqueles que sobem a exercer esses poderes.

Mas, Sr. Presidente, uma das causas por que en abandonei os trabalhos parlamentares foi porque discordava em absoluto da marcha do Governo da presidência do Sr. Vitorino Guimarães.

Houve alguém que disse: Mas sendo V. Ex.a um admirador do Sr. Vitorino Guimarães devia, pelo menos, aceitar o Governo.