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Diário das Sessões do Senado

Todos eles, todos esses homens que foram elevados a altos postos da administração pública, não foram indicados ao Poder Executivo pelos republicanos de uma só fó, pelos honestos e sinceros.

Vieram não se sabe de onde. assentaram praça nos campos e arraiais monárquicos.

Foi de lá que o Poder Executivo arrebanhou e tirou aquelas pessoas que vieram desbragadamento a arruinar a administração republicana do Estado.

Foi dos arraiais monárquicoa quo saíram tantos outros directores dos serviços públicos que decretaram a falência administrativa do Estado.

O Sr. Querubim Guimarães:—Veja lá V. Ex.a que estavam tam falhos que aceitaram os peoros que lá havia!

O Orador: — E um engano de V. Éx.a, uma ilusão do todos que dirigem a causa falida da monarquia.

Erro crasso foi o da República,- e sobretudo dos Governos que se seguiram ao Governo Provisório, em ter obliterado os sentimentos de solidariedade republicana, atirando para o lado e afastando da administração pública os verdadeiros e sinceros republicanos.

Fizeram mais do que aquilo que o povo lhes tinha indicado, foram além, e portanto há-de um dia pagar-se essa incontinência da administração pública.

Mas, Sr. Presidente,""não foram os republicanos históricos, aqueles que o povo republicano da propaganda conhecia, que deram lugar a este estado de cousas.

Foram os antigos regedores, os vassalos, os servidores dos últimos dois remados da monarquia.

O Sr. Querubim Guimarães (interrompendo) : — V. Ex.a lá faz essas distinções.

Nada tenho que ver com essas pessoas, porque elas são, para todo o efeito, seus correligionários.

V. Ex.a lá os tem, fique com eles, porque estão em muito boa companhia.

O Orador:—Eu tenho a declarar a V. Ex.a que, quando faço estas referência aos seus antigos correligionários, mo refiro a uma pequena minoria que tem governado

o País, não naquelas cadeiras, mas ocupando- os lugares mais importantes da administração do Estado.

Depois de tantos imos do serviços prestados à monarquia vieram estes homens para a República dar a prova mais cabal da incompetência monárquica.

Dada essa prova provada da incompetência administrativa.desses seus antigos correligionário, corno é que V. Ex.il nos quero convencer e à Nação Portuguesa da competência, dos cabais conhecimentos dos monárquicos para poderem governar o País?

Impossível.

Deve V. Ex.a, Sr. Querubim Guimarães, tratar de ingressar no Partido Republicano Português.

Faça V. Ex.a a sua filiação dentro dum partido constitucional da República, o verá, com o seu espírito esclarecido o com a sua grande inteligência, a verdade do que eu aqui tenho afirmado, encontrando apenas nos arraiais republicanos rima pequena porção dos monárquicos quo estão dentro da República.

Não mais os ouvidos dos seus pares nesta. Câmara serão beliscados como que a ferro o fogo pela sua linguagem ferina que pretendo única e simplesmente demi-nuir o actual regime.

Só por um erro V. Ex.a se desviou do verdadeiro caminho republicano democrático.

O que lhe falta é filiar-se num partido constitucional da República, e essa filiação, creia-o V. Ex.% seria fácil de conseguir.

Mas o Sr. Querubim Guimarães, tam versado na história da República, isto é, na história portuguesa depois de 5 de Outubro, parece ter esquecido as lições recebidas durante os oito anos do seu curso do liceu o até dos estudos de história feitos por S. Ex.a posteriormente àquele tempo.

Os erros quo S.' Ex.a aponta como ca»-sadores da desgraça nacional não podem sequer ser comparados aos grandes erros, crimes e latrocínios cometidos durante o constitucionalismo, que é para os paladinos da causa monárquica a mais bela obra das páginas da história portuguesa.