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DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 108 178

soluções para transferir gradualmente para o interior do país muitas indústrias susceptíveis de lá trabalharem em melhores condições de preço, com proveito para a sua economia e grande alívio para populações que anteriormente levavam uma existência contrária à própria natureza humana.
Não haverá meio de seguir exemplo idêntico e descentralizar na medida do possível as actividades que procuram a todo o transe ocupar uni lugar na grande cidade ou seus arredores?
Este problema da descentralização das populações das grandes urbes tem enorme influência na vida social - e nos perigos e doenças que assoberbam as comunidades modernas. É factor reconhecido por todos os sociólogos e, julgo, se bem que não conheça muito do assunto, por todos os economistas.
Estas são, podemos dizer, as medidas de profilaxia a distância.
Na defesa próxima contra a tuberculose e longe de mini está a ideia de invadir o campo específico dos técnicos desejo apenas pedir, depois de reconhecido o seu aspecto endémico, que lhe sejam atribuídas as verbas suficientes para realizar um cerco sem tréguas ao bacilo, de modo a acabar com os focos de infecção. Seria pretensioso falar na intensificação das medidas de profilaxia, vacinação, etc.
Contudo, quero lembrar a necessidade de camas suficientes para isolar o doente. Temos de ultrapassar a velha fórmula: "uma rama por óbito", para conseguir "uma cama por contagioso".

Aguardam cama actualmente, apesar do enorme esforço realizado nos últimos anos - e faço esta afirmação sem lisonja e com sinceridade absoluta-, 1700 doentes. Que percentagem de não bacilosos haverá neles?
Os resultados do radiorrastreio dizem-nos que o número de doentes, de 1953 -para 1954, aumentou de 1,60 por mil.
Muitos não serão casos novos, mas casos ignorados. Seja como for, há que contar com a realidade: o índice da morbilidade aumentou.
Não constituirão estes mil e tantos doentes graves núcleos de infecção? Há motivos para crer que, apesar do radiorrastreio, ainda ficam casos por descobrir. Diz um tisiologista "o que se economiza em tratamento, só por descobrir casos novos em período incipiente, em vez de formas relativamente avançadas na doença, deve ser mais que suficiente para cobrir o maior custo de um largo plano de pesquisa, uma vez que seja empreendido na sua totalidade".
Vale então a pena, a todos os títulos, combater o mal na sua origem - o contágio, o bacilo.
Reconhecer a doença como infecto-contagiosa e atacá-la como tal, é resolver o problema da tuberculose.
Exige-se, portanto, um plano de acção de emergência com alimento de unidades móveis, e actuação intensiva, por meios simples. Será necessário que se instalem mais enfermarias-abrigos mesmo, por assim disser, de improviso, em edifício devoluto ou que esteja em utilização assistencialmente discutível", como afirmou o Sr. Subsecretário de Estado da Assistência Social no já citado discurso.
Tudo disse S. Ex.ª a este propósito, preconizando obras de emergência e não monumentos para os vindouros, pedindo serviços e não edifícios.
Que não sejam então discutidas as verbas para um equipamento que compreenda, a par das aquisições de ordem terapêutica, elementos de ordem epidemiológica.
Equipamento portátil e maleável para acompanhar a evolução dos conhecimentos clínicos e biológicos e até as várias etapas do problema. Indico a propósito o exemplo da França, que começou por construir grande número de sanatórios para a idade escolar e onde actualmente, debelada a doença naquelas idades, sobejam unidades e faltam estabelecimentos para adolescentes".
Esta condição de eficiência, de profilaxia, de tratamento num sistema ambulatório e simples, é exigida pelas próprias condições de vida e cultura da população. É indispensável ir até à barraca, ao tugúrio, à zona industrial ou fabril. É preciso ir lá descobrir o doente e depois pôr-lhe à porta ou levar-lhe a casa os meios de profilaxia e cura.
Os doentes, ou por ignorância, ou por fatalismo, ou pela inércia a que conduz o próprio mal, ou ainda porque a doença, minando com verta discrição, não incomoda grandemente, suo levado" a uma apatia que só a educação consegue vencer.
A obra educativa que certamente não deve descurar-se é forçosamente lenta. Urge acudir imediatamente.
É indispensável construir pavilhões para o tratamento e profilaxia, depois multiplicá-los por essa província fora, onde a tuberculose não é já uma visita, mas onde assentou arraiais e ocupa lugar de destaque.
Significa isto pulverizar? Não, significa realizar sem utopias nem idealismos.
Mas, Sr. Presidente, a campanha da tuberculose, que em tão boa hora o prefácio de Lei de Meios trouxe de novo à tela do debate com a promessa de cuidadosa consideração-, só será vitoriosa quando o doente for transformado num ser apto a ganhar a sua vida e a de sua família, quando for recuperado para a sociedade.
A recuperação desempenha papel quase tão importante como a cura - é, na verdade, o complemento do longo esforço despendido no tratamento. O pós-cura pesa como factor social, humano e económico no problema da tuberculose, e como tal preocupa neste momento entre nós os principais responsáveis, no sector da assistência e da saúde e ato no do trabalho.
Diz o Dr. Even: "Despistar um tuberculoso é obra útil; curá-lo é melhor; reintegrá-lo na vida familiar e social é tudo".
A cura de um tísico não se define apenas pela ideia de regressão da doença e da estabilidade, mas sim pela aptidão manifesta de poder retomar uma actividade profissional. Este recomeçar do trabalho tem de ser doseado, orientado, controlado. A readaptação feita com inteligência equivale a um método profiláctico - é o preventório da cura.
Cabe á higiene e medicina social tendo aqui o serviço social um papel importante- a realização desta obra de paciência. Unia tal missão, pode dizer-se, inscreve-se na "economia humana pela medicina social", segundo a expressão justa e feliz de Réné-Sand.
Esquece-se por vezes que o programa da campanha antituberculosa deve ser realizada em três fases simultâneas e não sucessivas: profilaxia, tratamento e pós-cura ou recuperação.
De pouco servirá sanatorizar doentes se não nos ocupamos deles a saída do sanatório. Serão outros tantos que amanhã necessitarão de ser internados, com todas tis agravantes de uma recaída.
Além disso, na medida em que se intensificarem os medos de recuperação, libertam-se mais rapidamente os sanatórios das camas dos pós-curados que, por precaução, se consentem ti Li e lá se demoram, pois a alta trazer-lhes riscos sérios, por terem de começar a trabalhar. Deus sabe que trabalho e em que condições.
Esperam ainda neste momento para dar entrada em sanatórios 1700 pessoas! É desolador este número! E seria caso ainda para indagar quantos desses 1700 representam recaídos por ausência de processos recuperadores. É do professor Laenec a frase: "quase nenhum tísico sucumbe um primeiro ataque da evolução tuberculosa". A verificar-se este princípio, cabe à recuperação