O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 120 398

(...) e defendeu para as suas actividades o uso da farda da Mocidade em vez da capa e batina.
Por outro lado, se o 1.° de Dezembro é uma festa que foi reconhecida em todo o Pais -portanto, em todos os sectores e em todos os locais- como sendo o dia festivo próprio da Mocidade Portuguesa, constituindo, uma afirmação constante | e consciente do seu ideal e do seu entranhado amor à Pátria, o caso do Liceu de Évora, sem a menor desconsideração pelo seu reitor, que nos merece, aliás, o maior, respeito, não pode considerar-se como uma excepção no conjunto de todo o País.
É simplesmente isto o que se me afigura, porque as leis são feitas cara casos gerais, que não podem atender a um caso particular ou isolado.

O Orador: - No decorrer das minhas considerações, terei ocasião de responder a V. Ex.ª e demonstrar-lhe que estamos de inteiro acordo.
Nenhuns países mais progressivos à face da terra do que a velha Inglaterra e a jovem nação dos Estados Unidos. Aquela que operou a mais vasta e profunda revolução pacifica social no ultimo século, conserva avaramente e cultiva com desvelado carinho as suas tradições multisseculares, a ponto de provocar estupefacção aos olhares estrangeiros.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A nação norte-americana, que mergulha as suas mais fortes raízes na civilização anglo-saxónica, donde nasceu, mantém dessa civilização tradições escolares que parecem contraditórias do espirito político estadual.
É que, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o lema predominante, que tem feito a prosperidade social daquelas duas grandes nações, traduz-se nestas simples e eloquentes quatro palavras: «Old traditions, new ideas».
De facto, as novas ideias não, são incompatíveis com as velhas tradições. O tacto e a felicidade está em aproveitar as velhas tradições, revesti-las e reforçá-las de novas ideias sãs.
Se para se conseguir uma obra é preciso ter em conta a atracção das massas a quem ela se destinada massa escolar teria sido mais facilmente atraída à participação cordial numa organização, que tem na sua doutrina o bem e o complemento da sua formação moral e cívica, se sentisse acarinhadas as suas tradições dignas de serem consideradas e mantidas.

O Sr. Pereira da Conceição: - A Mocidade não se opõe a essas aspirações.

O Orador:- Uma coisa é lei que não se opõe, outra coisa é actuação arbitrária dos homens.
Se as escolas portuguesas, com excepção das especiais de preparação militar, são de carácter marcadamente civil, é perfeitamente lógico que o traje dos estudantes seja de tipo civil, o tradicional ou não.
Se a Organização Mocidade Portuguesa, de amplitude nacional, visa a uma estreita colaboração com a Escola, a Igreja e a Família, como alguém de grande responsabilidade há pouco definiu, quer dizer que não pretende dominar nem a Escola, nem a Igreja, nem a Família, mas sim exercer a sua acção no somatório de influências para a formação da juventude. Para isso não há que desfigurar a Escola, a Igreja e a Família, mas sim aproveitar as suas respectivas estruturas para que a acção complementar, da Organização seja atraente e eficaz.
Que a Organização tenha o seu uniforme especial para as suas actividades específicas das quartas e sábados e para as concentrações de ordem geral, quer desportivas, quer cívicas, julgo de toda a conveniência, mas fique para a Escola, para a Igreja e para a Família o direito da sua vida íntima ou de corporação.
Demais, a escola portuguesa é do Estado ou controlada pelo Estado. Os seus agentes têm o dever de ensinar e, sobretudo, de educar, segundo directrizes que ao Estado incumbe traçar e fazer seguir.
Onde, pois, o perigo do desvio?
Será possível o desvio de doutrina pelo simples uso do traje tradicional e de qualquer estandarte privativo das escolas?
Tenho para mim, Sr. Presidente, que terminaria um foco de dissenções escusadas e alcançar-se-ia um despertar de boas vontades, quer de filiados, quer de dirigentes, que contribuiria substancialmente para a normalização e eficiência da patriótica Organização Nacional Mocidade Portuguesa.
Se o traje tradicional académico for de manter, como me parece assisado, que se regulamente e que se exerça de princípio severa fiscalização, especialmente nas grandes cidades, onde se vêem deambular figuras exóticas e bastardas - talvez que muitos nem sejam estudantes - que, pelo seu abandono e desleixo patentes, provocam repulsa geral e descrédito de um traje de tão veneranda proveniência e de tão nobres tradições.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continua em discussão o aviso prévio do Sr. Deputado Nunes Mexia sobre a questão das carnes.
Tem a palavra o Sr. Deputado Furtado de Mendonça.

O Sr. Furtado de Mendonça: - Sr. Presidente: pretendo apenas vincar alguns dos múltiplos aspectos do emaranhado problema das carnes; mas não desejava fazê-lo sem, com vénia de V. Ex.ª, felicitar o nosso ilustre colega Nunes Mexia pela elevação do seu aviso prévio. É que S. Ex.ª- como já aqui foi dito- é digno
Portador de um nome com nobres pergaminhos na família da lavoura portuguesa.
Sr. Presidente: é incontestável que a alimentação é a base de qualquer produção animal. Por isso, para que os animais produzam carne há que alimentá-los, há que dispor de forragens e de concentrados.
Em suma: se falta carne no País, haverá que importá-la ou reforçar a nossa capacidade forrageira, embora outros factores possam contribuir para atenuar a crise, como a idade do gado a abater ou sua renovação, a sua precocidade, etc.
Por outro lado, reconheço que através dos preços da carne podemos fomentar a sua criação e ir ao encontro das aspirações da lavoura, que, seguindo-se verifica, reclama preços mais justos e diferenciados, a partir dos custos variáveis de produção, condição esta julgada indispensável para se obter carne em quantidade e qualidades capazes de satisfazer o regular abastecimento e preferências dos consumidores.
Efectivamente, se a produção dos bovinos criados expressamente para o talho é mais cara ou se a engorda de Inverno é mais onerosa- até porque exige maior recurso aos alimentos concentrados- e se há que suportar os encargos dos stocks a fazer em armazéns frigoríficos e de congelação,- a partir dos meses de abundância, quando o custo de exploração é inferior, logo se deduz que os preços móveis se justificam.