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738 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 137

rem em hotéis, que gastam pouco, mas constituem excelente fulcro de propaganda das belezas que a terra e o mar nos prodigalizam.
E, como tudo indica que a afluência desta espécie tende a aumentar acentuadamente, é aconselhável, à semelhança do já projectado junto da foz do Lima, o Estado, as autarquias e o Secretariado Nacional da Informação, como se lhe atribui na segunda proposta em discussão, promovam e facilitem o campismo nos lugares mais apropriados e, sem os desprover da feição rústica, os abasteçam com as instalações higiénicas indispensáveis, seja nas extensas matas da orla marítima, como, no Norte, a de próximo de Moledo do Minho, e nas do Estado: no Furadouro, na Torreira, em S. Jacinto, em Mira, na serra da Boa Viagem, na Foz do Arelho e, mais para o interior, na linda e típica pateira de Fermentelos, que aguarda também a sua pousada, como, felizmente, vai ter brevemente a bela ria de Aveiro, lugar, como aquele, apropriado aos desportos náuticos, e ainda no litoral algarvio.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Orador:-Sr. Presidente: ainda neste capitulo da afluência há outro aspecto a contemplar para apreciarmos com exactidão o movimento turístico em Portugal, pois ele é um índice evidente dos seus resultados práticos.
Quero referir-me à permanência ou estada dos visitantes, mesmo sem deter-me no pormenor das chamadas nuitées, ou seja ao número de dormidas-índice adoptado pelos organismos internacionais para cálculo do movimento turístico.
Na verdade, olhando aos resultados, a actividades como a hoteleira tanto pode interessar a maior permanência dos hóspedes como a sua constante renovação. E, mesmo sob o ponto de vista turístico em si, se é certo que a afluência de maior número para estada breve aumenta os propagandistas do pais visitado, por outro lado os que estacionam levam melhor conhecimento das nossas coisas e da nossa gente, e nomeadamente da história e da cultura portuguesas, que os habilitam a fazer uma propaganda mais profunda e intensa e em pormenores que escapam a uma visita curta e superficial.
Não tom notado como são excelentes propagandistas de Portugal os que, voluntariamente ou por imposição das suas funções, por cá permanecem por mais dilatado tempo?
Ora, Sr. Presidente, longe de progredir, tem diminuído a permanência dos estrangeiros em Portugal, como porventura noutros países. E esta diminuição acentuou-se a partir do fim da última guerra.
Analisando, para exemplo, o movimento do melhor e maior hotel do Estoril, conclui-se que a média das estadas dos seus hóspedes foi superior a dez dias e chegou a ser de vinte dias antes da guerra e até 1945, e, pelo contrário, a partir de 1946, isto e, nos dez últimos anos, essa média caiu verticalmente, não tendo em nenhum deles ultrapassado o máximo de seis dias. Noutro hotel de menor categoria, onde, de 1939 a 1949, foi acentuadamente superior a dez dias, baixou nos últimos anos para algarismo inferior a essa dezena. E assim tem sucedido também em Lisboa, como no resto do País.
A toda a luz se revelam as razões deste fenómeno, como o são a facilidade e a celeridade dos transportes, as viagens colectivas em excursões rápidas e económicas promovidas pelas agências, a euforia, a ânsia de muita gente de, em curto espaço de tempo, ver tudo, para dizer que se percorreu o Mundo, que se conhece o Mundo, embora, na realidade, nada se tenha visto ou se acabe em confusão, por não se saber localizar o que se viu a 100 km à hora, ou como num filme sem retardador, ou com uma permanência semelhante à daquelas excursões que ai se anunciam, por exemplo às Caldas, a Leiria e a Coimbra, apenas porque ali se passa a raminho do Porto ou de Fátima. Não julgueis que estou fantasiando. Alguém disse:

O turismo moderno perdeu algumas das preciosas vantagens anteriores. Hoje em dia, viajantes atravessam um país inteiro de comboio, de noite, sem nada verem. Aviões conduzem-nos através dos continentes e oceanos em poucas horas. Anteriormente, os visitantes aprendiam alguma coisa sobre os países e povos, no decurso da sua lenta vagabundagem. Porém, o turismo ultrapassa hoje as épocas antigas, com a sua extensão geográfica, número de turistas e rapidez das viagens.

E quem o disse, meus senhores, foi há anos Sua Santidade Pio XII aos delegados de uma conferencia internacional dos clubes promotores de turismo.
Sr. Presidente: a nossa fronteira está longe de se encontrar franqueada de par em par e nem ali abrimos os braços aos visitantes com um sorriso franco e acolhedor.
Nota-se às vezes tolerância, como ainda agora sucedeu, e bem, por ocasião da trágica morte do infante D. Afonso de Bourbon... ou quando há futebol.
Pelo que respeita especialmente aos que transitam de automóvel, as facilidades legais estão ainda longe de atingir o que é conveniente. As formalidades e exigências ainda em vigor não atraem: repelem.
E depois, que confusão, que trapalhada! Quem não chega à fronteira antes das 24 horas tem de esperar até ao nascer do sol do dia seguinte, de Verão e de Inverno, ali ao relento, se não quiser ou não tiver lugar no mais próximo hotel ou «parador» espanhol, a grande distancia. É certo que, neste aspecto, a culpa maior cabe à Espanha, pois, embora se possa sair de lá das 7 às 24 horas nos meses de Maio a Outubro, quem de Novembro a Abril pretenda transpor a raia tem de fazê-lo das 9 às 21 horas, isto é, entrar já dia alto e sair de dia na hora de Verão.
Os encargos aduaneiros que oneram cada transporte ligeiro ou colectivo também variam com o calendário e os ponteiros: 15$50 por veículo, das 9 às 17 horas, de Outubro a Abril, e das 9 às 18 horas, de Maio a Setembro ; mas, antes ou depois destas horas e a qualquer hora dos domingos e feriados, já não pagam 15$50, mas 34$50!
É o bailado das horas, onde dançam também as de Verão e as de Inverno, colhendo de surpresa quem não sabe que os meridianos são mera geometria no espaço...
A Policia Internacional pagam-se 50$ em qualquer dia útil ou inútil.
Por outro lado, em Espanha, em cada carro, na passagem da sua fronteira, incide só a taxa fixa de 5 pesetas, e apenas os carros que entram ali pela primeira vez são colectados com 50 pesetas, que pràticamente, com os acréscimos, se eleva a 75; isto mesmo em transito.
Quer dizer: mesmo que o turista conheça todos estes obstáculos e dificuldades e venha munido das cambiais, de um horário e de cronometro, não deixa de correr o risco de esbarrar na fronteira, porque erro de cálculo, desconhecimento das distâncias ou uma panne no transporte lhe retardaram a viagem, como é tão frequente.
Não pode ser!

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não venham dizer-nos quo assim acontece noutros países.