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12 DE ABRIL DE 1956 773

Não vou, Sr. Presidente, explicar à Câmara as razões por que do turismo deriva tamanha multiplicidade e variedade de interesses, porque a Câmara conhece perfeitamente essas razões e certamente nem tolerava sequer que eu viesse ocupar esta tribuna por alguns minutos dando-me ares professorais de quem ensina e fazendo a figura ridícula de falar sobre assuntos e coisas bem sabidas de todos os Srs. Deputados.
A Câmara conhece perfeitamente o alto interesse nacional do turismo e a sua utilidade para o País. A Assembleia Nacional está ciente de que é necessário, necessário e urgente, que se ampare, acarinhe e desenvolva o turismo em Portugal e dos seus reflexos directos na economia e no prestígio da Nação.
O aviso prévio sobre a indústria turística do País - apresentado aqui em 1950 pelo ilustre Deputado e nosso muito estimado colega Sr. Dr. Paulo Cancella de Abreu e que S. Ex.ª tratou e desenvolveu com a inteligência, brilho e profundeza que costuma pôr nas suas intervenções parlamentares e em cuja discussão intervieram vários outros Srs. Deputados - é demonstração inequívoca do que acabo de afirmar.
Quero, porém, que neste momento se não esqueça que os sucessivos Governos de Salazar, pela extraordinária obra de valorização nacional que empreenderam e estão a empreender, criaram e continuam criando esplêndidas condições de desenvolvimento turístico, sem as quais seria inútil pensar numa organização turística eficaz e a sério.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Com efeito, o Estado Novo, Sr. Presidente, empreendeu a restauração das nossas estradas e o alargamento da sua rede, não só directamente, através da Junta Autónoma de Estradas, mas ainda indirectamente, através dos corpos administrativos, a quem tem concedido substanciosas comparticipações para a construção e reparação de estradas e caminhos municipais; desenvolveu, de uma forma espantosa para a exiguidade dos nossos recursos, a marinha mercante, dotando-a de esplêndidos e luxuosos transatlânticos; promoveu a valorização do nosso património artístico por várias formas, em que avulta a restauração dos monumentos nacionais, através da respectiva Direcção-Geral, de cuja obra extraordinária é expressão magnífica o seu Boletim, e a criação, organização e enriquecimento dos nossos museus; fomentou o progresso da Nação em vários sectores; espalhou algumas pousadas pelo País e gizou um novo plano de construção de mais pousadas e de adaptação de edifícios existentes ao mesmo fim; e, finalmente, está a executar com o mais vivo interesse a Lei n.º 2073, a qual, sendo de sua iniciativa, concede à indústria hoteleira amparo valioso e benéfico auxílio.
Ora, Sr. Presidente, tudo isto e ainda o prestígio internacional de que o País desfruta actualmente são factores importantíssimos e de grande relevo no desenvolvimento turístico em Portugal.
É necessário montar eficientemente a orgânica administrativa dos serviços turísticos do País? É isso evidente, ninguém o contesta; e, certamente, sem serviços eficientes o turismo internacional ou interno não terá o necessário desenvolvimento.
Mas também sem a obra de valorização nacional e de fomento do País empreendida por Salazar, por um lado, e sem a riqueza turística da Nação, que a Providência nos legou, em que se incluem as belezas das inúmeras praias que se espalham ao longo da costa portuguesa, das várias serras que se erguem altaneiras e surpreendentes de encanto de norte a sul do País e dos ridentes vales mais ou menos extensos que correm entre essas serras, por outro lado, era escusado pensar na orgânica administrativa do turismo.
E já que aludi, Sr. Presidente, às belezas naturais do País como motivo turístico seja-me permitido que eu - animado aliás pelo exemplo louvável de alguns parlamentares ilustres que subiram a esta tribuna para se ocuparem do assunto em debate e que fizeram o elogio, justo elogio, dos motivos turísticos das regiões a que pertencem - refira uma ou outra das muitas belezas naturais que existem no distrito por cujo círculo fui eleito representante do País nesta Assembleia.
Aveiro - a cidade e o seu distrito - oferece, Sr. Presidente, ao turista, português ou estrangeiro, motivos de atracção e encantamento. Toda a vasta região de que se compõe o distrito e que se estende desde o mar, a poente, até aos contrafortes das serras do Caramulo e de Montemuro, a nascente, incluindo a serra que alguns chamam de Arada e outros da Gralheira, mas que é mais conhecida por serra da Freita, donde se desfruta um dos mais deslumbrantes panoramas deste país, e desde o concelho de Vila Nova de Gaia, por alturas da Granja, e o rio Douro, por alturas das freguesias rurais do concelho de Gondomar, seguindo rio acima próximo de Entre-os-Rios, a norte, até à serra do Buçaco, a sul, toda esta região, estuante de vida e sedenta de progresso, fortemente industrial e agrícola, tem motivos excepcionais de atracção turística.
O que se torna necessário é valorizá-los. A sua ria, a formosa ria de Aveiro, lago e mar ao mesmo tempo, constitui privilegiado lugar de vilegiatura. Aí se exercem em larga escala, e poderiam exercer-se em muito maior, os desportos da pesca e da caça. Os desportos náuticos são familiares às povoações dos concelhos de Aveiro, Ilhavo, Vagos, Murtosa e Ovar e os homens de remo da cidade de Aveiro são conhecidos em todo o País e até no estrangeiro.
Quem vá de Aveiro-cidade até à Barra ou Costa Nova tem a ilusão de que percorre estrada no meio do mar e é única a emoção de beleza que deriva do azul das águas e da alvura dos montículos de sal espalhados por muitos quilómetros em redor.
Pena é que, em vez de uma só pousada, como se projecta fazer, se não construam várias nesta região de maravilha, de sonho e de poesia; e é pena é ainda que as pontes que servem a estrada que da cidade de Aveiro conduz à Barra e Costa Nova não ofereçam segurança nem garantia de trânsito regular e perfeito e que essa estrada, numa parte, e outras que a ela vão ter estejam em mau estado de conservação.
Mas não param aqui as belezas naturais do distrito de Aveiro. A extensa área do distrito banhada pelo Vouga, a Cúria, o Luso e o Buçaco e as paisagens magníficas de Vale de Cambra, de Castelo de Paiva e do formosíssimo e ubérrimo vale de Arouca, dum verde tão carregado, visto das alturas da serra da Freita e enriquecido pela monumental igreja do seu extinto convento, rico exemplar da arte joanina, onde se venera Santa Mafalda, neta do fundador da nacionalidade e brasão inescurecível de Arouca, e em cujo museu, aliás deficientemente instalado, se guardam verdadeiras preciosidades artísticas, algumas das quais estiveram recentemente expostas em Londres, são sítios que uma vez visitados jamais esquecem, lembrando alguns deles os panoramas mais deslumbrantes da Suíça.
Pena é também que as estradas que servem algumas destas regiões se encontrem em tão mau estado que fazem com que o turista, se uma vez as visita, não volte lá mais. Mal se compreende, com efeito, que no período de desenvolvimento e progresso que se atravessa ainda existam concelhos cujas ligações à rede rodoviária do País sejam feitas por estradas não só