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658 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 202

curto ou longo prazo. Quer dizer: se as medidas que se propõem visam objectivos a atingir durante o período de execução normal de um plano de fomento - cinco ou seis anos - ou se, pelo contrário, se apontam para períodos longos - dez, quinze, vinte ou mais anos.
Num ou noutro caso, as coisas são muito diferentes, porquanto não raro aquilo que a curto prazo não passa de uma miragem pode converter-se, quando dilatado no tempo, num objectivo modesto.
Afigura-se-me que se estabelece à volta deste ponto uma certa confusão. De facto, parece haver-se geralmente interpretado que, juntamente com a indicação dos objectivos, se fixava, se não para todos, pelo menos para os essenciais, a possibilidade de os alcançar em curto prazo num lustro, digamos.
Se fora assim, muitas das conclusões, tanto como grande parte das soluções preconizadas, não justificariam muitas palavras, nem chegariam a constituir argumentos cuja análise devesse ser, sequer, feita.
Devo, todavia, observar que algumas passagens do discurso, determinadas afirmações dirigidas a problemas de solução mais próxima, bem como certos raciocínios, podem ter contribuído para essa interpretação.
Se a conclusão que legitimamente pode tirar-se de quanto o Sr. Deputado avisante disse não consente a impressão generalizaria de tudo poder ser mudado rapidamente, creio, porém, que, pelo menos, também não á a ideia exacta nem das dificuldades do caminho a percorrer, nem dos longos lapsos de tempo necessários para alcançar as metas indicadas, mesmo contando com a disciplina política e a capacidade de sacrifício do povo português.

O Sr. Daniel Barbosa: - V. Ex.ª dá-me licença? fiem mesmo quando digo que é trabalho para várias gerações?!

O Orador: - Em certas passagens V. Ex.ª referiu casos em que as soluções seriam imediatas. É um exemplo o aumento do consumo, que V. Ex.ª pretende resolver a curto prazo.

O Sr. Daniel Barbosa: - Mas, se V. Ex.ª me dá licença, em face dos caminhos que indiquei, não pode, evidentemente, estar-se a apreciar um trecho ou outro da minha exposição.
Ninguém poderá negar que me referi a um trabalho a longo prazo, que exigiria o sacrifício de várias gerações - da presente e das imediatas, portanto - e de tal maneira que se tornava necessário dar-lhe até um sentido de revolução, para que todos por ela se interessassem. E, dentro das soluções totais possíveis, pode haver algumas parcelares que parece imporem-se desde já, como seja a criação de uma organização destinada a obter uma baixa de custo de produção, a par de um aumento de salário, etc. E nestes casos é que se podem apressar soluções em benefício de todos, sem prejuízo da solução integral, que levará muito mais tempo.
Por isso, para evitar confusões, agradeço muito a V. Ex.ª que, ao referir-se a partes do meu discurso em que, porventura, eu apresente hipóteses de soluções imediatas, aã especifique.

O Orador: - Todavia, certas passagens, certas afirmações sobre problemas com solução mais imediata podem ter levado a essas interpretações. Parece que não se deu a medida exacta das extraordinárias dificuldades que há a vencer para atingir certos objectivos.
Não quer isto dizer que V. Ex.ª não tenha apontado essas soluções, mas a verdade é que elas estão a contrastar, digamos, com a aparência de soluções aqui e
além sedutoras, aparentemente impossíveis, ou possíveis, com que se pode ter ficado.

O Sr. Daniel Barbosa: - Na exposição que V. Ex.ª tem estado a fazer fico com a impressão de que um dos muitos defeitos que se podem apontar ao meu aviso prévio é o de que, embora tivesse dito as coisas, fora sempre incompleto.
Confesso que pode ser um erro, confesso que talvez devesse ter dito muito mais, mas tenho a impressão de que, dentro deste sistema de entender as coisas, não seria o meu aviso prévio que eu teria de fazer: seria preciso talvez alterar a Constituição para que um Deputado podesse estar a falar do mesmo problema durante uma sessão legislativa inteira.
O Sr. Deputado Camoesas passaria assim à história como um homem que ocupou um mínimo de tempo para conseguir qualquer coisa. Parece-me, Sr. Presidente, que perante V. Ex.ª e a Câmara sou responsável pelo todo do meu discurso, e não por partes dele desintegradas do todo.
Compreendo, todavia, que V. Ex.ª, Sr. Deputado, com a sua inteligência, com o seu poder de análise, queira desfazer a má interpretação que possa dar-se à minha intervenção. Portanto, as críticas que V. Ex.ª faz não são ao meu aviso prévio, mas às pessoas que, precipitadamente, separam essas partes do todo.

O Orador: - Não estou a fazer crítica, mas a tentar interpretar o que V. Ex.ª afirmou e a esclarecer quanto não foi devidamente interpretado. Afirmei, de resto, que o Sr. Deputado não podia ter tratado de tudo!

O Sr. Daniel Barbosa: - Portanto, V. Ex.ª dirige-se nos que não souberam ler ou tiraram portes tio todo, com o fim de conseguirem certas conclusões.

O Orador: - Muita gente entendeu assim.

O Sr. Daniel Barbosa: - Por conseguinte, repito, a crítica que V. Ex.ª está a fazer destinasse: ou às pessoas que não souberam ler, ou às pessoas que tiraram parte» do .todo para as interpretarem indevidamente, pelo facto :de não poderem nem deverem, honestamente, interpretar partes que, para se compreenderem, têm de estar integradas no todo.

O Orador: - Tem interesse que o assunto se esclareça também nesse ponto?

O Sr. Daniel Barbosa: - Só quis esclarecer neste ponto as observações de V. Ex.ª Quanto às críticas que V. Ex.ª fez propriamente ao meu aviso prévio, recebi-as o mais disciplinadamente possível.

O Orador: - Consideremos, porém, que o» objectivos fixados o são para prazo maior ou menor, mas nunca curto.
O objectivo central proposto é o do aumento do rendimento nacional para valores que nos aproximem das capitações verificadas em certos países evoluídos e, através desse crescimento, duma melhoria rio nível de vida em termos correspondentes.
Para isso, defendeu-se, directa ou indirectamente, o seguinte:

1) Activação da formação do capital e uma política monetária flexível que incentivem e possibilitem maiores investimentos;
2) Uma coordenação económica efectiva que assegure a maior intensidade do investimento e de elevação do consumo;
3) Uma política de reorganização industrial que efective uma baixa do custo de produção.