O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

24 DE ABRIL DE 1957 727

zonas de terrenos pliocénicos susceptíveis de aproveitamento, as reservas de minérios de ferro, que hoje se prevê atingirem centenas de milhões de toneladas, as possibilidades de repovoamento florestal de largas áreas montanhosas e melhor conhecimento de terras agrícolas susceptíveis de bem maiores produções, com o melhor uso da técnica agrícola, o turismo, enfim, um sem-número de pequenas possibilidades que convenientemente aproveitadas podem trazer consideráveis benefícios ao bem-estar nacional são hoje realidades que devem servir de base a mais intensivo desenvolvimento económico.
O exemplo da potencialidade energética existente nos rios e do seu aproveitamento coordenado com outras das suas possibilidades é, Aos recursos nacionais já hoje conheci rios e aceites pior todos, o que ilumina com mais clareza o panorama da economia nacional, até ao ponto de ofuscar definitivamente, assim o julgo, a crença desalentadora da pobreza do País em recursos materiais.
Eis o motivo por que, acarretando com a possibilidade de me tornar enfadonho e redundante, o trouxe agora, uma vez mais. a esta tribuna.
Poder-se-iam ainda acrescentar, neste aspecto, recursos semelhantes, embora em maior escala, nas duas grandes .províncias de Angola e Moçambique, jóias brilhantes engastadas na constelação da comunidade portuguesa.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - O caso do Cuanza, descrito no parecer de 1954, que, só no seu curso médio, as mais recentes investigações mostraram ter potencialidade energética de muitos biliões de kilowatts-hora, com um largo e rico vale de terrenos aluvionares de alto valor não longe do mar, onde num próximo futuro se aplicarão, estou certo, os princípios de aproveitamento na rega, na energia, na navegação e no domínio das cheias, ilustra a importância que neste aspecto, aquela província tão portuguesa pode ter na vida nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-E o caso do Zambeze, sucintamente descrito no parecer deste ano, é, sem dúvida, o mais clamoroso desmentido da ideia da falia de recursos nacionais. Quem. como eu, teve o grande prazer de visitar a província de Moçambique e ocasião de voar sobre quase todo o percurso do rio tormentoso, que arrasta do Centro de África volumes de água que ficam nos anais da tradição gentílica, sente a grandeza da tarefa que está diante de nós.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - As gargantas de Cahora Bassa, com margens quase a pique, de alturas que atingem quase 800 m, com o rio ao fundo a borbulhar em cachões, é dos espectáculos que perduram na memória dos homens.
Escoam-se ali dezenas de biliões de kilowatts-hora e estão em baixo, perto do mar. nas vastas planícies do Chinde. talvez milhões de hectares de terrenos aluvionares formados pelos detritos carreados do Centro de África.
Tarefa gigantesca, sem dúvida, a do aproveitamento deste sistema económico, a combinar com as possibilidades mineiras vizinhas. Há-de requerer o esforço coordenado de várias gerações. Quase que por si próprio pode assegurar, para todo o sempre, a ocupação pela raça portuguesa de parcela importante de uma
província, já hoje habitada por tantos homens que trabalham com os olhos postos na mãe-pátria, de uma província que é, sem dúvida, uma das parcelas da comunidade onde o génio português pode exercer a sua influência com maior proveito.
Mas a existência de recursos potenciais na metrópole e no ultramar não basta para assegurar o progresso gradual e contínuo que todos nós ambicionamos.
Os obstáculos que a actual situação política encontrou para seu completo desenvolvimento foram grandes. Já anteriormente esses obstáculos se haviam anteposto a esforços dispersos feitos no sentido de arrancar o País da abstracta concepção da sua pobreza material. A obra realizada pelo listado Novo, com seus defeitos e suas incongruências em alguns aspectos, teve, além do mais, o mérito de atrair muitos espíritos inteligentes para o estudo das possibilidades materiais da Nação. Mostrou primeiro, quase num gesto sobre-humano, que era falsa, deprimente e depressiva a. ideia de anarquia financeira permanente. Os orçamentos equilibraram-se, o Estado deixou de ser devedor incorrigível, a Nação readquiriu o crédito internacional, que desventuras passadas haviam arruinado. A Nação reformou uma personalidade nova, a sua verdadeira personalidade, e começou a ter confiança em si mesma, nos seus próprias recursos, nas forças subtis que a defenderam e a impuseram independente durante tantos séculos.
O primeiro dever de quem governa, é manter esta confiança penosamente adquirida nos últimos trinta anos. É orientar as forças humanas que crêem nos recursos limitaram, morais e materiais para o seu melhor aproveitamento e aplicarão.
Perderam-se anos preciosos, mas nunca é tarde para recuperar o tempo perdido.
Diversos aspectos têm de ser considerados mo balanço geral das possibilidades nacionais. A par de um inventário sério e pormenorizado dos recursos económicos, que em muitos caso apenas consiste na concatenação de elementos dispersos, há o lado humano, o aspecto do aproveitamento racional e proveitoso do esforço disponível.
Sem o homem, nada na vida tem sentido. Sem a disciplina, a orientação para fins claramente definidas, sem a coordenação de esforços dispersos, não é possível extrair no conjunto o máximo de proveito.
Parece assim que qualquer plano de reforma terá de começar pela reorganização do serviços e adaptação de ideias correntes a nova mentalidade económica e social, que tomou corpo nas últimas décadas e, essencialmente, depois da guerra. Reforma lenta, gradual, mais segura, tendente à compreensão mais realista dos problemas e a resolvé-los num sentido prático e utilitário. O amor-próprio, esta triste preocupação que há em muitos de nós de julgar serem as nossas opiniões as melhores, tem de dar lugar à compreensão nítida da transigência com as dos outros, de modo que do conjunto de pensamentos, meditações, e estudos possam sobressair os mais eficazes métodos de administração dentro do respeito mútuo.
Atingimos, na penosa ascensão do Mundo, um momento em que os valores morais, que nos acostumámos a respeitar como definitivos são assaltados por forças corrosivas e poderosas.
O equilíbrio político e social do continente europeu e de outros continentes está em perigo de sofrer graves danos nos tempos mais próximos. A Europa já não desempenha hoje o papel condutor do novas ideias P daqueles princípios da civilização milenária que fizeram n sua grandeza. E -suprema ingratidão dos povos! - é acusada de opressão pelos que tudo lhe devem, ainda quando as economias europeias penosamente arreca-