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722 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 204

serão esquecidos o porto da ilha do Pico nem o pequenino porto da ilha do Corvo. O primeiro pelo importante papel que aquela ilha já representa e virá a representar na economia do distrito e o segundo por constituir um direito da sua boa gente, que, vivendo isolada na mais pequena ilha de todas onde flutua a bandeira de Portugal, quer, com a terra dos seus 17,45 km3 de superfície e com o seu labor, contribuir para o abastecimento do povo português.
Quanto ao problema de transportes no arquipélago dos Açores, foi o mesmo há dias tão claramente exposto e pormenorizado nesta Assembleia pelo nosso ilustre colega Sr. Comodoro Pereira Viana que me dispenso de o examinar de novo e de chamar para ele a atenção do Governo, pois o Sr. Ministro da Marinha, conhecendo-o como ninguém, será o melhor defensor dos interesses açorianos em relação às suas comunicações marítimas.
No entanto, desejo formular um voto, e esse voto s para que o novo navio já previsto para substituir o velho e cansado paquete Lima demande o mais breve possível os portos daquelas ilhas.
Sr. Presidente: o pouco tempo que resta para os trabalhos desta Assembleia Nacional, não me permitindo, como era meu desejo, transmitir ao Governo as restantes aspirações da população daquelas isoladas ilhas do Atlântico, que os ciclones não poupam nem os sismos deixam tranquilas, obriga-me a terminar as minhas ligeiras considerações com palavras que há dias ouvi de um homem bom da minha terra.
Essas palavras, que traduzem o muito que se tem feito e o pouco que resta fazer, são as seguintes:

Estamos muito agradecidos ao Governo pelo muito que tem feito pelas nossas ilhas e pela nossa gente. Só nos resta agora que o Sr. Presidente do Conselho não se esqueça do nosso aeródromo nem do nosso secular liceu, que ele há uns anos atrás salvou de morte injusta com uma abençoada providência, que ficou para sempre cravada na memória e no coração de todos os faialenses.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem! O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Santos Bessa:- Sr. Presidente: em Dezembro de 1954 enumerei aqui alguns dos problemas importantes que respeitam à cidade de - Coimbra e chamei para eles a atenção do Governo. Alguns deles estão em estudo, outros em via de solução e outros aguardam, provavelmente, oportunidade de solução conveniente.
Mais tarde ocupei-me das ligações rodoviárias entre as cidades de Coimbra e da Figueira da Foz, das suas deficiências e da necessidade de as melhorar rapidamente.
Não quero abandonar esta Câmara sem voltar a apontar alguns dos problemas que respeitam ao círculo de Coimbra e que interessam particularmente às cidades de Coimbra e da Figueira da Foz - os dois grandes centros urbanos do meu distrito.
Um deles respeita à margem direita do Mondego, a jusante da nova ponte de Santa Clara, tolhida no seu desenvolvimento urbanístico por uma estação de caminho de ferro inestética, inútil e prejudicial. A sua existência impede o prolongamento da Avenida Navarro até ao Choupal, opõe-se à necessidade urgente da urbanização daquela margem, tolhe o desenvolvimento e o embelezamento da cidade e não tem, em contrapartida, benefício que a imponha. Ninguém compreende, nas actuais condições da vida e do desenvolvimento da cidade de Coimbra, que se mantenha
ali, a umas centenas de metros da estação de Coimbra B, uma outra estação que, longe de servir a cidade, constitui um sério obstáculo à sua expansão e ao seu embelezamento.
E também ninguém pode aceitar que os anos rolem sem que se encare, com a largueza de vistas que se impõe, o estudo e a construção da estação de caminho de ferro de Coimbra, que venha substituir as duas que actualmente servem esta cidade.
Coimbra anseia por esta transformação.
Coimbra tem direito a que uma larga e ampla avenida, seguindo a margem direita do Mondego, ligue esse admirável Parque da Cidade com essa maravilhosa mata do Choupal, que, desde há muitos anos, infelizmente, deixou de ser recreio aprazível e retiro apetecido por conimbricences e turistas.
A excelente obra realizada em Coimbra há poucos anos com a nova Avenida de João das regras, a nova ponte de Santa Clara e o arranjo do Largo de Miguel Bombarda e da Avenida Navarro; por outro lado, as obras já previstas para o arranjo da margem esquerda, destinada às residências dos estudantes e aos campos desportivos dos académicos, e, além disto, as obras já estudadas para a transformação do leito do rio em frente da cidade não se compadecem com a manutenção da estação de Coimbra e com os cais, os barracões e tudo o que lhe anda ligado.
Coimbra aguarda, com justificado desejo, que SS. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas e o das Comunicações encarem este problema com o carinho e o interesse com que têm estudado e resolvido tantos outros.
Com o estudo da localização da nova estação de Coimbra prende-se o da urbanização de todo o bairro da Estação Velha e do Loreto e o da nova ligação rodoviária com a estrada Coimbra-Figueira.
E não só a entrada em Coimbra desta estrada, mas toda ela e a entrada na Figueira da Foz, carecem de estudo e solução urgente. Com já aqui disse e todos sabem, aliás, estas duas cidades, importantes centros comerciais e turísticos, entre os quais se estabelece intenso tráfego rodoviário, estão ligadas por uma estrada estreitíssima, submergível, tortuosa, e com uma passagem de nível que não tem a menor justificação. Os problemas que cria e os perigos que acarreta têm vindo a agravar-se de ano para ano com o desenvolvimento comercial e industrial das duas cidades e com o interesse turístico da região.
A construção do porto marítimo da Figueira da Foz,, cujas obras, felizmente, já se iniciaram, virá a ser, dentro em breve, uma realização política do Estado Novo do mais alto interesse nacional e uma confirmação do valor da engenharia portuguesa. Já aqui se tratou do caso e se deu conta da alegria e do reconhecimento da cidade e da região.
Dentro em breve, pela intensificação do tráfego que vai impor, ele virá agravar os problemas e os perigos ligados à existência desta anacrónica estrada. Tal como a entrada em Coimbra, também a entrada na Figueira da Foz carece de solução urgente. As obras do porto exigem a substituição e a mudança da actual ponte da Figueira da Foz sobre o Mondego. Sei com que empenho S. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas recomendou este caso e, por isso, sei também que, dentro de alguns meses, o estudo da solução a adoptar estará realizado. Confio abertamente.
Espero que o alargamento e a rectificação desta estrada se iniciem no próximo ano, no troço já estudado e orçamentado, entre as pontes de Maiorca e Santa Eufemia, e que a obra prossiga nos anos seguintes.
Mas há um problema que não me parece convenientemente encarado pelas repartições respectivas - o da passagem de nível do Carvalhal. A muito poucos me-