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30 DE ABRIL DE 1960 841

Reflexamente, as secundárias atracções turísticas hão-de beneficiar do afluxo desencadeado pela valorização do motivo turístico principal.
Na aceitação do conceito da região com o unidade turística indivisível e que indivisivelmente há-de ser trabalhada e propagandeada, é natural supor que tudo o que constitua, progresso de unia parcela beneficamente se reflectirá na valorizarão do todo.
E constituindo as comissões regionais de turismo, no esquema director da armadura turística, escalões com características novas, hão-de também os homens que as administram entrar nelas com espírito novo, ou, pelo menos, refrescado e desempoeirado.

O Sr. Santos da Cunha: - Muito bem!

O Orador: - A natureza das tarefas a realizar pelas comissões regionais impõe aos seus componentes a renúncia à obra singular de cunho pessoal e resultados palpáveis e visíveis a distância breve.
Todo o contributo individual deve integrar-se e ser absorvido pela obra de cariz colectivo, com a coragem de semear, sem cuidar de saber que sejam outros a colher os benefícios.
Unidade, confiança reciproca, lealdade, impessoalismo, domínio da impaciência e perseverança na tareia são as desejáveis atitudes e sentimentos orientadores dos passos conducentes ao êxito.
For outro lado, o Estado, ao reconhecer o amparo que deve ao turismo como fonte de riqueza nacional, pode concentrar na. entidade regional uma ajuda palpável, que, á pulverizar-se por múltiplos órgãos de turismo, dispersos pela mesma área, perderia em expressão a consequente eficiência.
Com estes pressupostos, a ninguém surpreenderá que no preambulo do decreto que criou as regiões de turismo se apontasse a serra da Estrela como a zona ideal do País para se experimentar com segurança o sistema.
E, naturalmente, surgiu a comissão regional de turismo da serra da Estrela como a primeira à qual se entregou a responsabilidade de ensaiar e responder pelo êxito da nova orientação.
E julgamos poder acrescentar que na tentativa de valorização turística regional ali em curso os homens que desinteressadamente lhe dão o seu contributo têm sabido fazê-lo, fiéis ao espirito e às directrizes que de relance apontei, perfeitamente integrados no pensamento governativo que presidiu à criação das regiões de turismo.
K a serra da Estrela uma potencialidade turística de primeira grandeza e a única que, no País, pode oferecer à exploração do homem uma matéria-prima turística de valor incalculável-a neve.
Parece que a esmagadora maioria das pessoas da nossa terra ainda não acredita na neve da serra da Estrela. Mas a verdade é que durante largos meses, em todos os anos, o maciço central da Estrela se cobre de belos campos de neve com todas as condições para ali ser montada uma estação de desportos de Inverno, com requisitos iguais e, por vezes, até de superioridade sobre muitas que lá fora atraem multidões.
A neve da Estrela, acariciada pelo sol incomparável de Portugal, conjunto de fascínio ímpar, espera apenas que a conquistemos para a prática das actividades turistico - desportivas para retribuir em benesses que atingirão uma larga área à sua volta todos os esforços e sacrifícios que aquela conquista nos imponha.
Li há pouco numa revista que se ocupa unicamente do turismo e desportos de montanha, dedicada ao centenário da integração da Sabóia na França, num artigo subscrito. pelo prefeito daquela província francesa, que a Sabóia devia o seu actual cariz industrial a dois elementos naturais: a água e a neve.
À primeira gerou a energia que possibilitou a instalação de um dos mais poderosos núcleos industriais, metalúrgicos e electroquimicos da França. Pois com a neve criou-se uma nova indústria, que, em escassos anos de exploração, está em via de superar aquelas outras em importância económica.
E quando leio no lucidissimo parecer das Contas Gorais do Estado, subscrito pelo nosso ilustre colega Eng.º Araújo Correia, que é um erro a concentração de todo o movimento turístico em Lisboa e que. justamente como com outras indústrias, é indispensável descentralizar o turismo, penso que à serra da Estrela deverá caber um papel de relevo nesse movimento descentralizado!

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Porque a montanha, além de outras atracções, oferece o clima ideal de repouso e recuperação de energias para aqueles que diariamente se desgastam na vida intensiva dos núcleos citadinos. E caber-lhe-á também um não menos importante papel na formação moral e física da nossa juventude.
A comissão regional de turismo da serra da Estrela, constantemente amparada no conselho e ajuda preciosas do Ex.º 10 Secretário Nacional da Informação, concluiu uma l.ª fase dos seus trabalhos e solicitou do Governo, através do organismo competente, um subsidio para as realizações que inicialmente considera imprescindíveis ao aproveitamento turístico da serra da Estrela e para as quais os seus recursos próprios se mostram insuficientes.
Ao Estado oferece-se agora a primeira oportunidade, na parte que se lho destina, de materializar o pensamento que levou à criação das regiões de turismo, facultando à entidade regional uma ajuda sem reservas.
E um momento decisivo, em que se joga o futuro de uma região que a natureza magnificamente talhou para as actividades turísticas e, como consequência e em certa medida, se decidirá também da capacidade das comissões regionais, como impulsionadoras do fomento turístico.
E neste sentido quo apelamos para S. Ex.º Presidente do Conselho. Fazemo-lo sem invocar quaisquer qualificativos especiais: cromo qualquer um de todos os portugueses, que sempre se podem abeirar de Salazar no pleitear de unia causa justa, na certeza antecipada de que os seus anseios jamais deixarão do ser atendidos.
Faço este apelo com a segura consciência e não menos arreigada convicção de que o aproveitamento integral das imensas possibilidades turísticas da Estrela contribuirá de forma substancial para a expansão do turismo nacional, tanto no plano interno como externo. Será, de futuro, um poderoso agente de riqueza, que seria criminoso não aproveitar. Com a abertura desta nova indústria, criar-se-ão para os sacrificados povos serranos, que levam nesta terra o mais árduo o duro viver de todos nós, promissoras perspectivas de vida mais fácil e pão menos duro. Devemos ao seu longínquo e permanente portuguesismo este acto do justiça e recompensa. Estamos seguros de que assim virá a acontecer. Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Belchior da Costa: - Sr. Presidente: ao dobrar do ano findo ocorreu na minha torra um acontecimento que, dado o seu relevo e a sua projecção e a quota-parte