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3340 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 133

Quando revestida, assim, a parcela que falta do território do continente e ilhas adjacentes - Madeira e Açores, mais próprio para este destino, devemos ter ultrapassado já, largamente, os 50 por cento da área total do território metropolitano, incluindo nesta superfície, é claro, o que a campanha do trigo degradou e que hoje não pode ter outro destino.
Assim, atingido esse limite, não poderemos, nem deveremos, ir mais além, sol) pena de reduzirmos demasiado as possibilidades de sustento e de certas actividades agrárias mais rendosas. De resto, não o clama a boa harmonia da paisagem e o predomínio que se daria, então, a uma economia de mercado iria, é certo, a favor da onda, como é uso dizer no Brasil, mas julgo que não seria sensato, como disse, arriscar, neste momento, a segurança do sustento, em troca de uma hipótese, sempre falível, de receber o que nos faltar, pão ou carne, de presumíveis fornecedores estrangeiros.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Contudo, mesmo não ultrapassando os limites sugeridos, julgo que haverá, no sector privado, durante largos anos, vasto campo para fomento silvícola e digamos, em muitos casos, para difícil trabalho de recuperação da fertilidade das terras, à base da floresta.
Isto é especialmente verdade no interior continental, nos domínios que já o foram, em tempos recuados, do Quercus pirinaica e do Quercus ilex. Terrenos pobres, delgados, frios, muito escalvados e onde a falta de aragem atlântica impede a solução, mais simples e rápida, a partir do pinhal bravo ou manso, e a altitude, noutros casos, elimina a hipótese do eucaliptal.
Aparecem, então, é certo, respostas seguras à base de fundamentos fitogeográficos, mas o particular não aceita hoje soluções em que não veja a curto prazo, o resultado prático do investimento, nem a falta de capital, nos domínios do território interior, lhe permite aguentar soluções deste género. Este caso repete-se no degradado do Sul do Tejo e do Norte do Algarve - serra do Caldeirão e outras. Aí e aqui só com o auxílio substancial da colectividade seria possível colmatar estas difíceis situações.
Ainda haverá outros problemas complexos a resolver pura. cobrir, com a floresta, as inúmeras chagas do agrário É o caso das áreas sujeitas a cheias muito frequentes, que dificultam seriamente a prática da cultura arvense e mesmo do cultivo do lenhoso de pequeno porte; isto nas bacias hidrográficas do Mondego e do Tejo e ainda naqueles terrenos pobres, indevidamente incluídos em algumas obras de hidráulica agrícola, como nas da Idanha.
Aí só o choupal poderá surgir, de facto, como solução econòmicamente viável, o trata-se de cultura florestal com numerosos aproveitamentos industriais rendosos.
É o que resumidamente se pode dizer em relação à florestação no temperado, isto, é claro, sem exageros.
Nos domínios do luso tropical a tarefa não é menos difícil nem menos ingrata de solver, e ela, será, neste momento, como primeira fase, não deixar derrotar mais a floresta por concessionários irresponsáveis atraídos pela mira de um lucro rápido e substancial, levando a situações difíceis e morosas de corrigir no futuro.
Mas para tal será preciso ampliar, largamente, a constituição de grupos de trabalho técnico e sua coordenação, serviços que possam dominar problema tão amplo quanto profundo.
Mas onde estão, para tal, os elementos técnicos - a incluir neste sector?
Nem aparecem ao chamamento dos concursos, nem a escola superior os .está preparando com o necessário ritmo, nem existem escolas médias e elementares de técnicos de florestação.
E quanto às pirâmides estruturais de pessoal técnico inclusas no departamento respectivo, a constituição dos respectivos quadros, mal concebida, não chama novas vocações. Esta é a situação quanto a elementos técnicos disponíveis, situação que classifico de muito deficiente.
De resto o chupador da única escola superior existente já esgotou a matéria-prima, na zona de influência da capital e regiões do Sul do País.
Criem-se, pois, sem demora, no viveiro do Norte litoral, nas Universidades, do Porto e de Coimbra, Faculdades que preparem estes técnicos, elementos fundamentais para apoio do fomento agrário à base de floresta, e criem-se, também, sem demora, as especialidades de regentes florestais e de mestres florestais nas escolas médias e elementares já existentes no País, ampliando-se mesmo, quanto a estas últimas, com mais esta especialidade, os regimes de estudo das escolas industriais localizadas nas cidades da província.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Só assim se poderá encarar a possibilidade de resolver o que falta no sector florestal do temperado, do tropical e do equatorial português, especialmente nos domínios tecnológicos, sectores em que se está a dar, neste momento, os mais importantes passos, quer na metrópole, quer no ultramar.
Desta tribuna apelo pois para o ilustre Ministro da Educação Nacional, Prof. Doutor Inocêncio Galvão Teles, para que, no seu alto critério, promova a resolução deste importante problema do ensino técnico.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Foi, na realidade, notavelmente frutuoso o caminho já percorrido, em período assaz curto, no sentido de instalar algumas importantes indústrias florestais de base. Refiro-me às unidades já em funcionamento destinadas aos fabricas de pasta de papel e de painéis de aglomerados de madeira. Outras unidades irão ocupar novas posições nas principais regiões florestais, facultando, assim, o fácil escoamento de madeiras de pinho e de eucalipto e dos respectivos desperdícios.
Contudo, largo trabalho é necessário ainda realizar, no sentido da .instalação de novas unidades industriais, especialmente de mobiliário, de tacos de madeira para pavimentos e de construção de casas pré-fabricadas, dando assim económico aproveitamento a material lenhoso do mais diverso, incluindo o extraído dos montados de. azinho, facultando a reconversão destes povoamentos florestais a transformar em matas de mais elevada rentabilidade.

O Sr. Amaral Neto: - V. Ex.ª tem conhecimento de que no Alentejo se está trabalhando activamente na indústria de tacos de madeira de azinho?

O Orador: - Sim, senhor, tenho conhecimento dessa frutuosa iniciativa, e agradeço a V. Ex.ª sua interrupção, porque, com ela veio dar conhecimento público do facto.
Dar-se-á, também, por esta forma, um acertado passo para resolver o problema da habitação rural e do respectivo mobiliário rústico.
É indispensável ainda reformar, dimensionando, convenientemente, e eliminando unidades mal equipadas, o