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22 DE FEVEREIRO DE 1964 3341

importante sector Das serrações, indústrias que dão apoio a um movimento muito importante de exportação - a de caixas destinadas, principalmente, ao acondicionamento de frutas estrangeiras, taras, já hoje também construídas em Portugal por desenrolamento de toros de pinho e de eucalipto.
Haverá, finalmente, que levar a cabo até onde for possível a transformação da preciosa gema dos nossos pinhais bravos, facultando assim maiores réditos para o trabalhador português.
No capítulo dos meios de comunicação que permitam a fácil ligação dos vários perímetros florestais com os centros da transformação de material lenhoso, mercados de consumo e portos de embarque, muito haverá, também que fazer, no sentido de acrescer o produto nacional. Contudo, muito também facilitaria II resolução deste importante problema, se, nos vários perímetros, os serviços florestais fossem dotados das necessárias máquinas escavadoras e niveladoras próprias para a abertura destes caminhos de montanha.
A realização destes trabalhos teria incomensurável projecção na economia das zonas serranas do País e, consequentemente, daquelas que menos tem beneficiado do trabalho, que é justo destacar, já levado a cabo, pelos serviços competentes do Ministério das Obras Públicas. Aos ilustres Ministros das Obras Públicas, Eng.º Arantes e Oliveira, e da Economia, Prof. Doutor Teixeira Pinto, a quem rendo desta tribuna as minhas homenagens pelo seu saber na arte de bem governar os povos, deixo aqui este apelo, certo que tais obras, vindo a efectuar-se, darão condição de vida mais fácil a muitos milhares de portugueses das nossas zonas serranas, trazendo a uma exploração económica mais rendável dezenas de milhares de hectares de mata de pinhal e de eucaliptal, hoje praticamente improdutivos.
E não esquecer que esses meios vicinais de comunicação serão capilares dos mais valiosos para facilitar a circulação de outros produtos de actividade silvo-pastoril, especialmente os derivados da indústria dos lacticínios, como o valioso queijo da serra, que deverá, quando bem orientada a sua produção e comercialização, abranger, com êxito económico, os mercados externos.
Agora, algo vou dizer, muito pouco é certo, porque a falta de tempo não me permite ir mais além. em referência aos problemas relacionados com a agricultura nos domínios do tropical e do equatorial.
São, de facto, inúmeras, aí, como também na mesma latitude do novo mundo, as culturas de interesse económico introduzidas e divulgadas pelos Portugueses.
O cacau, o café, o chá, a cana sacarina, o algodão e diversas fibras vegetais de interesse industrial, oleaginosas várias, frutas e tantas outras, deveriam falar, permitam-me a expressão, a língua de Camões.
E se hoje muitos povos indígenas do continente negro podem sair da selva para a vida à moda ocidental, que, diga-se de passagem, tão mal ainda imitam, devem-no, exclusivamente, aos ensinamentos de missionários, cultivadores, empresários e dos comerciantes portugueses.
Algumas dessas culturas atingiram mesmo, já, nas províncias portuguesas de além-mar, situações de relevo muito especial. Entre elas saliento, acima de todas, pela rapidez do surto e valor do contributo para o produto nacional - o café angolano. Mas também sob vários aspectos económicos e sociais de maior interesse - o cacaU de S. Tomé, a cana sacarina das duas costas, os algodões de Moçambique e de Angola e outras fibras, oleaginosas arbóreas e arvenses de Moçambique, Angola e Guiné, citrinos vários, como o grape-fruit e a laranja de Moçambique, a laranja de Cabo Verde, as bananas de Moçambique e da região de Benguela, agora em pleno movimento de ascensão comercial, a noz de caju, do litoral moçambicano e tantas outras de grande valor alimentar e industrial.
Estes notáveis resultados implicaram, muitos deles, porém, grandes somas do aforro português empregadas no ultramar, bem como a colaboração activa de técnicos de vários graus e de, mão-de-obra qualificada, quer para os trabalhos de primeiro estabelecimento, quer para as actividades explorativas subsequentes, e tudo isto se fez em espaço assaz dilatado e em período de tempo muito curto. Para tal foram necessários empresários de rasgada iniciativa e técnicos de excepcional valor. E nas infra-estruturas já realizadas e em muitas outras em marcha os serviços estaduais tem pontificado também, com igual celeridade e competência.
Isto vem demonstrar que as Universidades e outras escolas de vários graus de ensino, que, têm preparado todo esse escol técnico, o têm feito com aquela competência e dinamismo que os meios disponíveis lhes têm permitido, não se justificando muita da crítica fácil, e digo injusta, feita à sua orgânica e actividades docentes.
Hoje, previdentemente, o Governo da Nação vai promovendo também a preparação in loco de uma parte deste contingente de labor especializado, que, na realidade, se mostra, em face do surto de grande progresso económico e social a que se assiste em todas as províncias de além-mar, ser já hoje insuficiente para satisfazer as inadiáveis necessidades das diferentes indústrias nascentes, quer nos domínios da agricultura, quer nos do extractivo e manu-factureiro industriais. E já. não falo no dos múltiplos serviços relacionados com a realização infra-estrutural e de prospecção levada a cabo pelos serviços técnicos do Estado.
Agora outro ponto fundamental ligado, também intimamente, à vida agrícola, do ultramar. Quero referir-me ao da hidráulica agrícola.
Sujeitas de facto as culturas tropicais aos mesmos riscos das do temperado, derivados da inconstância meteorológica, também se tem registado, na nossa África, largo esforço no desenvolvimento deste importante ramo técnico, e isto, quer por intervenção directa do Estado, quer pela acção valiosa das empresas. São exemplos destacados das iniciativas deste género, relacionadas com o regadio, as importantes obras do Limpopo e as do Cunene, bem como os regadios, por via gravítica o de aspersão, das açucareiras das duas costas, além do outras. E assiste-se, ainda, nos territórios de além-mar, a passos, já avançados, de uma prospecção para o aproveitamento, em larga escala, da energia e do poder fertilizante da água de alguns dos principais rios que sulcam o continente negro, como o Zambeze, entre os mais destacados.
Um nome, entre vários, é de justiça não esquecer, pelo muito que tem feito e haverá de fazer ainda, neste importante sector, o do Eng.º Trigo de Morais, a quem saúdo, efusivamente desta tribuna, como o grande propulsor da hidráulica agrícola em Portugal, trabalho em que teve também, larga contribuição um outro técnico, já infelizmente desaparecido, e que a ciência agronómica nunca poderá olvidar, o grande mestre Prof. Rui Mayer. A sua doutrina frutificou na nossa África, como está frutificando, agora, com celeridade crescente, nos esperançosos regadios do Sul do Tejo.
O progresso agrícola de cortas regiões do ultramar português em que a iniciativa privada teve, como já realcei, largo contributo, levou, mesmo, algumas actividades a uma situação de merecido realce internacional. É o caso da cultura do café angolano, como o foi também, anos